– Brasil 0 x 1 Colômbia. Como foi o árbitro?

Razoável partida do chileno Enrique Ósses. Um dos melhores árbitros da América do Sul há algum tempo, poderia ter controlado melhor o nervoso e difícil jogo.

No começo da partida, Téo Gutiérrez vai disputar uma bola com Daniel Alves, que a toca rapidamente e tenta tabelar com seu companheiro. O colombiano continua em corrida e sem bola dá um forte pontapé no brasileiro. Ali, era Cartão Vermelho e é o típico lance considerado “be-a-bá” de uma expulsão clássica: Téo não estava mais em disputa de bola, usou de força excessiva e mirou claramente a perna do adversário. Infelizmente, o árbitro só deu o Cartão Amarelo (e confundindo o causador da infração, já que deu para Armero e depois corrigiu o erro).

Já a marcação da falta cometida por Fred que resultou no gol colombiano, questionada na hora pelo jogador, foi correta. Falta comum de jogo, e sejamos justos: desnecessária! Foi na lateral do campo, com 2 companheiros na jogada… ato infantil, de quem gosta de parar o lance quando se vê impotente em disputá-lo.

Na partida em que se viu um Neymar muito diferente do costumeiro (errando muitos passes no 1o tempo e não conseguindo por algumas oportunidades driblar Murillo e Sanchez, que lhe roubavam a bola limpamente), a marcação forte, viril mas leal foi determinante, não justificando o nervosismo constante do atacante brasileiro. Porém, ao final do 1o tempo, Neymar levou um polêmico Cartão Amarelo: após um ataque da Seleção Brasileira, a bola é reboteada e bate em sua mão. Bate ou foi rebatida?

Aqui é pura interpretação do lance: se ela bateu ocasionalmente na mão de Neymar, não é falta e segue o jogo; se Neymar intencionalmente a tocou e tenta o gol fazendo uso dela, é Cartão Amarelo e tiro livre direto para a Colômbia. A única possibilidade que não pode é a que foi equivocadamente explicada pelo comentarista da Rede Globo, Arnaldo César Coelho, que talvez pelo calor da partida não se atentou ao erro que cometeu. Disse ele:

Nem todo lance de mão é para Cartão Amarelo. Nesse lance, se o árbitro entendeu que Neymar usou a mão, errou ao dar o Amarelo, foi muito rigoroso. Se dá Amarelo para quem tenta ludibriar o árbitro buscando um gol.

Ora, se Neymar usou a mão intencionalmente, é lógico e evidente que era para tentar enganar o árbitro!

Particularmente, vendo e revendo o rápido lance, achei que realmente Neymar tentou o domínio; portanto, correto cartão. Mas não culpo aqueles que entenderam que o rebote foi muito rápido e o brasileiro não teria tempo de tirar o braço. Repito: lance difícil, mas se a interpretação foi de mão na bola, naquela situação o Amarelo foi justo.

Durante o segundo tempo, confesso não ter visto nada questionável da arbitragem, afinal, a Colômbia, no 11×11, foi muito melhor. Digo “11×11” pois fica a observação: e se Téo Gutiérrez tivesse sido expulso?

No final do jogo, correção total do árbitro: um incontrolável Neymar, que chutou a bola contra Armero e depois se desentendeu com Bacca, arranjando confusão após o apito final. Vermelho para Neymar e Bacca bem aplicados.

– Cinco considerações finais importantíssimas:

1) Me impressionou a quantidade de colombianos no estádio. Ora, a potência econômica do Cone Sul não é o Brasil?

2) Assim como está faltando futebol, falta carisma à Seleção Brasileira. Como o outrora amado Escrete Canarinho está transmitindo antipatia! Exatamente o inverso das meninas capitaneadas por Marta e treinadas por Vadão, na Copa do Mundo Feminina do Canadá, que ocorre simultaneamente à Copa América.

3) Neymar recebeu em dois jogos, dois cartões amarelos. Terá que cumprir 1 jogo de suspensão automática (nesta competição, o acúmulo de apenas 2 “tarjetas amarillas” suspende o jogador). Como ele tomou o Vermelho direto, que dá a obrigatoriedade de 1 suspensão (é Regra), cumprirá 2 jogos ausentes. O problema é: o cartão que recebeu do jogo contra o Peru! Fuçando algumas anotações antigas de reuniões na Federação Paulista de Futebol, achei algumas anotações do “caso Arce”. Antigamente, quando a novidade surgiu, o árbitro fazia um círculo de espuma e a bola era colocada dentro dela. O paraguaio Arce, batedor exímio de faltas e que jogava no Palmeiras, se queixava muito que não gostava da espuma ao redor da bola. E de tanto chiar (com coro de Marcelinho Carioca), alegando que atrapalhava (não sei se atrapalhava mesmo, afinal, nunca cobrei faltas…), houve uma determinação da Comissão de Árbitros que se fizesse apenas uma marca referencial – um traço no chão, bem rente ao gramado, sem excesso, apenas para determinar que a falta seria cobrada ali, não impedindo o jogador de ajeitar a bola (desde que ela não passasse à frente da marcação nem fosse deslocada para os lados excessivamente – ou seja – o ajuste normal). Mas o que vimos do árbitro mexicano… as marcações eram grosseiras com excesso de espuma. Insisto: Neymar, naquela ocasião, foi injustamente advertido. Alguns dirão que ele havia merecido em outras oportunidades. Ok, mas naquela, “neca de pitibiriba”!

4) Ridículo o subterfúgio de Daniel Alves, dizendo que: “Os árbitros são os culpados, sabem que o Neymar tem personalidade e vão sempre em busca dele”. Ora, nunca vi craques como Romário e Messi serem expulsos ou tomarem Amarelos injustamente. O problema não é de perseguição, é de comportamento do jogador quando sente adversidade. E evitar “criar má fama” também é importante, pois ocasionalmente sofrerá com maus árbitros que deixarão de apitar faltas, mesmo que elas ocorram, apenas pela dúvida.

5) Será que o imbróglio fiscal (e policial) que envolve sua nebulosa transação do Santos para o Barcelona o está desestabilizando? Não duvido…

E você, o que achou da partida? Deixe seu comentário:
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