– Explicando o “escanteio com impedimento” em Turquia 0x3 Itália.

Eu não tinha visto o lance da Eurocopa onde disseram ter surgido um impedimento de escanteio, no jogo Turquia x Itália.

Dando uma fuçada na Web, me deparei com essa matéria confusa do UOL, falando que o italiano recebeu a bola impedido (como se existisse sim impedimento em escanteio – bola fora do jornal, o qual imagino que corrigirá). Em: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/06/11/impedimento-no-escanteio-jogadores-da-turquia-se-atrapalham-veja.htm.

Outro link, do O Dia, ironizando o erro do bandeira: https://odia.ig.com.br/esporte/2021/06/6165808-bizarro-arbitragem-marca-impedimento-de-jogador-da-italia-em-cobranca-de-escanteio-assista.html.

Por fim, um último link, do GE.com, onde é possível assistir o lance. Nele, Sandro Meira Ricci confirma o equívoco. Vejam só: https://ge.globo.com/futebol/eurocopa/noticia/impedimento-bizarro-e-penalti-nao-marcado-erros-da-arbitragem-chamam-atencao-em-turquia-x-italia.ghtml.

Amigos, insisto que não existe impedimento em escanteio. MAS QUEM DISSE QUE A MARCAÇÃO FOI ESSA?

O bandeira está marcando a posição de Berardi, que está fora do campo quando a bola é tocada por Insigne. Ele é como um invasor neste momento, e deve ser marcado Tiro Livre Indireto ao adversário. Não houve nada de impedimento marcado, os comentaristas bobearam na análise.

Por isso o futebol é fascinante… um lance que correu o mundo e poucos se atentaram

– Bélgica 3×0 Rússia: o Gol de Lukaku foi legal ou não?

Muita gente perguntando: e o gol de Lukaku, quando ele estava impedido, foi válido por que?

Porque a Regra mudou. Quando um zagueiro tenta interceptar a bola e a desvia, ele habilita quem estava à frente.

Explico essa mudança na postagem de outro jogo, em: https://professorrafaelporcari.com/2019/06/13/desvio-tira-impedimento-no-futebol-agora-depende/

 

– Pedro Henrique, Ramirez e o Inter de Abel.

O Internacional-RS fez um excelente campeonato nas mãos de Abel Braga e quase foi campeão. Como “prêmio”, o treinador foi demitido e substituído por Miguel Angel Ramirez, que fazia um ótimo trabalho no Del Valle.

Mas será que o Colorado pensou em filosofia de trabalho, resultados, prazo e outras nuances quando o contratou?

Agora, com resultados não desejados, Ramirez pode ser (se é que já não foi) demitido. E a multa contratual, como fica? A responsabilidade de quem o trouxe?

Para ajudar, temos a situação de Pedro Henrique: duas expulsões seguidas em torneios diferentes com a mesma forma de disputar uma bola… será multado?

Por fim: neste período em que treinadores podem ser trocados apenas uma vez no Brasileirão, acertar um nome bom é importantíssimo!

A foto abaixo (extraído do site Esporte Jundiaí) é emblemática:

– A Premier League quer a volta da dúvida nos impedimentos?

Parece irrisória a mudança, mas na prática pode mudar muito placar: a Premier League vai ENGROSSAR as linhas utilizadas para o VAR avaliar o impedimento, a fim de permitir o benefício da dúvida para os atacantes.

A questão é: a busca pela exatidão foi tão neurótica para alguns, que se deseja um pouco menos dela?

Será uma decisão progressista, retrógrada ou simplesmente inovadora?

Extraído de: https://veja.abril.com.br/placar/premier-league-vai-engrossar-linhas-do-var-para-ter-margem-de-erro/

PREMIER LEAGUE VAI ENGROSSAR LINHAS DO VAR PARA TER MARGEM DE ERRO

Segundo reportagem de diário britânico The Times, ideia é aumentar o “benefício da dúvida” a favor do atacante em lances de impedimentos milimétricos

A Premier League, a primeira divisão do Campeonato Inglês, decidiu introduzir “linhas mais grossas” para os impedimentos avaliados pelo árbitro assistente de vídeo (VAR, na sigla em inglês), informou nesta quinta-feira, 10, o diário britânico The Times. A mudança foi aprovada pelas 20 equipes participantes e é esperada para a próxima temporada.

De acordo com a reportagem, esta é uma tentativa de lidar com decisões “extremamente impopulares”. As linhas mais grossas darão uma “margem de erro” maior aos impedimentos e visam devolver o “benefício da dúvida” ao atacante, ou seja, validar gols que antes constariam como impedimentos milimétricos.

Os clubes e chefes de árbitros da Premier League acreditam que a mudança terá um grande impacto no jogo, em lances em que a ponta do pé ou mesmo as axilas do jogador de ataque apareceriam em impedimento.

O sistema já é utilizado em outras competições como o Campeonato holandês e tem como desvantagem o fato de não aparecer imediatamente na transmissão de TV, mostrando todo o processo de análise, mas apenas o resultado final. A novidade divide opiniões e, apesar de ampliar a margem de erro, não acabaria com a ocorrência de lances milimétricos.

– Vasco x Boa Vista e o gol da “regra nova” em jogo da “regra antiga”…

Que rolo!

Falamos dias atrás que a Regra da Mão na Bola iria mudar, a partir da 1a Rodada do Campeonato Brasileiro. Agora, a mão na bola em equipe que está no ataque deve ser sancionada somente se ela bate na mão de um jogador e ele próprio imediatamente faz um gol (diferente da atual, em que se ela bate na mão e sobra para um companheiro, sanciona-se).

Explico didaticamente essa mudança em: https://professorrafaelporcari.com/2021/05/29/a-nova-regra-de-bola-na-mao-mao-na-bola/

Pois bem: e na Copa do Brasil? Na atual fase, vale a antiga. Na próxima, a nova. Portanto, no jogo Vasco x Boa Vista, onde ocorreu um lance muito confuso com essa nova regra, acertou o árbitro.

O problema é: houve interferência externa?

O lance no site do GloboEsporte, em: https://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/vasco-x-boavista-em-jogo-sem-var-arbitro-anula-gol-irregular-de-gabriel-pec-apos-3min35s.ghtml

Vasco x Boavista: saiba como assistir ao jogo da Copa do Brasil AO VIVO

– O gol de Pedro em Brasil e Sérvia: a bola entrou ou não?

Vejo a imagem do gol reclamado pela Seleção Brasileira no amistoso contra a Sérvia, aos 39m do 2o tempo após o lance de Malcom para Pedro. Que dúvida!

Difícil afirmar que entrou ou não. Pela imagem em diagonal, tende a se imaginar que pode ter entrado. Se você colocar ela em linha paralela, a impressão é que pode não ter entrado.

Sabe o que é curioso? O VAR pode não ajudar em nada para dirimir a pendenga, já que em determinado momento o corpo do goleiro pode encobrir a bola e não será possível definir. Somente com a tecnologia da linha do gol (o “chip na bola”) pode se dizer com exatidão se foi gol ou não.

Na minha primeira visualização, fiquei em dúvida, achando que poderia ter entrado. Na segunda, imagino um pedaço da bola sobre a linha do gol, pelo ar (ela precisa ter ultrapassado a linha por inteiro para ser gol). Na terceira vez, tendo a dizer que não foi gol.

Analise:

– E se jogadores virassem árbitros?

No começo do futebol (em 1863), não existiam árbitros! Eram os jogadores que discutiam o que fazer entre si. Com o tempo, como muitos atletas queriam reclamar, determinou-se que apenas um atleta de cada equipe poderia debater com o adversário. Esses utilizavam bonés para se diferenciarem. Boné, em inglês, se chama “cap”. Em alguns países de língua latina, o “cap” virou capitão (e, como sabemos, os capitães de cada equipe pararam de usar boné). O árbitro surgiu quase duas décadas depois, a fim de apenas resolver as discussões entre os atletas (era um mero mediador). Bem no final do século XIX o árbitro entrou em campo (e passou a existir oficialmente na Regra de Jogo) e começou a apitar as partidas (e os capitães perderam o direito de reclamar, já que hoje esse “direito antigo” é proibido). Hoje, o capitão apenas representa a equipe perante o árbitro.

No começo do século XX, os árbitros de futebol eram formados pela “Escola da Bola”, ou seja, pela experiência que tinham dentro de campo atuando como atletas, pois boa parte deles eram ex-jogadores. O próprio Charles Muller, depois de encerrar a carreira de jogador, se tornou árbitro.

Claro, não tivemos nenhum grande craque que se tornou árbitro expressivo, pois, afinal, a identidade entre eles e seus clubes no futebol romântico os impedia. Apenas atletas medíocres viravam árbitros.

Com o profissionalismo, isso mudou! Árbitros passaram a ser independentes e formados pelas escolas de arbitragem (destaca-se a famosa EAFI – Escola de Árbitros Flávio Iazzetti, da FPF, pioneira no Brasil).

Já imaginaram hoje Rogério Ceni apitando Corinthians x Palmeiras? Ou Marcelinho Carioca arbitrando Santos x São Paulo? Não ia dar certo

E depois de tudo isso e de todo tempo, vale o lembrete: o árbitro é o único elemento dentro do universo do futebol que não é profissional de fato!

Desculpem-me: esqueci dos gandulas. Também eles não são profissionais…

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– O verdadeiro Fair Play no Esporte e o Sucesso próprio.

Essa publicação recente foi feita para abordar o desejo de vencer pelos nossos méritos, e não pelas quedas e percalços do próximo. Mas, ao mesmo tempo, ela serve de exemplo para o Fair Play no esporte.

Confesso: não sei quem são os clubes e os atletas envolvidos no vídeo. Mas o que vale é: a mensagem de espírito esportivo e consciência da ética e respeito.

Abaixo, extraído de: https://www.linkedin.com/posts/theunismarinho_activity-6803396296024592384-3y-C

– A pesquisa sobre a “aprovação do VAR na Inglaterra”.

E se no Brasil existisse uma Federação de Torcedores de Futebol, e ela manifestasse à CBF suas impressões sobre o VAR no futebol brasileiro?

Foi isso o que aconteceu na Inglaterra, onde uma pesquisa concluiu que o VAR tornou os jogos menos agradáveis.

Abaixo, extraído de: https://www.cnnbrasil.com.br/amp/esporte/2021/06/02/mais-de-40-dos-torcedores-devem-ir-a-menos-jogos-devido-ao-var-diz-pesquisa

MAIS DE 40% DOS TORCEDORES DEVEM IR A MENOS JOGOS DEVIDO AO VAR, DIZ PESQUISA

Estudo feito com 33.243 fãs ingleses mostrou que mais de 94% consideraram que o árbitro de vídeo tornou ‘menos agradável’ assistir aos jogos

Um estudo conduzido pela Federação de Torcedores de Futebol (FSA, em inglês) na Inglaterra mostrou que mais de 40% dos torcedores estão menos propensos a irem a jogos de futebol devido a preocupações com o sistema de Árbitro Assistente de Vídeo (VAR).

A pesquisa, feita com 33.243 torcedores, mostrou que mais de 94% dos entrevistados consideraram que o VAR tornou “menos agradável” assistir futebol, citando questões como o tempo necessário para confirmar as decisões.

Os fãs também disseram que o VAR arruinou a espontaneidade das comemorações dos gols. Apenas 26% apoiaram o uso de VAR, embora 97% tenham se mostrado a favor da tecnologia da linha do gol, que fornece resultados quase instantâneos.

A FSA disse que os resultados da pesquisa serão compartilhados com a Premier League, a 1ª divisão do futebol inglês.

“Esperamos que a Premier League e o corpo de árbitros ouçam a voz dos torcedores e tomem medidas urgentes para melhorar um sistema que não fornece decisões claras e compreensíveis em estádios”, disse o vice-presidente da FSA, Tom Greatrex.

Árbitro revisa marcação de pênalti com ajuda do VAR em partida entre Fulham e Leicester City pela Premier League. Foto: Visionhaus – 30.nov.2020/Getty Images

– Explicando a expulsão de Fágner no Corinthians 0x2 Atlético Goianiense pela Copa do Brasil.

Num prazo de 4 dias, o Dragão venceu o Timão na sua casa por duas vezes consecutivas.

Não bastasse a campanha ruim do Corinthians (comentamos aqui: https://wp.me/p4RTuC-vfd), há uma expulsão muito polêmica do lateral Fágner. Vamos discuti-la, se foi correta ou não?

Entenda: lances em que se tem sangue, machucaduras diversas ou quedas acrobáticas, no futebol, muitas vezes não justificam as marcações. Digo isso pois Fágner postou nas Redes Sociais um corte, alegando ter sido em consequência da falta em que foi expulso. Não o desminto, mas não posso deixar de considerar que ele possa a ter sofrido em outra situação – e ela não abona o lance que discutiremos.

1- A expulsão do corintiano não foi por Cartão Vermelho direto. Foi pelo Segundo Amarelo, vale lembrar.

2- Fágner sofreu uma falta temerária no 1o tempo, e seu adversário Zé Roberto foi punido corretamente com cartão amarelo. Na primeira oportunidade, Fágner “desforrou” e se vingou com uma falta dura no mesmo atleta, rendendo-lhe uma justíssima advertência (assim como no lance anterior do seu oponente, num critério uniforme do árbitro Bráulio Machado). Fica a pergunta: um atleta experiente como ele, que joga em um clube importante como o Corinthians, não sabia que iria ficar pendurado no começo do jogo por tal ato?

3- No segundo tempo, Fágner vai disputar de novo uma bola com o mesmo Zé Roberto. Simultaneamente, ele atinge a bola com o pé esquerdo, e o adversário com a perna direita, evitando um possível ataque do time goiano. Não é lance violento; é falta comum que, pelo local e pela situação (evitando o avanço adversário) é para Cartão Amarelo. Lembrando: disputar a bola e depois por consequência o outro atleta cair, é lance legal. Mas disputar a bola e atingir simultaneamente bola e adversário, é falta.

4- Repito o que escrevi anteriormente: clubes grandes precisam ter ex-árbitros para orientar os jogadores quanto à Regra do Jogo: desforrar uma falta em que o atleta já tinha amarelo e ficar pendurado, seria evitável – assim como o 2o cartão. Se o Fágner tivesse alguém no dia-a-dia dando dicas de regras e artimanhas, talvez o comportamento tivesse sido outro.

Fágner, lógico, paga o preço da “fama de violento”. Lembro-me de Miranda x Edmundo em um São Paulo x Palmeiras: o são-paulino estava em sua fase “Gamarra”, ganhava todas dos atacantes e não fazia falta alguma. Num Choque-Rei, Edmundo foi disputar com ele e o zagueiro perdeu o tempo da bola, atingindo o palmeirense e cometendo pênalti. O árbitro não teve dúvida: marcou simulação e amarelou Edmundo…

Em tempo: Sylvinho, na coletiva, disse que poderia rever os seus conceitos, mas complementou quesão os jogadores quem efetuam os lances”. Teria ele começado a perder o grupo, ao jogar / dividir a culpa com o elenco?