– Não existe favorecimento para o Palmeiras ser campeão.

O ex-árbitro Marçal Mendes é um batalhador. Foi corajoso e peitou o poderoso Jorge Rabello no Rio de Janeiro, que usava na FERJ o mesmo expediente que muitos usaram na FPF: a Comissão de Árbitros Carioca, presidida por Jorge Rabello, estava muito próxima do Sindicato dos Árbitros (presidido por Rabello também) e irmanada com a Cooperativa dos Árbitros, do próprio Rabello.

Já na CBF, infernizou Sérgio Correa da Silva. Tudo o que fez foi de maneira praticamente solitária e sem grande apoio. Marçal Mendes (não confunda com Marcelo Marçal, proprietário do site de arbitragem Apitonacional.com) criou o Sindicato dos Trabalhadores da Arbitragem Esportiva do Estado do Rio de Janeiro, uma espécie de “entidade paralela”.

Admiro e respeito demais o trabalho de Marçal, embora tenha algumas respeitosas divergências quanto o seu posicionamento político de extrema-esquerda (insisto: respeito, pois na democracia todos podemos gostar ou não de determinados partidos e ideologias). Mas não concordo com a declaração que deu na audiência pública de estudos sobre o futebol retratada pelo UOL. Ele disse que:

Se o árbitro erra contra o Palmeiras, lá dentro [do estádio do clube], fica fora da escala [para outros jogos]. Duvido que seja indicado para uma vaga da Fifa (…) Todo mundo sabe o motivo. Sabe que Marco Polo é sócio benemérito do Palmeiras.

Aqui, discordo. Ricardo Teixeira é flamenguista, Marco Polo é palmeirense, José Maria Marin é são paulino. Esses senhores não pensam no clube (o único que abertamente faz isso é Eurico Miranda, que extrapola a ação ética em vários momentos). Teixeira, Marin e Marco Polo pensam nos seus umbigos e nos seus bolsos, não no bem do futebol brasileiro. Quando estava na FPF, Marco Polo Del Nero e o “escalado de árbitros” Cel Marcos Marinho sofreram com a invasão da Mancha Verde na sede da entidade. Erros aos montes aconteceram contra e a favor do Palmeiras (e ao Santos, ao Corinthians, ao Flamengo, ao Fluminense…).

A verdade é: erra-se por assédio moral a favor de time grande, não por intenção deliberada ou a mando de Marco Polo. A camisa dos grandes pesa, e quando o árbitro é fraco e mal preparado (como a maioria), tende-se a errar. As geladeiras (verdadeiras ou as de mentirinha) sempre existiram.

Cá entre nós: qualquer time de massa que vença contentará Del Nero, que tem muitos outros milhões e negócios a lidar do que com que vai ser campeão brasileiro. Ou você acha que Del Nero está com a camisa alviverde debaixo do paletó dentro de seu bunker? As preocupações dele são outras…

Enfim: quando o erro é a favor do Corinthians, é porque a CBF e os árbitros promovem o “apito amigo”. Na semana seguinte o discurso é do Flamengo, na outra do Internacional, e assim vai. Esqueça o blablabblá de torcedor, pois tudo isso é ruindade mesmo da juizado mal formada.

Volto a repetir: nessa, o amigo Marçal Mendes “viajou”. O campeonato não está direcionado a um time, pois quem quer que seja o campeão (Atlético, Flamengo, Santos ou Palmeiras), terá sido pelos méritos dos seus jogadores e comissão técnica.

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