– Análise da Arbitragem de Independente 1 x 0 Paulista

E o Galo Jundiaiense começou a série A2 com derrota. Mas algumas peculiaridades devem ser discutidas – em especial, sobre a arbitragem.

Me chamou muito a atenção a atuação do árbitro Paulo Sérgio dos Santos. Jovem, com alguma experiência na A2 e tentando chegar à série A1, o árbitro tinha uma boa oportunidade de mostrar serviço na Rua Javari (sim, o jogo foi remanejado da cidade de Limeira para o bairro da Moóca).

Já havíamos previsto um jogo faltoso devido as dimensões do gramado. É muito complicado apitar lá devido ao excesso de contato físico, e com a garoa que surgiu durante os 90 minutos… Mas, para quem quer se destacar, todo jogo é decisão e o juizão deve entrar com a faca entre os dentes.

Em 5 minutos de jogo, ocorreram 5 faltas. Só que 3 delas “por excesso de precaução”, pois foram disputas de bola mais fortes; entretanto, não faltosas. Aí o árbitro tentou soltar um pouco mais o jogo, e aí quase perde “a mão da partida”, pois faltas viris aconteceram (em especial praticadas pelo Independente que possui jogadores mais fortes e duros na marcação). Nessa mudança de estilo, a disputa ficou feia e a partida caiu muito em qualidade. Por volta dos 30 minutos o árbitro conseguiu a dosagem certa em marcar faltas reais e não marcar faltas por lances de disputa forte da posse de bola. Aí ele engrenou.

A atuação do árbitro, em que pese a dificuldade do primeiro tempo, foi razoável. No começo do segundo tempo os jogadores “ajudaram” o juiz e o jogo fluiu melhor, sendo que o árbitro chegou até a aplicar algumas vantagens em lances de faltas não marcadas. E aí que ele se complicou de novo: os jogadores do Independente passaram a abusar das faltas técnicas, aquelas que minam a partida e param o adversário. Porém, a culpa aqui é do árbitro e dos próprios jogadores do Paulista. Explico:

1) Do árbitro, em não saber coibir o claro anti-jogo, além da cera do goleiro Marcelo Bonam, que demorava uma eternidade para as cobranças de tiro de meta;

2) Dos jogadores do Paulista, em não “se imporem”. Entenda: Mamadeira levou 8 faltas na partida, sendo que Tiago Índio fez mais da metade delas. Não vi, em momento algum, jogadores do Tricolor da Terra da Uva usando de malícia (a boa malícia) e encararem seus oponentes. Se o árbitro não está coibindo a contento, onde está a figura do capitão ou de algum jogador mais experiente em questionar o árbitro ou intimidar o infrator? No futebol, se um time demonstra que “deixa bater”, apanha o jogo inteiro!

Os números mostraram isso: foram 29 faltas praticadas pelo Independente (resultando em 4 amarelos ) e 9 do Paulista (2 Amarelos). Repito: 29×9, fora as não marcadas e que viraram vantagens.

Me recordo que em todas as partidas da série A1 em 2014, as estatísticas das nossas análises de arbitragens mostraram que o Paulista (como mandante ou visitante) sempre foi menos faltoso que o adversário.

Claro, não estou defendendo o jogo faltoso, mas é impossível não observar: um time que sofre sempre mais faltas não seria um time apático demais?

Por fim, preciso fazer o destaque: o Paulista tem duas grandes virtudes (na visão de quem apita futebol) que mostram que o treinador Roberval Davino tem noção de detalhes de Regra e treinou algumas jogadas com base neles:

1) Sempre há A COBRANÇA RÁPIDA DE FALTAS! Sabendo que não há necessidade de esperar o apito do árbitro (a não ser que o time que sofra a falta exija a distância de 9,15 ou que o árbitro queira a entrada de um médico por culpa um jogador lesionado), o Paulista em todos os lances agilizou o jogo e em vários momentos pegou o Independente despreparado. Porém, essas cobranças rápidas não resultaram em gol devido a má qualidade nas finalizações. Em determinado momento do segundo tempo, numa dessas faltas, houve uma triangulação muito boa: Mamadeira tocou a bola “redondamente” para Emerson, que a devolveu… quadrada! A observação é que, na ansiedade de cobrá-las rapidamente, por 3 oportunidades o time as fez com a bola rolando e o árbitro mandou corretamente voltar a cobrança.

2) Em duas cobranças de faltas próximas à Grande Área, uma jogada ensaiada interessantíssima e que merece todos os aplausos: 3 jogadores atacantes do Paulista ficam na pequena área, completamente impedidos. Quando o cobrador vai chutar a bola (e antes do toque, pois é partir dele que se avalia o impedimento), ESSES 3 ATACANTES CORREM PARA A LINHA DOS ZAGUEIROS E OUTROS 3 JOGADORES DO PAULISTA QUE ESTAVAM NO “BOLOLÔ” SE ADIANTAM! Espetacular, pois o adversário não sabe se marca o jogador que outrora estava em impedimento e não está mais, ou se marca aqueles que de trás se adiantaram para o domínio de bola! Mas faço um lembrete: deve-se treinar muito o sincronismo dessa corrida, pois corre-se o risco da bola ser tocada antes da volta de quem estava impedido e aí, caso dominem a bola, estarão realmente impedidos. Se o toque na bola for no momento exato da volta, todos estarão em posição legal. Me parece, ainda, que o intuito é confundir a zaga e fazer com que quem venha de trás, teoricamente, de frente para o gol e com condições de dominar melhor a bola, possa ter a posse de bola mais rápida do que quem está voltando e está de costas para o gol. O risco dessa jogada é: se o bandeira entender que tal lance configurou o impedimento “por interferir contra um adversário”, ou seja, mesmo que a bola não vá para ele, confundiu os zagueiros se não voltar a tempo e acaba participando indiretamente do lance.

Bem trabalhada, essa jogada pode ser fatal!

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