– O Processo de Emburrecimento da Regra

Está cansando falar sobre a Mão na Bola e Bola na Mão. E parece que a CBF se esforça em complicar tais lances e tentar nos convencer de que o mundo está errado e ela está certa.

Pois bem: nesta quarta feira, a entidade divulgou um vídeo da CBF TV com a diretora da Escola de Árbitros Ana Paula de Oliveira ilustrando e explicando as alterações da orientação da Regra 12.

Para mim, uma tremenda “forçação de barra”. Chega a ser constrangedor o processo de “emburrecimento” promovido aos árbitros!

Explico de maneira didática: em qualquer infração, se deve avaliar 3 itens: Imprudência, Intenção ou Força Excessiva, exceto no uso indevido das mãos na bola (e entenda “mão” como mão ou braço), pois tal infração só se deve avaliar a INTENÇÃO.

A International Board alterou o Texto da Regra onde se fala em observar a “intenção” pelo termo “Mão Deliberada” e acrescentou nas diretrizes a necessidade de se avaliar o movimento anti-natural dos braços para se marcar a infração.

Ora, dá na mesma avaliar intenção ou mão deliberada, é apenas uma questão redacional! Deliberada, na língua portuguesa, quer dizer “proposital, de maneira intencional”. Mas para a CBF a palavra deve ter outro sentido ainda não compreendido! É incrível como alguns árbitros estão justificando a marcação de lances com a desculpa de que “não se avalia mais a intenção, e sim a mão deliberada”.

Ora bolas, estamos querendo enganar a quem? Intenção e deliberação são sinônimos. “Acidentalmente” é antônimo, e mão acidental não é pênalti.

O problema é a diretriz da regra: quando se usou o termo “anti-natural”, nada mais era do que observar se os braços tomam uma ação incomum numa bola que se aproxima. Por exemplo, uma bola que é chutada onde o reflexo natural é o jogador tentar tirar o braço: se ela vier muito rápida, provavelmente existirá o risco do braço bater nela pela velocidade do chute. Mas se for possível que o jogador desvie o braço e não o fizer, é essa a ação antinatural; assim como também é saltar com os braços esticados para cima da cabeça ou pular numa dividida com as mãos abertas desejando que a bola bata no braço.

Em suma, a FIFA quer que se tenha uma atenção a intenções disfarçadas e aí nascerá uma subjetividade muito grande.

No vídeo da CBF TV, há a explicação de que se deve marcar o pênalti em lances onde o atleta corre o risco de bater o braço na bola, e tal fala nos leva a lembrar da marcação de faltas por imprudência. Se um jogador vai tentar roubar uma bola, não consegue e acaba fazendo a falta sem ter tido intenção, é lance imprudente e deve ser marcada a falta. Mas nas faltas de mão não se pode usar a interpretação da imprudência! É somente a intenção, ou se preferir, a mão deliberada. O pior de tudo é avaliar e exibir no seu site como correto o lance de Fluminense x Palmeiras no Maracanã, usando-o como exemplo de pênalti a ser marcado. Como um atleta irá dar um carrinho legal na bola com os braços grudados ao corpo? A própria regra nos lembra: a posição dos braços (se estão abertos ou grudados ao corpo) não deve ser determinante para avaliar se foi pênalti ou não.

Isso tudo me parece teimosia em defender uma tese equivocada. Só no Brasil essa confusão está acontecendo! Alguém viu pênalti como esses defendidos pela CBF serem anotados na Copa do Mundo (que é o supra sumo do futebol)? Assistam ao Campeonato Inglês, Italiano, Alemão, Espanhol ou Francês: na última rodada, nenhum pênalti como esse foi marcado. E por aqui, só no Maracanã, em 2 jogos, 2 pênaltis errados (FLU x SEP e FLA x COR).

Ô assunto chato… E o gozado é que Sérgio Correa elogia a arbitragem do Brasileirão e no mesmo instante José Maria Marin chuta o balde criticando os erros dos árbitros na coletiva da convocação da Seleção.
Quem está com a razão?

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Um comentário sobre “– O Processo de Emburrecimento da Regra

  1. Excelente matéria e uma critica muito bem fundamentada. A CBF quando coloca o termo anti- natural fere “DESCARADAMENTE” O ESPÍRITO DA REGRA.

    O vídeo para explicar como eles querem impor a opinião publica chega a ser medonho, principalmente o do jogo do Vitória no Barradão.

    Esquecem que a distância entre a bola e o adversário é determinante para a interpretação do árbitro.

    Sem falar que o termo “anti-natural” não é citado na regra e nem deveria.

    Um abraço,

    Deive.

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