– Sobre a Mão na Bola por quem Orienta: entrevista com Sérgio Correa antes da Reunião Técnica

Nesta 5a feira a tarde ocorrerá a tão aguardada reunião entre árbitros e capitães das equipes do Brasileirão da série A para se falar sobre a questão polêmica da interpretação de infrações de mão na bola no Brasil.

Gostaria de participar dela, e apesar do convite feito a mim pela CA-CBF na última 3a feira, compromissos outrora assumidos me impedem de estar no Rio de Janeiro nesta tarde.

Entretanto, em troca de e-mails com o Presidente da Comissão de Árbitros, Sérgio Correa da Silva, discutimos as situações e pendengas que estão ocorrendo na questão da orientação da FIFA quanto a esse item. E, elegantemente e “sem fugir da raia”, respondeu a 4 questões, debatendo sobre seu entendimento e anexando links e emails sobre o caso, incluindo os originais enviados pela FIFA, a quais compartilho. São elas, basicamente:

1- A Orientação e o Texto da Polêmica Diretriz

2- Mão por Intenção virou “Mão por Imprudência” ao assumir o Risco?

3- Prática da Orientação no Brasil e na Europa não estão uniformes?

4- O imbrólhio da resposta de Bussaca (chefe dos árbitros da FIFA) sobre o “absurdo das mãos na bola no Brasil”.

Abaixo, a nossa conversa. Fica o esclarecimento com a Palavra Oficial da CBF, baseada no texto da International Board com a orientação da FIFA, para que se possa discernir tudo o que está acontecendo (e, particularmente, continuo entendendo – NADA MUDOU…):

Segue:

Rafael Porcari (RP) – Obrigado por aceitar responder essas questões visando esclarecer as dúvidas.

Sérgio Correa da Silva (SCS) – Como bem sabe o IFAB redige os textos e a FIFA expede orientações. Ressalto que as respostas não são fruto de entendimento pessoal, ou seja, segundo eu, a Comissão ou Escola Nacional e seus instrutores pensamos, mas o que a FIFA pensa e determina.

RP Pergunta 1– A recomendação de que o árbitro deve verificar “Si la mano está pegada o no al cuerpo“, a mim parece, nada mais é do que ser um simples lembrete de avaliação para que os árbitros observem uma atitude possivelmente premeditada do jogador, sendo uma condicional para a marcação ou não de infração em braços que estejam abertos, MAS NÃO DETERMINANTE. Se os braços estão soltos, o sinal de alerta do árbitro deva ser apenas “ligado”.

SCS – Resposta 1 – A primeira parte de suas indagações e ponderações estão absolutamente dentro da filosofia da FIFA. A segunda, todavia, ou seja, a relativa aos carrinhos, em que pese a correta lógica do seu raciocínio, não se ajusta tão perfeitamente. De fato, pois a FIFA entende que ao dar um carrinho para bloquear a bola, o jogador que o faz com braços abertos, embora tal posição seja natural, assume o risco do toque da bola em sua mão, que, se não for marcado, lhe ocasionará um benefício, um ganho, em consequente prejuízo da equipe adversária.

RPPergunta 2 – Você crê que, em lances onde exista a demonstração clara de reflexo/susto do atleta (e o grande exemplo foi Antonio Carlos no jogo Corinthians x São Paulo e a bola na mão), é evidente que ocorra a involuntariedade e não se pode avaliar o risco?  Disso surge uma lógica: “correr risco de praticar uma infração” pressupõe numa possível falta por imprudência (não quís cometer a infração mas cometeu). Tudo isso não leva a uma grande confusão, já que a mão deliberada na bola é exclusivamente uma infração por intenção?

SCS – Resposta 2 – Mais uma vez seu raciocínio é agudo. Todavia, sem analisar lances e, muito menos, acerto ou erro de decisões, mas baseando-me apenas nas diretrizes da FIFA, entendo que tudo quanto você disse está correto e que, neste particular, a FIFA assim pensa. Todavia, com um alerta: O árbitro deve analisar a possibilidade de o jogador poder evitar o contato da bola com sua mão; o espaço ocupado pela mão, ainda que em movimento de reflexo, e o ganho que tal ação pode dar a sua equipe.

RPPergunta 3 – Como ex-árbitro e por ser admirador de futebol/ arbitragem, vejo que nas principais ligas européias  não ocorreram lances como esses no Brasil. Cito como exemplo uma partida do Barcelona pela Copa da Espanha (semana passada), onde 4 lances duvidosos ocorreram e foram parecidos com lances de pênaltis aqui marcados com essa orientação. Seria ousadia dizer que nós entendemos melhor a orientação da FIFA e os europeus não, ou nossos colegas do Velho Continente tem o facilitador de um comportamento melhor dos atletas e daí o não surgimento de tais lances?

SCS – Resposta 3  – Porcari, é obvio que a diretriz é comum pata todo o mundo. As circunstâncias fáticas e as peculiaridades de cada lance – ainda que muito semelhantes – podem conduzir a decisões aparentemente conflitantes. Isso, todavia, não implica, necessariamente, que houve entendimento da filosofia em uma parte e não eu outra do mundo. Nesse particular, entram os elementos pessoais dos árbitros, uns são mais argutos e sensíveis do que outros. Quanto às reações dos jogadores, ao nível de controvérsia etc., é lógico que todas elas estão diretamente relacionadas com aspectos culturais, profissionais e, até, de foco: o futebol ou a arbitragem? (Mais abaixo envio links para sua análise do que tem ocorrido na Europa.)

RP – Pergunta 4 – Você me disse que o Bussaca respondeu a uma pergunta de maneira genérica e, até certo ponto, com viés (sobre a marcação de pênaltis em lances nos quais a bola bata na mão), sem citar lances específicos. Ela repercutiu muito com a resposta de que isso era um “absurdo”, mas dita sem avaliar as jogadas criticadas. Questionado por você próprio, Bussaca justificou via email que “não tinha entrado em situações específicas de jogo”. Não seria uma boa solução que Mássimo Bussaca viesse ao Brasil, e até como respaldo à CA-CBF, esclarecesse a orientação para que a pressão sobre os árbitros diminuísse?

SCS – Resposta 4 – Na reunião técnica que ocorrerá amanhã [hoje, 02/10] (espero que os que gostam do assunto possam estar presentes), informo que Busacca solicitou e a FIFA será representada pelo mesmo instrutor e membro de sua comissão que esteve em nossos últimos cursos no Brasil – 25/08 a 02/09 (72 árbitros e 8 instrutores), o ex-árbitro Jorge Larrionda. (Oito partidas nas 3 Copas que participou).

No Brasil

http://globotv.globo.com/sportv/copa-2014/v/apos-polemica-presidente-da-comissao-de-arbitragem-reafirma-que-segue-orientacoes-da-fifa/3656390/

http://www.cbf.com.br/cbf-tv/programa/regras-de-futebol-mao-na-bola?page=1#.VCbuWPl5N1Y 

http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2014/09/ainda-existe-bola-na-mao-que-nao-e-faltosa-diz-diretor-de-arbitragem.html

Na Itália

http://espn.uol.com.br/noticia/442408_juventus-vence-com-penalti-a-brasileira-roma-sofre-e-inter-triunfa-com-golaco-de-hernanes

Campeonato Espanhol

http://espn.uol.com.br/video/441371_espanhol-melhores-momentos-de-deportivo-la-coru-a-2-x-8-real-madrid

Inglaterrra

http://espn.uol.com.br/video/443242_salvio-spinola-analisa-lances-polemicos-de-bola-na-mao-no-campeonato-ingles

UEFA

http://espn.uol.com.br/temporeal/30-09-2014-os-gols-desta-terca-pela-uefa-champions-league

Trecho do e-mail recebido da FIFA

Untitled1 

Además de las consideraciones que hay en la regla se pidió tener en cuenta:

  • si la mano está pegada o no al cuerpo
  • si la mano está en una posición natural o no
  • y si el balón golpea la mano cuando el jugador toma un riesgo al disputar el balón, por ejemplo tirándose al suelo.

Esto se ilustró con unos videos.

Anúncios

Um comentário sobre “– Sobre a Mão na Bola por quem Orienta: entrevista com Sérgio Correa antes da Reunião Técnica

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s