– O Complicadíssimo “Impedimento-ou-Não” de Santos x Corinthians

O mundo do futebol é irônico, e suas ironias, em determinadas situações, chegam até a ser hilárias em alguns momentos.

No ano passado, o excelente árbitro assistente Emerson Augusto de Carvalho bandeirou Santos x Corinthians e cometeu um erro infantil numa jogada de triplo impedimento. Foi crucificado e, mesmo assumindo a falha, seu lance não foi esquecido. Ele é um dos bandeiras escolhidos para a Copa do Mundo de 2014, seu equívoco foi pontual naquela ocasião e depois dele acertou muitos e muitos lances difíceis em outros jogos.

E não é que na mesma Vila Belmiro, num mesmo Santos x Corinthians na noite de ontem, um lance com OUTROS 3 JOGADORES EM IMPEDIMENTO acontece?

Parece incrível que isso ocorra com o mesmo bandeirinha em jogos de mesmos times em tão curto espaço de tempo. Mas aqui há uma diferença: apesar de tamanha coincidência em quase tudo, nesta quarta-feira o lance foi de dificílima dificuldade; tanto que, tenho certeza disso, estará desde já nos vídeos da FIFA para discussão.

Vamos a ele: aos 12m, Arouca recebe o passe de Geovânio, chuta a bola no canto direito do goleiro Walter e faz o gol após desvio de Ralf, sendo que há em posição de impedimento 3 santistas. Lembre-se: estar em posição e impedimento não é infração. Estavam Ativos ou Passivos ali?

Veja o lance: https://www.youtube.com/watch?v=aI9XwndGcwc

Para saber se o árbitro errou ou não, considere:

1) Você só deve marcar impedimento

a) se interferiu na jogada (recebeu sozinho na frente e fez o gol),

b) se interferiu contra um adversário (estava impedido e atrapalhou alguém mesmo se não toca a bola) e

c) se tirou proveito de uma posição de impedimento (recebeu um rebote do goleiro por exemplo).

2) A situação mais próxima acima é se os 3 jogadores que não tocam a bola atrapalharam Walter. Repare que na hora do chute de Arouca (e é nesse momento que se deve avaliar impedimento ou não dos santistas), havia 13 atletas entre a bola e o goleiro (veja na imagem abaixo), sendo que 8 do Corinthians e 5 do Santos. Quais deles estariam atrapalhando o campo de visão do camisa 1 corinthiano (É nítido que ele tenta ver a bola, mas atrapalhado por quem, por companheiro ou adversário)? Se traçarmos uma linha reta do Arouca até o Walter, vemos que o primeiro obstáculo ao goleiro é o próprio companheiro dele, e o último, um santista.

3) Considere a distância do chute: Arouca estava quase na meia lua, a uma distância de mais de 16,5 m do gol. Será que os 3 santistas (a 5,5m) foram fundamentais para atrapalhar o goleiro? Talvez sim, talvez não.

4) O fator preponderante: a bola desvia num jogador do Corinthians (Ralf) durante a sua trajetória. Que culpa têm os 3 jogadores do Santos se ela bateu num companheiro do goleiro adversário e mudou (levemente mas com importância) seu rumo? Por esse último item, eu considero o gol legal. Mas com a ressalva: o lance é espetacular para os bancos das escolas de árbitros. Não discordo de quem entenda como impedimento ativo, pois, afinal, é questão de interpretação.

5) Um detalhe que me chama a atenção é o seguinte: Emerson Augusto está afiado com as Regras e Últimas Orientações da FIFA, pois recebe todas as instruções para o Mundial e está sempre presente nos cursos. E uma delas fala sobre o fato de bolas desviadas que sobram para jogadores que não tinham intenção de participar do lance e a acabam recebendo em posição de impedimento passivo tornarem-se lances legais. Desde julho de 2013, esse desvio passou a ser fator relevante para descaracterizar um impedimento ativo. Será que o bandeira não levou em conta que Alan Santos (que é o 1o santista a frente de Walter e que talvez pudesse interferir contra o corinthiano, pois os outros dois atletas certamente não atrapalham a visão do goleiro) poderia ser o homem que atrapalhasse a defesa, mas que pelo desvio que mudou levemente a trajetória da bola há uma nova situação? E aqui uma situação decorrente da nova orientação, a de “nem tocar na bola”.

Eu acho que sim! E se assim procedeu, acertou.

Imagine o seguinte: e se a bola chutada ao gol sobrasse ao jogador do Santos mais a direita de Walter, por culpa desse desvio? Cairíamos na nova orientação e ele, pasmem, poderia fazer o gol livremente. E argumentos para isso não faltam: ele está saindo da pequena área, buscando fugir do impedimento, a bola não é para ele e por culpa do desvio recebe a bola. Perfeito pra validação! Mas creio que seria difícil explicar ao corinthiano mais apaixonado…

Para o torcedor comum, tais argumentos são tentativas de justificativas. Não entendam assim, mas como discussões inteligentes da Regra de Jogo e suas nuances. Quem acompanha o mundo da arbitragem sabe da dificuldade de tal lance e dos vários detalhes que norteiam uma decisão do árbitro ou do bandeira em frações de segundo.

Aliás, imagine que aqui debatemos por minutos, e a arbitragem teve que decidir em apenas um ou dois segundos…

E aí, o que você achou? Deixe seu comentário:

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