– Quem é o culpado pela crise do Futebol Brasileiro?

Se existisse (e deveria existir) uma disciplina chamada “Futebolologia” – a ciência do estudo do futebol – de maneira acadêmica, como os Futebolologistas experientes, com todo o seu know-how, explicariam o atual momento em que o esporte bretão passa em terras tupiniquins?

Certamente, envolveriam todos os atores do futebol: treinadores, jogadores, dirigentes e arbitragem. A começar:

1) TREINADORES: se olharmos nas fichas técnicas, há 21 anos giramos com os mesmos nomes à frente das Seleções Brasileiras em mundiais. Vide:

1994 – Parreira, com Zagalo coordenador.

1998 – Zagalo.

2002 – Felipão.

2006 – Parreira, com Zagalo coordenador.

2010 – Dunga.

2014 – Felipão, com Parreira coordenador.

2018 – Dunga?

Parreira foi o pragmático treinador que um dia ousou dizer que o gol era só um detalhe. Recentemente disse que “a CBF era o Brasil que dava certo”. Mas é inegável que nos 90, como estudioso que sempre foi, conseguiu quebrar o jejum de 24 anos de títulos. Com a ajuda de Romário, é claro, em seu melhor momento na carreira.

Zagalo foi um herói, que em 70 conseguiu juntar uma constelação de jogadores e montar a melhor Seleção da história. Mas depois disso, já bem idoso, tornou-se um motivador. Apenas isso. Pelo passado glorioso e de dedicação ao futebol brasileiro, deveria ter uma estátua e ser chamado de ídolo! Lógico, precisava ter sido poupado dos cargos aos quais foi convidado em um passado recente.

Felipão viveu seu auge em 2002, vencendo 7 jogos com Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho e Rivaldo “comendo a bola”! Mas em 2014, após sua passagem pelo Uzbequistão e pelo rebaixamento do Palmeiras, mostrou que sua volta ao selecionado foi um equívoco.

Dunga fez um bom trabalho em 2010, mas 5 anos depois, o que ele fez como treinador? Ganhou o quê no pós-Copa da África?

2) JOGADORES: onde estão os atletas que deveriam bater no peito e chamar a responsabilidade?

Em 98, tínhamos muitos atacantes: Romário, Bebeto, Ronaldo, Amoroso, Evair, Elber, Edmundo, Jardel… em 2014, fomos à Copa com Fred e Jô! E hoje?

A safra é fraca ou algo está errado? As categorias de base revelam talentos ou treinam roboticamente jogadores empresariados? O processo de aceite dos jovens se dá pelos méritos futebolísticos ou por indicações e percentuais de direitos econômicos? Treinamos “a lá Europa” ou achamos que “europizamos” os esquemas táticos locais simplesmente por impedir o individualismo e a capacidade de improviso, marcas que identificam um atleta brasileiro em qualquer lugar do mundo e que eram nossas positivas diferenças no futebol?

Se encontrarmos Douglas Costa ou Fred do Shaktar na rua, não os reconheceríamos. Também pecamos no carisma de atletas não identificados com o próprio país? Criamos a Neymardependência ao privilegiarmos apenas um atleta como referência e jogarmos sobre ele toda a responsabilidade, com apenas 23 anos?

3) DIRIGENTES: se tentarmos elencarmos 5 nomes considerados “bons cartolas”, perderemos horas… Há quantos anos vimos Teixeiras, Farahs, Marins e Del Neros mandando e desmandando no futebol brasileiro, criando amizades em diversos setores da sociedade, em especial na Política e na Polícia. Mais: sendo apoiados com unanimidade com todos os demais presidentes de times e de federações, em um beija-mão sem fim! A não renovação e os esquemas viciados – incluindo os de provada corrupção – acabaram com a CBF, que se tornou uma entidade pejorativamente falada.

4) ARBITRAGEM: não passaria incólume! Grandes jogos e grandes jogadores forçam a criação de grandes nomes do apito. E isso não tem acontecido. Árbitros que em determinado momento se tornam mediadores, mimam atletas e perdem a coragem. E, repentinamente, confundem a liberdade dada no Brasileirão (que era na verdade uma grande anarquia) com autoridade explícita (que se tornou autoritarismo). Vide os cartões com assustador excesso aplicados no Brasileirão. Pudera, a Comissão de Árbitros sofre com o militarismo crônico: depois de Armando Marques, tivemos Sérgio Correa da Silva (Aeronáutica), Dr Edson Rezende (Polícia), Aristeu Tavares (Exército), Sérgio Correa de novo. Que categoria é essa que também não se renova? Os últimos grandes FIFAs do Brasil, que surgiram apenas pelos seus próprios méritos, sabem como se rareiam novos nomes com tal gestão.

Enfim: não temos um culpado, mas vários responsáveis! Na semana em que a Seleção Brasileira Sub 20 perdeu seu título para a Sérvia (um país em reconstrução) e a Seleção Brasileira Feminina foi eliminada na Copa do Mundo pela Austrália (um país sem tradição no futebol), ver que a Seleção Brasileira às duras penas se classificou para as Oitavas de Final da Copa América parece se tornar motivo de glória!

Saudades do tempo em que o Escrete Canarinho era sinônimo de futebol-arte em todas as categorias e idades! Hoje, não colocamos medo em ninguém…

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