– Interpretando CORRETAMENTE os casos de “mão na bola” e “bola na mão”

Uma mudança na orientação de marcação de infrações em jogadas de “Mão na Bola” e “Bola na Mão” foi colocada em prática a partir da Copa das Confederações-13, bem aceita no restante no mundo e um pouco confusa no Brasil. Não foi uma mudança na Regra do Jogo, mas Massimo Bussaca, o atual comandante da arbitragem mundial, alegou na época ser uma nova interpretação aos árbitros sobre lances duvidosos dessa natureza.

Hoje, só se deve marcar infração por uso indevido das mãos na bola (entenda-se por mãos: a mão, o braço e o antebraçose for uma ação deliberada (proposital/intencional). É uma das poucas infrações onde o árbitro não deve avaliar imprudência, nem força excessiva (lembrando que em qualquer outra falta deve se considerar ação imprudente, temerária ou brutalidade). A Regra 12 (infrações e Indisciplinas) diz que:

Uma das faltas punidas com tiro livre direto é: tocar a bola com as mãos intencionalmente (exceto o goleiro dentro de sua área penal).

Tocar a bola com a mão implica na ação deliberada de um jogador fazer contato na bola com as mãos ou com os braços. O árbitro deverá considerar as seguintes circunstâncias:

O movimento da mão em direção a bola (e não da bola em direção a mão);

A distância entre o adversário e a bola (bola que chega de forma inesperada);

A posição da mão não pressupõe necessariamente uma infração;

Tocar a bola com um objeto segurado com a mão (roupa, caneleira etc.) constitui uma infração;

Atingir a bola com um objeto arremessado (chuteira, caneleira etc.) constitui uma infração.

A novidade, desde julho/2013, é: o árbitro deve avaliar se em determinados lances não houve movimento antinatural dos braços no momento do toque (uma intencionalidade disfarçada de falsa imprudência) ou um risco mal calculado do atleta em que a bola possa bater nos braços, em jogada que se poderia evitar. Trocando em miúdos:  pular/ se jogar na bola de maneira a qual a bola possa bater em seu braço, não se cuidando para evitar o contato.

Para muitos, tal orientação ajudou a justificar alguns pênaltis mal marcados. Foi o que aconteceu por aqui.

Vimos lances bizarros de pênaltis mal marcados: em um clássico entre São Paulo x Corinthians no Morumbi, o zagueiro Gil tenta tirar o braço da direção da bola em um chute a queima-roupa e ela bate em seu cotovelo. Nenhuma intenção clara, tampouco subjetiva de colocar a mão na bola. Mas virou, equivocadamente, pênalti… Vimos também uma barreira pulando e o jogador saltando com os dois braços erguidos. Se a bola bate neles, aí sim seria movimento antinatural, pois fisiologicamente, você não pula com os braços totalmente esticados e eretos para o alto.

Enfim, essa história de: “nova orientação” não tem segredo. Talvez todo o imbroglio tenha nascido única e exclusivamente da tradução/interpretação do texto, potencializada negativamente por má orientação.

Do jeito que está, é só chutar na mão que vira infração. Parece brincadeira de “Queimada”…

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– O Emprego dos Sonhos!

Imagine que você tenha o poder de ser protagonista de um importante departamento da sua empresa. Seus colaboradores não atendem às expectativas de seus clientes, e os elementos de sua equipe, orientada por você, competente ou não, continua firme em seus postos.

Quando um dos seus funcionários vai mal na tarefa que lhe foi concebida, você resolve punir para fazer média com quem chia, mesmo não assumindo que quem errou foi você próprio por escolhê-lo.

Gente de todos os lados pede a sua cabeça, mas o acionista maior da empresa gosta de você. Há cumplicidade, relação umbilical. E mediante um forte clamor, o dono do negócio o remaneja, com o mesmo salário, sendo que agora você vai chefiar a você próprio, sem pressão, com mais dias de lazer e qualidade de vida.

É promoção por bons serviços prestados ou não?

Falo de executivos em empresas privadas. Qualquer semelhança com a realidade futebolística é mera coincidência.

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– O chororô do Mano: sobre os lances polêmicos de Corinthians x Cruzeiro

Quer dizer que a bola que bateu despretensiosamente no braço do atleta corintiano dentro da área foi pênalti para o Cruzeiro?

Segundo Mano Meneses, treinador da Raposa, sim. Com o radicalismo da Regra 12B inventada pela CBF (uma ironia sobre a orientação de movimento antinatural da mão na bola, onde aqui interpretamos equivocadamente a orientação da FIFA), até que alguns árbitros brazucas marcariam. Na Regra oficial da International Board, não foi!

Sobre o gol em posição de impedimento, realmente procede a queixa. Mas cá entre nós: é o lance difícil, milimétrico, onde não dá para culpar o bandeira. Só se percebe o impedimento pela TV e com muito esforço.

O gozado é ele fazer ironia sobre ajuda ou não de arbitragem… assuma a derrota, Mano.

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– Quem vai pagar a Taxa?

Respeitosamente, mas sou totalmente contra a chegada do Cel Marcos Marinho para a Comissão de Árbitros da CBF.

Em São Paulo, criou um ranking confuso e inválido. Não revelou quase ninguém, apesar de ter começado sua administração com boa vontade (embora, todos nós sabemos, sem conhecer as regras do futebol).

Leio que a nova CA-CBF prometeu que pagará a taxa do jogo em que o árbitro estiver escalado e por motivo de força maior não comparecer. Assim, questiono:

  • É a CBF quem realmente paga? Então ela assume o vínculo empregatício?
  • Quantos casos como esses você viu acontecer?

O mais importante: sobre a Profissionalização da Arbitragem, o Cel Marinho passou ao largo…

Que tenha sucesso no novo cargo altamente remunerado. Se for como fez na FPF, continuaremos do mesmo jeito…

Não confio na competência dos cartolas do apito e do futebol. E tenho dito.

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– Vale o risco que a CBF quer correr para Santos-SP x Internacional-RS?

Para Santos x Internacional na Copa do Brasil, pelas quartas-de-final, apitará o aspirante à FIFA Gilberto Rodrigues Castro Jr, de Pernambuco.

Poderá fazer uma ótima arbitragem, mas… quantos jogos você lembra que ele apitou? o que fez para merecer a honraria de aspirante à FIFA?

Houve coerência: um aspirante à FIFA brasiliense (o árbitro Raposo) apitou Internacional x Santos no Beira-Rio pelo Brasileirão (com histórico de nenhuma vitória de clubes visitantes). Agora, outro desconhecido árbitro com mesma aspiração (nessa feita na Vila Belmiro) no jogo envolvendo as duas equipes.

Escala para se fazer média, sem sombra de dúvidas. A propósito, às 10h30, quando feita esta postagem, a CBF não disponibilizava o histórico de partidas desse árbitro dando como mensagem “erro”.

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– A lorota contada na Comissão de Árbitros da CBF: caiu Sérgio Correa?

Em 16 de janeiro deste ano, quando o Cel Marcos Marinho foi demitido da Comissão de Árbitros da FPF, dissemos neste blog que Marco Polo Del Nero, caso precisasse de um novo nome na Comissão de Árbitros da CBF, não exitaria em levá-lo para o Rio de Janeiro, já que foi seu braço direito em SP não só na arbitragem (mesmo não tem sido árbitro e pouco sendo conhecedor do assunto), mas em outros departamentos também. Chega ser irônico que um Policial Militar auxilie aquele que é procurado pelo FBI (vide em: http://wp.me/p55Mu0-IR).

Mas Sérgio Correa caiu?

Segundo o Globoesporte.com, há pouco, sim. Mas na prática: não, foi realocado.

Suportando todo tipo de pressão, Correa se manteve sempre a frente e no comando do cargo. Quando Ricardo Teixeira reinava na CBF e após muita pressão, Sérgio saiu da Comissão e foi para um outro setor da arbitragem na casa. Quando José Maria Marin assumiu, Correa voltou. Só que quando Marin foi pressionado pelos clubes, Sérgio Correa foi alocado para o “Departamento de Árbitros”, criado exclusivamente para ele. Por fim, quando Marco Polo assumiu, Sérgio Correa voltou de novo. E diante da extrema pressão dos times, Del Nero realoca agora Sérgio como o responsável pelo Departamento de Árbitro de Vídeo!

Que força e prestígio esse homem tem, não?

E o que muda com o Coronel Marinho?

Na prática, nada. Como na FPF ele se utilizou do assessor Arthur Alves Júnior, na CBF se utilizará de Alício Pena Júnior e Ana Paula Oliveira. Em São Paulo, uma das últimas bobagens feitas foi orientar os árbitros com a Regra 12B a reboque da CBF. Na pré-temporada – é público – comentou que “se a bola bater na mão, é mais fácil marcar pênalti”.

Boa sorte à nova comissão de árbitros. Justo na semana em que falamos que nos últimos 20 anos tivemos mais de 2.000 juízes e bandeirinhas formados pela FPF e que muitos poucos vingaram em seu trabalho (vide em: http://wp.me/p55Mu0-17b), creio que trocou-se “Seis por Meia Dúzia”. E é justamente isso que Marco Polo desejava: TROCAR SEM NADA MUDAR.

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– Os dois lances pontuais de Corinthians 0x1 Fluminense

Não assisti o jogo; portanto, não posso comentar “como um todo” a arbitragem de Anderson Daronco no tão esperado jogo da rodada. Mas vi os dois lances reclamados:

  1. O pênalti reclamado pelo Fluminense: Marquinhos Gabriel agarra Marcos Júnior na área. É lógico que o grito e a queda do atleta foram, digamos, excessivos. Mas independente da “forçação da barra”, a infração aconteceu pois há o nítido desequilíbrio. Talvez Daronco tenha sido traído pela valorização do atleta carioca querendo mostrar a todo custo que foi agarrado. Tiro penal não marcado.
  2. O Gol sofrido no último lance pelo Corinthians: a falta cobrada por Gustavo Scarpa não existiu, e deste cruzamento, Gum, em posição de impedimento, prosseguiu com a jogada e na sequência sai o gol de Cícero. Erro duplo, do árbitro e do bandeira.

Enfim, novamente erros relevantes no Campeonato Brasileiro. Até quando a arbitragem vai ser mais notícia do que o jogo em si?

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– Não cansou?

Tirei o final de semana para uma necessária “curtição em família”. Descansei e espaireci. Não vi nada sobre a rodada do Brasileirão, mas o pouco que li foi:

Fluminense vence com gol supostamente impedido“. Se verdade, Levir vai reclamar?

Ponte Preta reclama da arbitragem e Potker é expulso por dar soco no adversário“. E vai reclamar como depois de um sopapo?

Elano entra e é expulso por ofender o árbitro“. Outro cartão vermelho por xingamento?

Não sei se foram erros ou acertos, mas cá entre nós: antes falávamos sobre os grandes lances da rodada. Hoje, falamos sobre as decisões dos árbitros.

Já cansou o futebol assim, não? Está muito chato.

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– Breve explicação sobre o mau momento da arbitragem brasileira (6 importantes tópicos)

Não há muito o que enrolar ao leitor e ao torcedor apaixonado por futebol: por quê os árbitros brasileiros estão em um momento tão ruim?

1) A renovação tem sido falha. Durante mais de 1 década, a arbitragem paulista foi dirigida por um Coronel que comandava a repressão às torcidas organizadas. Quantos jogos ele apitou? Já a arbitragem carioca é liderada por um chefe que comandou / comanda a Comissão, o Sindicato e a Cooperativa local. Pode?

2) Só em São Paulo, entram para a escola de árbitros cerca de 100 alunos por ano. Quando os árbitros FIFA brasileiros eram na sua maioria paulistas, todos foram das turmas do Professor Gustavo Caetano Rogério (que saiu em 1995). Portanto, desde então, se formaram (em 20 anos) cerca de 2.000 apitadores e bandeirinhas. Desta massa incrível, vingaram… Entenderão? Se pensa na quantidade e não na qualidade (e isso serve para todos os estados que enviam árbitros para a CBF).

3) O sorteio da arbitragem foi criado com bom intuito: a fim de não permitir que um “juiz de esquema” fosse indicado para favorecer uma equipe. Isso faria com que quem escala não pudesse escolher seus preferidos e quem fosse escalado estaria “à sorte grande” em determinados jogos. Porém, o espírito da coisa foi deturpado e o globinho costuma ter uma metodologia contestável, onde não é um grupo de árbitros escolhidos ao Deus-dará, mas sim um elenco com bula e regras confusas. É a alegria de quem sorteia, pois seu árbitro mal formado e mal orientado, se for mal na atuação da partida, será criticado pelo empecilho do sorteio não permitir planejamento de carreira.

4) Árbitros do MS, do RN, do SE e de outros centros não tão desenvolvidos do futebol são escalados sob a desculpa de “integração nacional”. Bobagem, não são os melhores juízes os escolhidos, mas aqueles que atendem pedidos políticos. Se não é assim, por que Francisco Nascimento-AL, o “Chicão de Alagoas” (terra de Renan Calheiros) ou Dewson Freitas-PA (terra do Coronel Nunes) chegaram à FIFA, mesmo com fracas arbitragens? A coisa é mais séria quando se questiona: quantos Fla-Flus, Grenais ou Corinthians-Palmeiras os árbitros apitam antes de ganharem a honraria do escudo FIFA? Nenhum! Lembre-se que Dulcídio Wanderlei Boschilia nunca foi da FIFA.

5) Sérgio Correa da Silva foi presidente do Sindicato de Árbitros de São Paulo e membro da Comissão de Árbitros da FPF (seu sucessor, Arthur Alves Jr, idem – e posteriormente afastado após escândalos morais). Há quantos anos ele está na CBF, num entra-e-sai como Presidente da CA-CBF, chefe do Departamento de Árbitros ou outro cargo que existir? Passou por Ricardo Teixeira, José Maria Marin e agora por Marco Polo Del Nero. Reclamado pelos 20 times da Série A (e talvez pelo mesmo tanto da série B, C e D), nunca cai! É por ser “hiper-competente e nós não entendemos isso” ou o quê acontece que foge da nossa compreensão?

6) A definitiva não-profissionalização dos árbitros, desejada no íntimo dos sindicatos e associações de classe, em conformidade com a vontade da CBF, mas dita diferente aos meios de comunicação, é sem dúvida outro mal que nem precisa ser discutido.

Enfim, sem a força dos clubes e o desejo REAL de mudança dos cartolas, nada vai acontecer.

Obs: não sou candidato a nenhum cargo diretivo, nem pelego, nem postulante a boquinha alguma nos convites de visitas às entidades costumeiramente feitos. Apenas sou um ex-árbitro (apaixonado e estudioso pelo assunto) que divide esse tema com minhas outras searas profissionais no comércio e no ensino superior, onde também milito.

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– A falta não marcada no 2o gol de Vasco 2×2 Santos

Foi uma leve infração: Lucas Lima (SFC) abdica de pular para disputar a bola com Alan (VAS), numa espécie de “semi cama-de-gato” desequilibrando o adversário. O árbitro gaúcho Jean Pierre “Vin Diese” Gonçalves Lima está de frente para o vascaíno e não percebeu a falta (se estivesse de lado, viria Lucas Lima, pois o santista estava encoberto pelo corpo do próprio Alan). Por esse mal posicionamento, não marcou a falta que resultou no fatal contra-ataque do Santos FC.

O curioso: Rodrigo (VAS) foi expulso após a partida por dizer ao árbitro: “você é cagão”. Também foi relatado na súmula que o quarto árbitro, no vestiário, foi ofendido por um sr identificado como Eurico Brandãoque disse: “Guarda a carteira, guarda o relógio, tem ladrão do vestiário que tem que sair de camburão”. Além disso, relatou que coletou um sapato e uma sandálias da marca havaianas, atirada no gramado.

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