– E Quando o Jogador Força Cartão? Sobre Valdívia no Palmeiras

No sábado, Palmeiras x Ceará jogaram pelo Campeonato Brasileiro. No segundo tempo, Valdívia, que estava no banco de reservas, entrou no final do jogo e, na primeira oportunidade, provocou o zagueiro Vicente, que lhe revidou. Muito bate-boca, confusão e num primeiro momento ficou a impressão de ingenuidade do palmeirense, que junto com o adversário, mereciam ser expulsos.

Independente de quem agrediu ou não, particularmente tive a sensação (comum aos árbitros de futebol): Valdívia tentou cavar uma expulsão!

Talvez o torcedor não saiba, mas é mais comum do que se imagina a tentativa de forçar cartões. E alguns jogadores pedem aos árbitros!

Há duas formas de se cavar cartão:

1) Aquela em que o jogador em comum acordo com o clube tentam o Amarelo – e que normalmente faz isso para folgar numa rodada se preparando para um confronto mais difícil à frente. Ele obtém a advertência matando uma jogada com um agarrão de camisa, fazendo cera no jogo ou reclamando com o juizão. O problema é que muitas vezes ele não consegue forçar o amarelo (isso acontece com os menos experientes), e acaba cochichando no ouvido durante o jogo, tipo “ô professor, me dá um amarelo que preciso levar um, tô pendurado e preciso ‘limpar’ ele hoje”.

2) Aquela em que o jogador quer ficar de fora do próximo jogo na marra, prejudicando sua própria equipe – normalmente isso acontece porque o jogo seguinte é longe demais, ou quer forçar uma folga ou simplesmente quer evitar uma animosidade contra um adversário que outrora teve problema. O objetivo é receber o 3o Amarelo (estando com dois) ou até mesmo o Vermelho Direto, caso não esteja pendurado.

Na minha carreira, já vi jogador forçar explicitamente e também disfarçar bem. Me lembro de alguns absurdos: certa vez, apitei na Segunda Divisão a partida Noroeste x Oeste de Itápolis. O jogador do Itápolis disse pra mim ainda no primeiro tempo: “briguei com o time e vou ‘ferrar os caras’“. Disse a ele para não fazer nenhuma bobagem em campo nem agredir companheiro de profissão. Conclusão: fez um pênalti para Amarelo, o adversário foi cobrar e, antes de chutar a bola, o mesmo jogador invadiu a área e deu um bico para longe. Conclusão: Vermelho e o seu time foi prejudicado.

Em outra oportunidade, Votoraty x União de Mogi jogaram pela 3a divisão: o time de Votorantim tinha 4 pendurados, estava classificado para a outra fase e só cumpriria tabela no jogo seguinte. E o que fizeram? Numa cobrança de escanteio, um atleta ajeitava a bola, respirava, e na hora de chutar… parava e chamava outro para cobrar. E incrivelmente assim conseguiram todos os cartões. Simplesmente, sem prejudicar a outro time ou companheiro de trabalho, receberam o Amarelo (embora, a subjetividade da Regra permitiria expulsar alguém pela reincidência coletiva / rodízio de infrações).

A questão é: em toda a rodada, haverá jogador forçando o cartão amarelo, seja para ajudar a sua equipe ou para si próprio. E isso me faz recordar de Renato Gaúcho e o árbitro Márcio Rezende de Freitas. Num jogo no Maracanã, pelo Fluminense, Renato estava nitidamente forçando o Cartão. Márcio sabia disso e não deu Amarelo a ele, deixando-o inconformado. Irritado, no final da partida, ele reclamou: “Pô Márcio, você não vai me dar nenhum cartão?” E Márcio: “claro que vou”. E deu Vermelho…

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