– Os Pênaltis de Mão na Bola no Brasileirão! Perdemos a vergonha com a “Regra 12B”?

Não tenho mais dúvidas! Com pesar, a Comissão de Árbitros da CBF criou a Regra 12B para o Futebol.

É. Da mesma forma em que o jogo driblado e gingado deixa de ser visto por sofrer um processo de “perebalização” de atletas, onde craques são trocados por brucutus, na arbitragem sofremos outro processo: o de “emburrecimento” da Regra.

A Regra 12, que dita as normas sobre infrações, diz que se deve sancionar uma punição quando um jogador tocar intencionalmente a bola com as mãos, exceto o goleiro em sua área penal. Aí as Diretrizes da Regra darão dicas para avaliar se houve a intenção ou não (se uma bola é chutada à queima roupa e não há tempo de evitar o contato; a distância da bola e do adversário, entre outras coisas).

O mais importante é: a infração por uso indevido das mãos é a ÚNICA em todas as infrações em que só se avalia intenção. Nas demais, deve-se avaliar também imprudência e força excessiva.

Infelizmente, aqui criamos uma Regra Paralela, a partir do momento em que a FIFA pediu maior atenção para observar lances em que jogadores usam de malandragem e deixam o braço bater propositalmente na bola. NADA MUDOU NA REGRA, apenas se cobrou mais cuidado para perceber intenção disfarçada, diferenciando-a de imprudência. Enquanto o mundo continua usando a Regra 12 original, usamos a 12B, onde o movimento anti-natural dos braços virou, erroneamente, discurso para que muitos marquem equivocadamente pênaltis por imprudência!

No sábado, no jogo Atlético Paranaense 0x0 Santos, mais uma dessas horrorosas marcações de pênaltis em que a bola bate no braço (e que o jogo deveria seguir), mas que o árbitro entende que é o braço que busca intencionalmente a bola.

Triste. Confesso que fico constrangido a ver tais lances e me canso de tanto criticar essa situação. Até os árbitros sabem que estão errados, mas se não seguirem a Regra 12B da CBF, imposta pela Comissão de Árbitros brasileira, ficam fora de escala.

Na Europa nada disso acontece (vide Campeonatos da Inglaterra, França, Itália, Espanha…). Na Argentina, também não. É algo exclusivamente local!!! E a insistência acontece pela vaidade dos instrutores e dirigentes do apito em não reconhecerem o erro de tradução da Regra ou a sua falta de compreensão.

Imaginou um árbitro marcando pênaltis como esses num Boca Juniors x River Plate? O jogo não acaba… Ou Chelsea x Manchester United? O árbitro será punido severamente!

Meu medo é: estamos aceitando isso passivamente. Nestas últimas semanas, ouço até mesmo comentaristas de arbitragem validando tais marcações com o argumento pífio de que “dentro do que pede a Comissão de Árbitros, o pênalti foi bem marcado”. ORA, BOLAS, A REGRA NÃO É ESSA!

É como a corrupção: antes, nos escandalizávamos com pequenas manchetes de crimes do colarinho branco. Agora, vulgarizou-se tanto, que até mesmo os grandes esquemas caíram na mesmice e no aceite. Portanto, nada em ter comodismo com esses pênaltis inexistentes que mais parecem lances de “queimada”: chutou na mão, bola na cal!

Gostaria muito de que tivéssemos um levante em prol do cumprimento CORRETO da Regra do jogo e da não acomodação das pessoas da imprensa (que sabem que isso está errado) e que podem repercutir muito mais na cobrança das marcações exatamente conforme a Regra do Jogo manda. Algumas já sucumbiram, aceitando que toda bola que bata na mão é falta.

Vamos resistir!

bomba.jpg

– Análise da Arbitragem de Paulista 2×4 Ituano

Gostei muito da arbitragem de Carlos Eduardo Gomes, neste sábado à tarde, no Jayme Cintra, bem como seus bandeiras Kleber Fernandes e Ademilson Cipriano.

Não o conhecia; afinal, seria apenas seu 3o jogo profissional com tanto tempo de FPF. Aí a pergunta se torna inevitável: não teve oportunidade por ter sido mal observado ou estava por algum motivo particular desprestigiado?

Não importa isso, mas sim vale ressaltar o ótimo trabalho que fez na partida em que o Galo Jundiaiense perdeu de 4×2 para o Galo Ituano.

Em faltas, o placar foi 13×14. Nos Cartões Amarelos, 4×7. No Placar, 2×4. E me chamou a atenção os seguintes aspectos:

DISCIPLINARMENTE, o árbitro acertou em todos os cartões que aplicou; tanto os de faltas por ação temerária, bem como os por reclamações (em especial a Christian (ITU). Faltou um, no final da partida, por atitude inconveniente do atleta do Ituano no qual o árbitro não viu (próximo às arquibancadas, na linha lateral), já que estava fora do seu alcance de visão. Também foi correto na aplicação do Cartão à Bassani (ITU), que mesmo após o apito de impedimento, persistiu na jogada e “marcou um gol”.

TECNICAMENTE, aceitou na marcação de pênalti cometida pelo goleiro Ian (PAU) e na não marcação no de Pará (PAU). Soube aplicar por 3 vezes corretamente a vantagem, e em uma que não se concretizou, acertadamente voltou atrás e marcou a falta atrasada.

FISICAMENTE, correu bem e se posicionou adequadamente nos lances capitais. E aqui uma ressalva: a postura na forma da corrida! Por muitas vezes, foi nítido que o árbitro “correu torto”, não tendo o mesmo “molejo” durante seu trote, especialmente com o braço no qual mantém o apito de dedeira nas mãos. É um vício de corredor a ser consertado.

O árbitro também não se deixou intimidar no momento em que o jogo pareceu se tornar difícil. E quando Tarcísio Pugliese, treinador do Ituano começou a reclamar, aplicou corretamente a advertência verbal.

Aliás, façamos a observação: foi uma partida muito boa para se assistir. Tanto Tarcísio (ITU) como Beto Cavalcante (PAU) armaram suas equipes ofensivamente, jogando limpo e bem postadas. Melhor que muito jogo modorrento por aí no Brasileirão…

11899937_1050649374975724_4161550459273916657_n