– O Gol da Tecnologia representa o quê na Evolução da Arbitragem de Futebol?

Na partida entre França 3 x 0 Honduras, o segundo gol foi histórico, mas não pela discussão se o tento foi do atacante franco-argelino Benzema ou contra do goleiro hondurenho Valladares. Foi marcante por ser gol confirmado pelo chip da bola.

Sou a favor da tecnologia no futebol, ajudando a legitimar placares e tirando dúvidas de lances, diminuindo resultados alterados por injustos erros. Mas…

Já repararam que há uma louvação excessiva para essa tecnologia?

Vamos discutir: todo o sistema custa € 250 mil para a instalação, é composto de 7 micro-câmeras estrategicamente colocadas nos postes e travessão. Cruzando as informações com o sensor, envia a mensagem GOAL (gol) ao relógio do árbitro quando a bola atravessa por inteiro a linha da meta. Ela foi arduamente testada em diversas competições, e após sua validação pela FIFA, foi usada oficialmente na Copa das Confederações 2013, Mundial Interclubes 2013 e agora na Copa do Mundo 2014.

Assim, avalie: tamanho gasto e com tal quantidade jogos, somente no jogo de Porto Alegre essa tecnologia foi necessária! Em todos os outros jogos disputados nesse tempo ela não teve relevância alguma.

Para mim, o simbolismo da validação do gol de ontem é apenas um pequeníssimo passo da FIFA. Há muito que ser trabalhado, pois pense: onde estavam as tecnologias disponíveis para corrigir o grave erro de Yiuchi Nishimura na marcação de pênalti na partida Brasil x Croácia, ou para corrigir a anulação por impedimento dos 2 gols mexicanos contra Camarões, ou ainda para dirimir as dúvidas se Diego Costa realmente sofreu ou cavou o tiro penal no jogo Espanha x Holanda?

Será que o custo-benefício para se confirmar o 2o gol francês de uma vitória fácil não é muito alto e menos irrelevante do que o valor a ser gasto no desenvolvimento de tecnologias mais eficazes para correção de erros e auxílio à arbitragem muito mais importantes do que esse?

Está na hora de, a partir do exemplo do histórico 15 de junho, rediscutir a má vontade e preconceito que se tem com as imagens de TV para ajudar o árbitro. E se os treinadores croatas e mexicanos pedissem aos 4o árbitros de suas partidas para reverem as decisões dos juízes de seus jogos? Uma TV à mesa (que custa muito menos que € 250 mil) poderia resolver a situação e trazer menos prejuízo ao resultado do jogo. E os árbitros assistentes adicionais, os AAA que ficam atrás do gol? Não seriam importantes ao Mundial, evitando os “agarra-agarras” na área? Na partida Uruguai x Costa Rica eles seriam importantíssimos, em especial nos lances em que Diego Lugano foi agarrado e/ou agarrou.

Por fim, uma curiosidade: o árbitro não é obrigado a aceitar a decisão do chip. Se Sandro Meira Ricci (o brasileiro que apitou França x Honduras) não quisesse aceitar o sinal do relógio, poderia mandar o jogo seguir, já que a orientação da FIFA é que o “árbitro deve estar convencido da confiabilidade do seu equipamento”.

Aliás, falando de Sandro, ótimo trabalho dele com os assistentes Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gassen. Mostrou toda a sua competência (e contou com a sorte ao participar do momento marcante da estréia da interferência do meio eletrônico). O lance crucial da arbitragem não foi o gol polêmico confirmado com acerto, mas sim a correta marcação do pênalti que abriu o placar. Tranco faltoso (ombro nas costas) do zagueiro hondurenho no atacante francês, e aplicação correta do segundo cartão amarelo (resultando na expulsão).

Sobre isso, Luís Suárez, treinador de Honduras, disse:

Wilson fez uma falta e já tinha amarelo. Não havia o que fazer, o juiz foi correto”.

É bom ouvir declarações de bom perdedor e não lamúrias e choros demagógicos. Pior: ouvir falas forçadas (e duras de engolir até agora) como a de Scolari, justificando que viu 10 vezes o lance de Fred e que marcaria pênalti…

Em tempo: a FIFA não quer que se repita lances duvidosos nos telões dos estádios. Entretanto, até os replays na transmissão pela TV aberta eles estão sendo evitados. Mas que exagero, Mr Blatter!

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