– Pitacos sobre a Arbitragem dos Grandes Paulistas

Boas, ruins, sortudas e azaradas atuações dos árbitros em jogos envolvendo os times grandes. Vamos falar da atuação deles e dos lances curiosos?

PENAPOLENSE 0 X 2 PALMEIRAS:

Nessa partida, grande destaque para o árbitro Leandro Bizzio Marinho, que foi atento e corajoso ao anular o gol de Cristaldo, aos 14 minutos do 1o tempo.

O atacante argentino dribla um zagueiro, tenta o gol mas o goleiro de Penápolis espalma. No rebote, Dudu chuta para o gol. Cristaldo está em posição de impedimento! Repare que há entre ele o gol apenas um adversário (o zagueiro) e o goleiro está a frente da linha do atacante – para não ser impedimento, devem existir dois jogadores entre ele e a linha de meta. O bandeira não percebe que Cristaldo toca de cabeça e confirma o gol. Bizzio imediatamente pára tudo, chama a responsabilidade para si e acerta. Parabéns!

ITUANO 1 X 1 CORINTHIANS:

Na semana passada, Sheik fez falta em Bruno, dominou a bola e cruzou para Jadson fazer o gol contra o São Paulo. Benefício ao Corinthians.

Neste domingo, Naylor vai roubar a bola de Petros, divide com empurrão e ainda acerta o corinthiano por baixo. O jogador do Ituano consegue tocar para Clayson, que livre toca para Jheimy fazer o gol do Ituano aos 22 minutos do 2o tempo. Prejuízo ao Corinthians…

Márcio Henrique de Góis entendeu como trombada tal lance. Se equivocou. Talvez por adotar um estilo cauteloso e marcar muitas faltas na partida (evitou ao máximo dar vantagem ou entender supostas faltas leves como disputas viris), errou ao mudar o critério e deixar o jogo correr justo nesse lance.

SÃO PAULO 4 X 0 AUDAX:

Boa arbitragem de Tiago Scarascati. Parece que, após 11 anos de trabalho da CEAF presidida pelo Cel Marcos Marinho com a assessoria de Arthur Alves Jr, um árbitro de ponta está sendo revelado. Sem queimar etapas (como estão erroneamente tentando fazer ao razoável árbitro Douglas Marques da Flores, que precocemente e sem experiência chegou a A1), a carreira desse árbitro está ocorrendo com ascensão paulatina e nos jogos adequados. Tem potencial!

PORTUGUESA 1 X 3 SANTOS:

Aos 32 minutos do 1o tempo, um lance difícil (e até de certo ponto, de azar) do árbitro Marcelo Aparecido Ribeiro de Souza, que fez uma ótima arbitragem na convincente vitória do Santos sobre a Portuguesa, mas que errou na marcação do pênalti a favor do Santos.

Robinho domina a bola, avança pela linha de fundo, dribla o zagueiro Alex Lima que vai nas suas pernas para cometer a infração. Mas com um detalhe curioso: a bola estava em cima da linha (portanto, o jogo está valendo, já que a bola só sai quando ultrapassa totalmente a linha demarcatória) e o santista está fora de campo!

O que deveria ser marcado: Pênalti, tiro indireto ou outra coisa?

Lance raro e entra o detalhe da regra. Mas adianto a resposta: se marca “outra coisa”.

Vamos lá: a 1a Diretriz da Regra 12 (Infrações e Incorreções) diz que para uma falta existir (e se for dentro da área, pênalti), devem existir 3 condições:

1) deve ser cometida por um jogador;

2) deve ocorrer no campo de jogo;

3) deve ocorrer com a bola em jogo.

Repare que Alex Lima está com o corpo parcialmente dentro de campo, mas o ato de atingir Robinho (o toque “infracional” em si) ocorre fora de campo. Portanto, não atendeu ao item 2 acima.

Se marca, nesse caso, pasmem: BOLA AO CHÃO, no local onde a bola se encontrava no momento do apito do árbitro!

Entenda a regra:

A) Sair de campo deliberadamente (por burla ou indisciplina, por exemplo) é infração punível com cartão amarelo. Robinho está fora de campo por força da jogada (neste caso, um drible). Portanto, pode retornar normalmente ao gramado. Alex Lima tenta atingir a bola para colocá-la a escanteio e não consegue. Também por força da jogada, seus pés saem de campo e atingem Robinho, que também está fora de campo naquele instante. Assim, não existe pênalti. O árbitro deve punir o jogador que atinge as pernas com cartão amarelo (se entender que foi uma ação temerária) e reiniciar o jogo com bola ao chão onde a bola se encontrava em campo.

B) Se a bola estivesse saído, o jogo deveria ser reiniciado com tiro de meta para a Portuguesa, pois o toque foi fora de campo em um momento em que a bola já houvera ultrapassado a linha de fundo.

C) Se Alex Lima estivesse de pé, equilibrado, e saísse propositalmente para atingir Robinho fora de campo (não foi o caso, pois o carrinho começa dentro de campo e se consome fora por força da jogada), o árbitro deveria marcar tiro livre indireto dentro da área (falta de 2 lances) a favor do Santos onde a bola se encontrava no momento da sua saída. Repare que a situação A é diferente da C. Na A, ambos saem do campo “sem querer” pela velocidade do lance, ou seja, durante uma jogada corriqueira. Na C, há a premeditação em sair do campo.

D) E se Robinho estivesse com “o bico da chuteira” em cima da linha e esse pé fosse o atingido? Seria pênalti, pois um pedaço do pé que seja sobre uma borda da linha significa que está em campo.

E) Porém, nas mesmas condições da situação D, mas sendo o pé atingido outro, fora de campo, seria a mesma situação de A, pois estaria sendo “infracionada” uma parte do corpo fora do campo (bola ao chão).

Lembremo-nos: toda e qualquer infração se consome onde se atinge.

Exemplo:

i) se um zagueiro que está fora da área dá uma cusparada que atinge o rosto de um atacante que está dentro da área, é pênalti, pois o ato infracional é no rosto.

ii) se o zagueiro está dentro da área e a cusparada atinge o atacante fora da área, é falta.

iii) se o zagueiro (independente de onde ele estiver dentro do campo) cospe no atacante que está fora do campo, é tiro livre indireto ao time adversário pois ele premeditou a cusparada para que ela atingisse alguém fora de campo.

iiii) se o zagueiro, estando em corrida em qualquer disputa de bola, sai de campo e atinge o adversário também fora de campo (e com a bola em jogo), é somente bola ao chão. E, claro, cartão vermelho ao agressor.

Estudar a Regra do Jogo é maravilhoso, não? Tenho certeza que Marcelo Ribeiro, no calor das 16h30, suado e ligado no jogo, foi iludido que Robinho estava sobre a linha. É o chamado “erro permitido”. Reforço que ele foi muito bem no jogo e que tal equívoco não teve influência na partida.

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