– Análise de Detalhes da Arbitragem de São Paulo x Corinthians

No jogo da 3a fase do Paulistão entre São Paulo x Corinthians no Morumbi, tivemos uma arbitragem ruim do bom árbitro Antonio Rogério Batista do Prado. De fato, a temporada não tem sido boa para ele: após lesão durante a Copa São Paulo Jr, o árbitro trabalhou em 4 jogos, sendo seu jogo principal até então o clássico Corinthians x Palmeiras.

Tanto no Derby da 1a fase quanto no Majestoso de ontem, o árbitro cometeu um mesmo erro:contemporizou cartões! No mundo da arbitragem, tal estilo observado se diz pejorativamente que o juiz está “administrando o jogo”, ao invés de cumprir a Regra. Ou seja: mediando, poupando, segurando. Alguns árbitros fazem isso muitas vezes “para não estragar o jogo” (como se isso fosse de responsabilidade dele – evitar expulsões!). Não digo que é o caso de ontem, mas testemunho: em muitas das partidas em que atuei como quarto-árbitro, vi árbitros que, na hora da dúvida, não expulsavam jogadores para não serem vetados futuramente. Quanto menos cartões, avaliam ser melhor, pois evitam que dirigentes reclamem de atletas suspensos por cartões vermelhos.

Nada de má fé ou algo que possa condenar o árbitro, mas sim péssima leitura da partida. Emerson Sheik abusou da catimba, Rafael Tolói deixou de ser expulso (tudo se levarmos em conta o estilo adotado no começo da partida e posteriormente acomodado). E, principalmente, as reclamações de ambas equipes. Expulsões, mesmo, só depois do jogo: Maicon e Carleto receberam o Cartão Vermelho depois da decisão de tiros penais.

Não se pode colocar que o árbitro foi decisivo na última cobrança de pênalti ao mandá-la repetir (ali, Rogério Ceni realmente abusou), mas sim questionar condutas ruins: por qual motivo a partida se encerrou aos 45 minutos do 2o tempo, sem qualquer acréscimo? A propósito: em quantos jogos você não vê os acréscimos? Se deve sempre acrescer o tempo extra pelas substituições ocorridas, paralisações para retirada de atletas lesionados / atendimento médico e perdas diversas. Será que não houve nada disso, por isso nenhum minuto?

Há árbitros de meio-de-campeonato e árbitros de decisões. Já tivemos nos últimos anos Vinícius Furlan, Leandro Bizzio e outros juízes fazendo clássicos, num torneio onde fatalmente os 4 grandes se classificam entre os 8. Se eles vacilarem e forem mal, a equipe “dita prejudicada” tem tempo de se recuperar, já que o campeonato é longo. Na fase decisiva, onde são partidas eliminatórias, há de ser a nata da arbitragem. E que não se culpe o sorteio, pois da forma que se é feito, pode-se escalar com tranquilidade (aliás, um dia Marco Polo Del Nero não disse que ‘Ouro é Ouro e tem que apitar?’).

O problema é: rarearam-se os árbitros. Desde 2005 no cargo, qual árbitro foi revelado pela gestão da presidência da CEAF do Coronel Marcos Marinho, tendo como secretário Arthur Alves Júnior?

Ninguém!

Wilson Seneme e Paulo César de Oliveira (os árbitros paulistas da FIFA) eram frutos da gestão do Prof Gustavo Caetano Rogério (estão guardados paras as finais); Abade e Sálvio (que pararam), idem. Sobraram ainda para as decisões: Braguetto, Marcelo Ribeiro, Claus e Ceretta (frutos de outras gestões).

Enfim: como revelar árbitros, se os dirigentes que lá estão não produzem a contento? Há de se profissionalizar não só a arbitragem, mas a direção dela. Antonio Rogério não vive da arbitragem, assim como a maioria dos árbitros, que durante a semana exercem suas carreiras profissionais paralelas. Já os dirigentes do apito, ao invés de dedicação exclusiva na pasta que respondem, as dividem com outras: o Cel Marinho é presidente da CEAF, membro da Comissão Paz no Esporte e responde pelas questões de segurança dos Estádios. Ou faz uma coisa, ou outra! Arthur Alves Júnior é membro da CEAF, presidente do Sindicato dos Árbitros, tesoureiro da Cooperativa, entre tantas funções.

Nada se diga em relação à honestidade desses senhores, mas vale a reflexão: se se dedicassem a uma única atividade, não seria mais produtivo?

E você, o que achou do jogo? Deixe seu comentário:

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