– Quase dois anos de Mudanças nas Orientações na Regra de Futebol…

1- Vanderley Luxemburgo discutiu com o gandula no Morumbi, no jogo entre São Paulo x Flamengo, pois a bola não foi dada na mão do seu jogador (ela foi rolada pelo chão).

2- Rafael Silva comemorou um gol no Maracanã subindo as escadarias que levavam à arquibancada e não foi punido.

3- As dúvidas entre bola na mão e mão na bola continuam agitando os programas esportivos, graças ao tal do “movimento anti-natural” que apareceu numa recomendação e aqui se entendeu tudo errado!

4- Na final do Mineirão, Jô recebe em impedimento uma boa desviada e a polêmica nasce. Tirou ou não a condição ilegal? E tantas outras discussões ocorreram nos últimos dias…

Tudo isso por um único problema: a COMUNICAÇÃO da FIFA!

Entenda: em 01 de julho de 2013, um “pacotão” de alterações foi promovido no futebol, mas pouco foi debatido sobre elas. Jogadores, treinadores, jornalistas e até árbitros demoraram um pouco para assimilação (alguns, até hoje não assimilaram).

São 9 destaques que resumo abaixo:

1- Está proibido que atletas zombem da torcida adversária em comemorações de gol; bem como nos estádios em que não há alambrados separando a torcida e do campo (onde existem as escadas de segurança) ocorram comemorações exaltadas (como a proibição, por exemplo, de um jogador que sai do campo de jogo e vai comemorar na torcida). Para essas situações: cartão amarelo

2- Há tempos a FIFA autorizou a permanência de até 12 reservas no banco de suplentes, mas somente em 2014 o Brasil adotou a medida. Nos estádios da 1a divisão do Brasileirão, há as adaptações pertinentes pois os espaços eram diminutosMas e no interior do Brasil? Convocar 23 atletas para uma partida muitas vezes não tem sido tarefa fácil. No Paulistão, continuou-se com 18.

3- Numa circular da FPF de 22/07/13, uma curiosidade: a Comissão de Árbitros sugere cuidados com os acréscimos, pois “5 ou 10 segundos em excesso podem modificar o jogoOra, quando se aponta 3 minutos de acréscimos, significa que não se pode acabar a partida antes desse tempo, e que o jogo vai ter NO MÍNIMO 3. Acabar o jogo entre 3’00 e 3’59” é o correto. Se precisar de mais 10 segundos, avise ao quarto-árbitro que terá mais um minuto de acréscimo, para que seja possível acabar o jogo entre 4’00 e 4’59”.

4- No mesmo documento citado no item acima, está avisado que os árbitros estão PROIBIDOS de pedir a bola para encerrar o jogo. Deve-se apitar o final a partida, simplesmente. Para mim, pura bobagem tal orientação.

5- Qualquer faixa ofensiva (racista, homofóbica, religiosa, xenófoba, política, que faça apologia à violência ou que cause constrangimento) deve ser retirada pelo policiamento. Se não for possível, a partida deverá ser interrompida. Fica a pergunta: e se existir uma faixa escrita: “Fora Marco Polo”, e o torcedor insistir com ela, não terá jogo?

6- Antes dos jogos, os árbitros deverão se reunir com os gandulas, que agora têm um procedimento padrão: devem rolar a bola somente pelo solo aos atletas. Os gandulas estão proibidos de jogar a bola pelo alto ou de colocar ela no local do reinício do jogo.

7- Uma das mais importantes modificações: está proibido rádio ou telefone celular em campo. Acabou a comunicação eletrônica entre treinador fora de campo e assistente técnico no banco de reservas. Se um treinador for expulso, não poderá se comunicar com aparelho junto com seu auxiliar (e em qualquer situação, treinador expulso ou que dê preferência por assistir ao jogo na arquibancada, não poderá se comunicar por qualquer modalidade: seja por telefone, por email, por bilhete ou gritando com seus atletas); mas… e se for na Rua Javari ou na Comendador Souza, onde os bancos de reservas ficam ao lado dos alambrados? Fernando Diniz, pelo Audax, dirigiu sua equipe aos berros na arquibancada em 2013, após ser expulso nesse ano num jogo pelo Paulistão da A2. Recentemente, um assistente técnico do Palmeiras foi expulso pelo árbitro Ricardo Marques Ribeiro na partida contra o Atlético Paranaense em Curitiba, pela Copa do Brasil, por fazer uso do rádio. Sem contar que Osvaldo de Oliveira, expulso no Paulistão, deu orientações aos seus jogadores que se aproximavam dele na arquibancada, contra o Santos.

8- A mudança da interpretação de mão na bola: lances de atletas que pulem com os braços extremamente abertos propositalmente e que a bola bata neles não devem ser considerados involuntários. A idéia, segundo uma corrente, é de: quem “se faz por descuidado” tende a querer interferir na jogada. Sendo assim, não seria um acidente de trabalho ou casualidade, mas sim uma intenção faltosa disfarçada. Portanto, deve-se avaliar o movimento anti-natural dos braços que vise ludibriar o árbitro. NÃO CONFUNDA COM IMPRUDÊNCIA (mão na bola continua valendo somente a intenção). Aqui, não mudou a Regra, mas sim acrescentou-se o alerta para que o árbitro fique atento ao jogador malicioso, que deixa o braço bater na bola ao invés de tirá-lo ou ainda que, por exemplo, numa barreira pule com eles erguidos tentando bloquear a bola (lembrando que bola que bate na mão que protege o rosto ou partes íntimas, incluindo-se os seios no futebol feminino, NÃO É INFRAÇÃO). Infelizmente, no Brasil a orientação foi confusa e creditada a um suposto erro de entendimento do instrutor Jorge Larrionda, que houvera dito que a maioria dos lances de mãos seria pênalti. No final de 2014, em um simpósio da CBF, tentou-se minimizar tais situações. Os erros diminuíram, mas não acabaram.

9- O novo entendimento de “impedimento ou não” em lances desviados em adversários: Se um atacante chutasse para o gol e a bola desviasse num adversário, mas sobrasse para seu companheiro que estivesse do outro lado do campo, ele estava impedido por tirar vantagem de uma posição. Agora, bola desviada que sobre para um atleta que não participava originalmente da jogada, mesmo ele estando mais próximo da linha de fundo do que dois adversários e a bola (a definição clássica de impedimento), é lance legal. Mas atenção: aqui, a bola foi desviada e caiu para alguém que não participava do lance, sendo diferente da situação na qual um jogador esteja sozinho e receba uma bola de rebote de goleiro, ou ainda quando lhe é lançada uma bola e ela bate no zagueiro (pois, afinal, a bola era para ele e ele a recebeu mesmo após bater no adversário). Para ambas situações continua sendo impedimento. Continua valendo a máxima: desvio não tira impedimento (com exceção ao lance modificado).

E aí, há quase dois meses com tais modificações, você já sentiu muitas diferenças? Tem visto dificuldade em interpretá-las?

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