– O Pênalti reclamado por Gilberto em São Paulo 1×1 Grêmio e o comportamento do juiz!

Uma grande vacilada comportamental e um erro capital. É assim que classifico a atitude do juiz Ricardo Marques Ribeiro, na partida entre São Paulo 1×1 Grêmio no Morumbi.

Vamos por partes:

1.Pênalti ou não em Gilberto? Um erro capital?

No final da partida, Cueva está no ataque, encontra espaço e toca para o atacante Gilberto. Seu defensor consegue interceptar a bola e com a alavanca na perna do adversário. Veja o lance aqui, em: https://is.gd/bHQDvF

Preciso ser coerente: essa jogada foi idêntica a de Lucas Lima no Pacaembu, no domingo cedo, contra o Bahia. Em ambas partidas os atacantes tentam passar e o adversários roubam a bola bloqueando a perna de quem tinha/tem o domínio de bola. Se rouba só a bola e o atleta cai, é lance limpo. Mas tocar a bola simultaneamente em alguma parte do corpo na “roubada”, aí é infração. Na área, é pênalti! Em suma: Gilberto sofreu a penalidade e errou o árbitro.

A propósito, o lance citado do pênalti em Lucas Lima (em que o árbitro marcou corretamente mas voltou atrás induzido pelo erro do AAA) está aqui: http://wp.me/p55Mu0-1zs

2.A “comemoração” do árbitro? Vacilada Comportamental?

Durante a noite, “bombou” a comemoração do árbitro Ricardo Marques Ribeiro e muitos memes surgiram de que estava “feliz pelo empate“. Bobagem crer nisso por parte do torcedor; mais bobagem ainda o juiz proceder de tal forma. Explico:

O árbitro de futebol é um ser humano e às vezes quer extravasar. Quantas vezes eu quis comemorar uma boa arbitragem também (e às vezes, na prática, nem tendo sido boa atuação). Me recordo de um lance em Rio Claro (talvez tenha sido pela A2, e creio que foi contra o XV de Piracicaba), onde um dos times pediu falta no atacante, dei a vantagem, o jogador que sofreu a falta “me encheu o saco” e na sequência do contra-ataque armado pela vantagem, saiu o gol! Eu quis vibrar (pelo meu acerto) e tirar um sarro do atleta que tinha reclamado (e deu muita vontade…) mas me contive; afinal, sou eu quem tem que ter equilíbrio emocional durante os 90 minutos.

Entendo que, ele estando crente que fez uma boa partida (não assisti ao jogo todo mas apenas o lance citado, e que foi equivocado), quis vibrar por achar que atuou bem. Mas o faça por dentro, ou com sua esposa (se casado for), com seus amigos em lugar reservado mas nunca publicamente.

Lembremo-nos: o árbitro não precisa apenas ser honesto; tem que parecer / demonstrar ser honesto e se policiar por qualquer atitude má-interpretada. E tenha certeza: apesar dos pesares, que o torcedor são-paulino não creia que ele “comemorou” o empate.

Se você não viu, assista o lance em: https://www.youtube.com/watch?v=cepUpuZXiYw

– Procede o pedido de pênalti na mão de Balbuena?

Na partida do Maracanã envolvendo Fluminense 0x1 Corinthians, há uma reclamação de “mão na bola” de Balbuena dentro da área.

Pênalti ou não?

Não! Assista o lance (está entre o minuto 2’23” e 2’30” abaixo) e veja que não existe intenção explicita ou disfarçada do zagueiro corintiano. A bola é chutada pelo atacante carioca, ele se vira e nem vê a bola bater em sua mão. Na várzea, se fala “bola na mão ao invés de mão na bola”. Na linguagem da arbitragem, se diz que foi casualidade, sem intenção.

Lembre-se: não se pode avaliar imprudência em lances de mão na bola, somente a intenção deliberada. E desde os últimos anos, acrescentou-se a análise de que se deve ver a intenção subjetiva, o movimento antinatural dos braços que disfarça a intenção (e isso não ocorre no lance de Balbuena).

Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=cx17Wj6WNdk

– Pênalti ou não em Santos 3×0 Bahia?

Vi, assisti algumas vezes o lance e não me convenci: o pênalti “marcado e desmarcado” no jogo Santos 3×0 Bahia!

No primeiro tempo, Lucas Lima avança e tem a perna travada pelo adversário, que interrompe o seu avanço. Eis que após o árbitro Wagner Magalhães (que já escrevi: junto com Igor Benevenuto tem sido bons destaques da arbitragem nesse ano) marcou pênalti. Após ser informado pelo AAA, voltou atrás.

Para mim, houve o pênalti! O zagueiro toca a bola mas bloqueia a passagem do atacante. Se fosse dado um carrinho certeiro na bola, não seria pênalti. Mas uma alavanca com a perna, atinge simultaneamente atleta e bola. Portanto: infração (e dentro da área, tiro penal).

Assista em: https://www.youtube.com/watch?v=PviWcBEHE_8

– Por quê a CBF embolsa o patrocínio dos árbitros?

Segundo o jornalista Rodrigo Mattos, em seu blog no UOL, a CBF está sendo processada por ficar com todo o dinheiro do patrocínio recebido pelos árbitros. A matéria pode ser acessada no link: http://trib.al/biSfqto.

Diz-se à boca pequena (é necessário investigar), que os patrocínios da Penalty e Semp Toshiba, nos últimos anos, atingiram 11 milhões de reais. E aqui (aí sim é afirmação) vem a constatação: nenhum árbitro recebeu nada!

O que muito magoa é: por quê as pessoas envolvidas na Associação Nacional de Árbitros não batem de frente com a CBF? Por quê poupam tanto Marco Polo Del Nero, que é sabidamente procurado pelo FIFAGate? Alguns destes sindicalistas são até mesmo membros de Sindicatos Estaduais ou trabalham como observadores de jogos no Brasileirão para a própria CBF – mesmo sendo uma incompatibilidade de função, em minha modesta opinião.

Parece que, tanto na teoria quanto na prática, ninguém se manifesta em mudar o cenário. É lamentável tal passividade das autoridades, tendo em vista o tamanho do período reclamado.

Aliás: se os árbitros são “prestadores autônomos de serviços às entidades”, como as entidades pregam, por que eles não são recebedores de tal verba? Ou é só mais uma manobra para a CBF fugir do vínculo empregatício?

MINISTÉRIO PÚBLICO PROCESSA CBF POR PATROCÍNIO A ÁRBITROS

Ministério Público processa CBF por patrocínio a árbitros

O Ministério Público do Trabalho entrou com uma ação contra a CBF para exigir que o patrocínio na camisa dos árbitros seja negociado apenas pelo sindicato deles, sem participação da entidade. Há ainda um pedido para que a confederação pague uma indenização de R$ 5 milhões por ter negociado de forma irregular o espaço na camisa da arbitragem. Esse processo corre na Justiça do Trabalho com pedido de liminar.

Desde o ano passado, o Ministério Público do Trabalho apura as condições trabalhistas entre a CBF e os árbitros. Foram feitas audiências públicas para discutir a relação entre as partes, incluindo critérios de escala, vínculo trabalhista e a questão dos patrocínios. A confederação não atendeu sugestões da procuradoria durante essa fase.

Nesta quinta-feira, o procurador Rodrigo Carelli entrou com a ação contra a CBF. ”Pedimos que a CBF não faça contrato de propaganda e que o contrato seja feito pelo sindicato”, afirmou o procurador. ”Se a Justiça não aceitar esse pedido, pedimos que os árbitros tenham participação e recebam repasse que hoje é zero.”

Em sua ação, a procuradoria explica que a CBF tem contratos com a Semp Toshiba e a Sky para patrocínio dos uniformes em valores milionários. Mas não há nenhuma autorização dada pelos árbitros para o uso de sua imagem.

”No presente caso, a imagem dos árbitros e auxiliares foi comercializada pela ré (CBF), tendo sido transformados em “outdoors” humanos, com grandes valores econômicos. Isto posto, fica a primeira pergunta: qual a legitimidade ou legalidade da comercialização pela ré dos espaços nos uniformes dos árbitros? De fato, a ré não é entidade representante dos  árbitros, nem mesmo os árbitros e auxiliares são considerados seus empregados. Segundo a ré mesmo afirma, eles são prestadores de serviços autônomos”, descreve a ação.

Em seguida, a procuradoria afirma que ”ofende qualquer noção de direito a possibilidade de terceiro comercializar a imagem dos trabalhadores sem sua autorização, participação e mesmo ciência.”

Durante as audiências, o Ministério Público do Trabalho tinha pedido à CBF que apresentasse soluções para a questão. Na ocasião, a entidade afirmou que o que se discutia era o direito de arena que era exclusivo dos árbitros e que “nenhum espectador se interessa por uniformes de árbitros”. E acrescentou que era ”risível a pretensão” dos árbitros de receber pela imagem.

O argumento não foi aceito pelo Ministério Público do Trabalho que afirmou que chega ”às raias do absurdo essa ilação” já que empresas pagam milhões pelo espaço dos uniformes dos árbitros. Para embasar sua tese, o procurador diz que o uniforme tem 63 aparições que somam 4min durante o jogo.

Também é narrado na ação que, após a atuação da procuradoria, a CBF tentou que árbitros assinassem um documento cedendo sua imagem de graça para a entidade, o que não foi aceito por alguns sindicatos.

Diante desses fatos, o procurador Carelli acusa a CBF de lesar os árbitros e auxiliares e portanto pede uma indenização de R$ 5 milhões. Esse dinheiro seria destinado ao FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador).

É requisitado ainda de forma liminar que a confederação imediatamente deixe de negociar os contratos de patrocínios dos árbitros ou repasse 80% dos valores para os juízes se esse primeiro pedido não for aceito. Em caso de descumprimento, haveria pagamento de multas entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões.

Agora, um juiz do trabalho assumirá o caso e deve ouvir a CBF antes de tomar uma decisão sobre os pedidos da procuradoria. Questionada pelo blog, a confederação informou por meio de assessoria que não iria se pronunciar até ser intimada da ação.

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foto extraída de: http://www.futebolearbitragem.com.br/2017/02/semp-toshiba-pagou-5-milhoes-por-tres.html

– Relembrando a 1a Promessa Não Cumprida de Marco Polo Del Nero

Há exatamente 3 anos, publicávamos uma entrevista do então recém empossado presidente Marco Polo Del Nero, em que louvava Ricardo Teixeira e prometia como “1o ato” profissionalizar a arbitragem!

Extraído de: http://wp.me/p4RTuC-6Kn , de (22/07/2014).

O 1o ATO DE MARCO POLO

Passou batido devido à Copa do Mundo. Mas foi de extrema cara-de-pau a entrevista do Presidente da FPF e já eleito mandatário da CBF, Marco Polo Del Nero, à Revista Isto É (ed 2325 de 18/06/2014, pg 6-12 à Rodrigo Cardoso e Yan Boechat).

Nela, louvou a administração Ricardo Teixeira e defendeu sua honestidade; disse não precisar de auditoria numa entidade tão (acreditem) transparente como a CBF!

Questionado sobre qual será o seu primeiro ato como Presidente, disse:

Melhorar a arbitragem nacional. Temos de preparar os árbitros à altura. Profissionalizar os árbitros. Fizemos uma experiência na Federação Paulista de Futebol com 20 árbitros. Pagamos salários a eles por um determinado tempo e a qualidade da arbitragem não melhorou. O que fizemos aqui foi dar assistência psicológica e técnica para prepará-los. Penso em trios de arbitragens fixos. (…) E o segundo ato é fomentar o futebol da melhor maneira possível“.

Ora, ele quer profissionalizar mas alega que a tentativa da FPF não melhorou a qualidade da arbitragem! Incoerente…

O problema é: qual o conceito de profissionalização de Marco Polo? Na Federação Paulista, pagou R$ 1.300,00 a “10 árbitros ouro” e R$ 800,00 a “10 árbitros prata” por mês. Em troca, os árbitros deveriam ter disponibilidade para reuniões e treinamentos quando solicitados.

Ora, R$ 1.300,00 mensalmente é salário digno de árbitro profissional de elite? Qual médico, advogado, professor ou administrador largará mão de sua atividade por esse valor, arcando com as viagens a SP, despesas diversas e falta de registro na carteira de trabalho (sem direito a Férias, INSS e 13o)?

Profissionalizar é dedicação plena à atividade, com salário equivalente ao esforço e a responsabilidade da função, com encargos trabalhistas sendo pagos pelo empregador. Só com tal empenho poderá se cobrar o árbitro de verdade.

Para mim, discurso demagógico de Del Nero. E para você?

Aliás, por fim, confesso: como assinante da Revista Isto É, fiquei frustrado por não ter uma pergunta incisiva, dura, firme sobre polêmicas que norteiam a CBF, tampouco contra-argumentos às respostas. A publicação ficou a dever…

Abaixo, fotos dos árbitros profissionais europeus:
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– Explicando o impedimento passivo de Potker no Internacional 1×0 Luverdense

Que final de jogo “circense” no Beira-Rio, na partida entre Internacional x Luverdense, pela série B do Brasileirão! Vamos falar sobre o assunto, didaticamente, sobre quem errou e quem acertou.

Aos 47 minutos do 2o tempo, o Inter está no ataque e a bola é lançada para Joanderson, que está em posição legal. Potker, que está em posição de impedimento, tenta dominá-la durante o trajeto mas não a toca. Em outros tempos, você poderia dizer que ele interferiu na jogada, mas as recomendações da FIFA atuais, para esse lance, pedem o toque efetivo. Só que o bandeira Márcio Eustáquio Santiago (que é experiente), foi traído pelo impulso e marcou o impedimento. O árbitro Igor Junio Benevenuto (que já destaquei em outras oportunidades: vem crescendo bastante na carreira e está realizando uma excelente temporada) teve uma leitura perfeita do lance e mandou a jogada seguir (foi corajoso) e na continuidade saiu o gol do Colorado e as reclamações. É nítido que o bandeira percebeu o erro na sequência e se arrepende (repare o gestual dele, meio que apavorado com o acontecido).

Sabe qual o grande problema aqui? Apesar do erro crasso do bandeira (indiscutível), esse gol legal poderia ser evitado se os JOGADORES conhecessem melhor a regra e NÃO DESISTISSEM DA DISPUTA DE BOLA até ouvir o apito do árbitro! É o árbitro a autoridade máxima da partida, não o bandeira. E, nas escolas de arbitragem, sempre é ressaltado que inevitavelmente vai dar confusão se o bandeira erguer seu instrumento de maneira errada e o juiz não concordar com a marcação, pois é um vício / costume / reflexo do jogador parar de jogar quando vê a “flanela erguida”!

Taí mais uma recomendação aos clubes de futebol que gastam fortunas com maus investimentos e não têm um instrutor ou professor de Regras do Futebol em suas comissões técnicas: orientar seus atletas a só parar quando ouvirem o apito!

Em suma: gol legal, acerto do árbitro, erro técnico do bandeira e desconhecimento de regra dos atletas. Deu no que deu!

O vídeo dos melhores momentos desse jogo está abaixo, e o lance entre 5’43 e 6’13”, em: https://www.youtube.com/watch?v=2P2ksA6LexY

Para quem possa interessar, o quadro 3 de orientação da Regra 11 (impedimentos), do livro 2017/2018 (não foi disponibilizado em português pela CBF ainda, só no original em inglês), mostrando que o árbitro acertou. Abaixo:

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– O pênalti contra a Macaca foi um mico do árbitro!

Viram que “mico” contra a “Macaca”, arbitrado pelo árbitro Cláudio Francisco Lima e Silva?

Fernando Bob (Ponte Preta) tenta parar Fernandinho (Grêmio), chega a colocar a mão no pescoço e… o atacante desaba, como se tivesse sido imobilizado!

Um golpe fulminante. Viram isso?

Assista entre o tempo 09’50” e 09’55” deste vídeo, aqui: https://www.youtube.com/watch?v=IoUrNJA2WcY

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– Os dois pênaltis de Palmeiras 4×2 Vitória: foram ou não?

Péssima arbitragem do árbitro carioca Bruno Arleu de Araújo no Allianz Park. Marcou um pênalti que não foi e não marcou um pênalti que foi. Vamos lá:

O 1o gol do Palmeiras surgiu de uma falta de ataque do zagueiro palmeirense Mina, que empurra seu adversário baiano Wallace e cai. Grotescamente, o árbitro entende que o seu marcador o empurrara e marca pênalti. Veja no vídeo abaixo o lance, do minuto 4’59” ao 5’06”, abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=A2jv5F0KA8s

Outro lance reclamado, mas agora pelo Palmeiras, aconteceu na dividida entre Willian (SEP) e Allan Costa (VIT). Este sim foi pênalti: o jogador do Vitória NÃO PRATICA o tranco legal (que é ombro a ombro), pois ele dá a carga com o seu ombro NAS COSTAS do atacante do Palmeiras. Portanto, pênalti não marcado. Assista esse lance em:

http://globoesporte.globo.com/sp/futebol/brasileirao-serie-a/jogo/16-07-2017/palmeiras-vitoria/

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– Explicando o pênalti não marcado em Jonathan no Corinthians 2×2 Atlético Paranaense

Bobeada do árbitro Sandro Meira Ricci na Arena de Itaquera, neste sábado. Aos 74 minutos, o lateral Jonathan, do CAP (que fez um golaço e teve excelente atuação) entrou na área e Moisés (SCCP) pisou em seu pé. Forte ou não, intencional ou imprudente, não importa: é falta. Sendo na grande área, é pênalti.

Entenda: não foi a chamada casualidade (coisas que acontecem por acidente no jogo), mas sim imprudência na minha avaliação (quis pegar a bola, não conseguiu e perdeu o tempo, atingindo o adversário). Deveria ser marcado tiro penal, sem a aplicação de cartão amarelo.

E por quê Sandro Meira Ricci errou?

Por dois motivos:

1- O Árbitro Assistente Adicional 1 Evandro Tiago Bender, que estava muito melhor posicionado do que Sandro, nada fez;

2- Jonathan cai e põe a mão na canela, sendo que o pisão foi no pé. Talvez com a preocupação em demonstrar que sofreu a infração, “exagerou” nos lamentos de dor e forçou a barra.

Veja o lance entre o minuto 0’48 e 0’58 deste vídeo, em: http://globoesporte.globo.com/tempo-real/videos/v/jonathan-sofre-pisao-de-moises-dentro-da-area-e-o-arbitro-manda-seguir-aos-29-do-2o-t/6010998/

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– A insensível e antipática Chapecoense

Muitos árbitros tiveram como preparador físico na carreira o “Cesinha”, cujo último trabalho foi na Chapecoense.

Vitimado pelo trágico acidente na Colômbia, a família dele está totalmente desprotegida e reclama dos dirigentes da Chape.

Vejam só que contrastante: a sensível situação em que o clube passou, somado aos tormentos e horrores daqueles que perderam seus entes queridos, despertaram o sentimento de piedade sobre o time catarinense. Entretanto, os cartolas sobreviventes e novos diretores estão simplesmente desprezando a dor de quem deveria ser ajudado.

Compartilho, extraído da Isto É: http://istoe.com.br/insensivel-chape/

INSENSÍVEL CHAPE

Os familiares de vítimas do acidente aéreo com o time de futebol vivem um drama à parte: sem dinheiro e apoio, foram excluídos da reconstrução do clube

Após a queda do avião da delegação da Chapecoense, o clube foi abraçado pelo mundo. Homenagens, doações e o carinho de torcedores de todos os cantos deram condições para que o time pudesse se reerguer. Mas um grupo ficou de lado: os familiares de 71 pessoas que morreram no acidente aéreo ocorrido na Colômbia em 29 de novembro de 2016. Inconformados, reclamam da maneira como a Chape isolou aqueles que viram outra tragédia começar ao enterrar os corpos de entes queridos.

Há uma separação entre o drama real do clube e o drama real das famílias das vítimas”, diz Mara Paiva, viúva de Mário Sérgio, ex-comentarista da FOX Sports. De acordo com as famílias, o valor arrecadado pelo jogo entre Brasil e Colômbia em 27 janeiro, e que foi entregue a eles, ficou aquém da necessidade. Enquanto isso, alguns dependentes de jogadores, jornalistas e funcionários do clube que estavam no avião – em busca do que poderia ser o maior título da história do clube – passam por dificuldade financeiras. “A prioridade é reconstruir o clube”, afirma Fabienne Belle, viúva do fisiologista Luiz César Martins Cunha.

A reclamação não se limita ao dinheiro. O tratamento – ou melhor, a falta dele – aos familiares também tem sido questionado. A instituição designou apenas uma assessora de imprensa como canal de comunicação com as famílias. Os pertences dos passageiros foram expostos com desleixo em um grupo de WhastApp. Mara conta que passou mal na fila do banco ao ver no celular a foto do sapato do marido. A mulher de umas das vítimas sofreu uma crise de pânico no estacionamento da Arena Condá ao buscar a mala do marido. “Não tinha na ocasião nenhuma assistente social ou psicólogo”, diz Fabienne. Quem não pôde ir a Chapecó buscar os pertences recebeu os objetos pelo correio.

Mas não é só isso. Outros fatos são motivo de nó na garganta. Em uma participação no programa do Luciano Huck, um diretor do clube disse que as famílias estavam sendo bem tratadas. A fala causou indignação. Os familiares também não foram convidados a participar de um evento com deputadas bolivianas que visitaram Chapecó com documentos sobre o acidente. Também não foram chamadas para uma visita ao papa Francisco em Roma, a ocorrer em setembro.

A mulher de umas das vítimas sofreu uma crise de pânico no estacionamento da Arena Condá ao buscar a mala do marido

Parentes dos jogadores endossam a indignação. “Eles estão ganhando dinheiro com a morte do marido da gente”, diz Rosângela Loureiro, que perdeu o marido e ídolo do time, Cléber Santana. De acordo com Rosângela, o clube ainda não pagou os direitos de imagem do jogador. Ela também afirma que a Chape prometeu continuar pagando o aluguel do apartamento em que ela morava em Chapecó, mas que isso não aconteceu. “Três meses depois eu recebi uma ordem de despejo”, disse.

R$ 40 mil
é o valor que cada família deve receber das doações recebidas pelo clube

R$ 1.050.811,75
foi arrecadado no amistoso entre Brasil e Colômbia

R$ 15 milhões
liberado pelo Gov Federal p/ reforma da Arena Condá e construção de memorial

Em nota, a Chapecoense esclarece que:  “Os familiares não receberam apoio adequado em nenhum momento: A Chapecoense sempre tratou da melhor maneira possível os familiares das vítimas do acidente. No primeiro momento todo apoio foi realizado para custear os gastos com os funerais e respectivos translados. Após isso todo o processo do repasse de doações foi realizado com a máxima transparência. Bem como as rescisões contratuais e quitações de valores relativos a direito de imagem e premiações dos atletas e membros da Comissão Técnica. Entrega dos pertences das vítimas: Esse posicionamento dos entrevistados é contraditório, pois não reflete a opinião de outros representantes que recentemente receberam os pertences. O Clube foi informado sobre manifestações de agradecimento pelo empenho e dedicação dos profissionais que atuaram no trabalho, bem como na máxima dedicação do Clube para agilizar os trâmites burocráticos com apoio irrestrito das autoridades dos dois países (Brasil e Colômbia) para que os pertences pudessem ser entregues as Famílias o mais rápido possível. Encontro com deputadas da Bolívia: O encontro contou com a presença de representantes das famílias, inclusive do jogador Cleber Santana. A parlamentar em sua manifestação durante coletiva de Imprensa informou que retornarão ao Brasil em breve para uma ampla reunião com familiares das vítimas do acidente aéreo. Essa manifestação foi amplamente divulgada pelos órgãos de comunicação presentes na ocasião. Manifestação da esposa do jogador Cléber Santana: Todos os valores relacionados ao Direito de Imagem foram pagos pelo Clube, além de pagamentos relativos a seguro de vida, premiações e rescisão contratual. Todos os valores foram quitados ainda em 2016. Em relação ao pagamento de aluguel do apartamento onde residia a Família, o Clube nunca se comprometeu em pagar o referido valor deste caso e de nenhum outro atleta. Mesmo assim após o falecimento de Cleber Santana todos os custos relativos ao aluguel do apartamento foram pagos pela Chapecoense em sua totalidade durante a permanência da Família.”

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FAMILIARES – Mara Paiva (à esq.), mulher do comentarista Mário Sérgio, e Fabienne Belle, esposa do fisiologista Luiz César, criaram uma associação de vítimas (Crédito: ANDRE LESSA/ISTOE.)