– Análise Técnica, Tática e da Arbitragem do jogo Paulista 1×0 Atlético Goianiense

Tive o prazer de comentar um grande jogo nesta tarde/noite de 3a feira no Estádio Dr Jayme Cintra, com público de aproximadamente 7.000 pessoas. Vamos aos apontamentos mais importantes?

A- ANÁLISE TÉCNICA

O Paulista entrou em campo com o mesmo time das 3 últimas partidas, exceto pela ausência de Bryan e a entrada de Arthur. Com isso, o time trocou a armação de jogadas mais cadenciadas pela velocidade. E este foi o ritmo do jogo: um time bem rápido no ataque, preciso nos desarmes no meio campo e uma defesa bem técnica, sem bico ou chutão. Enquanto o Atlético Goianiense se limitava a defender com os bons zagueiros Rafael e Barbosa, sofrendo com o lateral direito Jair que levou “um baile” do atacante Criciúma. Poucos erros de passe, jogo limpo do Paulista durante os 90 minutos e nenhuma jogada mais violenta. O problema para o Galo foi o capricho na finalização, enquanto que o Dragão não conseguia chutar (apenas dois chutes para o gol: aos 76m e aos 93 m de jogo).

B- ANÁLISE TÁTICA

Os treinadores Umberto Louzer (PFC) e Ariel Mamede (AGO), antes da partida, contaram o que de fato seria a partida: o Paulista buscando o gol durante todo o jogo, entrando o camisa 18 Arthur no lugar do suspenso camisa 10 Bryan, o armador do time ao lado de Moisés. Entretanto, Bryan não é tão veloz quanto Arthur, que costuma jogar como atacante mais enfiado, dando ainda mais sufoco no ataque. Já o Atlético, cujo técnico disse que respeitaria o adversário pela força que estava mostrando e teria cautela, não conseguia sair para o jogo. Mesmo parecendo ser um time retrancado, a verdade é que o time goiano sentiu o “abafa” do time paulista.

Os primeiros 20 minutos foram de uma intensidade impressionante. O Paulista atacava com Matheus Silvestry pelo meio, Criciúma como um verdadeiro “ponta-esquerda das antigas” e Arthur um pouco mais atrás, mas ainda assim bem mais adiantado do que Bryan. Moisés armava o time pela direita, atravessa o meio campo e ajudava no ataque. Tal tática poderia sobrecarregar o meio-campo, que ficaria desprotegido pela vocação ofensiva. Ledo engano, pois Pedro Acorsi (17), ajudado por Vinícius Paulinho (7) foram senhores da posição. Os zagueiros  Brendon Matheus e Maurilio ficaram tranquilos, ainda mais com Zunquinha e Alemão, os laterais que não desceram tanto.

Por volta dos 30 minutos, o Paulista se concentrou demais do lado esquerdo do campo. O time ficou “pendendo”, torto, para desespero de Umberto que via a criação das jogadas mas que percebia o aglomerado de jogadores em uma única zona do gramado. Moisés continuava correndo o campo todo, mas sem a  ajuda de Zunquinha, mais preso, saiu da direita e o jogo, apesar de intenso, ficou ‘travado”. Enquanto isso, o Atlético, assustado, apelava para as faltas para parar o jogo. Foram 3 do lateral Jair, 2 do atacante Valdir (que voltava para tentar buscar a bola) e 1 de Batista, ambas no primeiro tempo, todas em Criciúma.

No segundo tempo, Umberto fez o correto: mexeu o posicionamento do time sem trocar jogadores titulares por substitutos: trouxe Criciúma para a direita, colocou Arthur vindo de trás e Moisés na esquerda. Matheus Sylvestre virou um legítimo camisa 9 centralizado. O time, taticamente bem corrigido, continuou atacando, falhando nas finalizações do centroavante. Sendo assim, Matheus Sylvestre que se movimentou bem mais do que nos últimos 3 jogos, não conseguiu desencantar (apesar de jogar bem). Depois de 10 minutos com essa formação e pelos gols perdidos, Umberto trocou Matheus e Moisés por Victor Hugo e Molter. Dessa forma, o time ficou ainda mais agressivo, com Arthur bem a frente, Criciúma voltando para a esquerda, Molter fazendo a função que era de Arthur no começo da partida (armando e chegando mais a frente) e Victor Hugo mais para a direita. Não restava mais nada ao Atlético senão defender, tentar um contra-ataque e, em alguns momentos, encenar alguma cera. Com o forte calor, Arthur “pregou em campo”, e foi substituído por Vitor Adame, que trouxe mais correria. E foi aí que Umberto “ganhou o jogo: tecnicamente o Paulista era melhor, mas não conseguia passar pelos zagueirões Batista e Rafael; taticamente estava perfeito. Mas o cansaço era perceptível ao adversário. De maneira ousada, faltando 10 minutos para acabar, o técnico tirou Criciúma, que estava fadigado, além do volante Acorsi. De fato, o atacante tinha sido brilhante, mas não aguentou o ritmo frenético, e o ótimo Acorsi passou a ser desnecessário, já que o time dava conta no meio de campo pois fazia um abafa na frente. A torcida vaiou a saída dos dois melhores jogadores da partida para a entrada de Carlinhos e Luciano (injustamente, pelos motivos citados). E as alterações deram certo: o treinador Ariel só havia feito uma substituição em 80 minutos de jogo, e nesse erro dele, em um lance de ataque, com muita correria e disciplina tática, o ataque do Paulista envolveu o Atlético e a bola chegou a Molter, passando por Batista e Rafael (que falharam visivelmente pelo cansaço) que fez o gol da vitória.

Fica a ironia: Umberto foi chamado de burro por alguns; esses mesmos gritaram “desculpas” ao treinador? Claro que não.

C- ANÁLISE DA ARBITRAGEM

A partida não exigiu muito do árbitro Caio César da Costa Mello. No começo do jogo, com a velocidade e a intensidade do Galo, o juizão se perdia no posicionamento, afinal só corria na metade ofensiva do campo. Com o decorrer do jogo melhorou isso. Soube coibir as faltas excessivas do time goiano no 1o tempo (PFC 4×10 AGO em faltas cometidas). No 2o tempo, uma partida de Fair Play (PFC 4×4 AGO em faltas).

Disciplinarmente, acertou aos Cartões Amarelos para João Victor e Barbosa, do AGO (um por disputar a bola com um tapa, outro por jogada de ação temerária) e a Victor Adame, do PFC, por um carrinho que atingiu a bola e o adversário. Faltou apenas advertir Acorsi (PFC) por uma entrada em Valdir (AGO). Tecnicamente, foi correto ao não marcar pênalti em uma bola que bateu despretensiosamente na mão de Batista (AGO) e ao não marcar recuo de bola de Zidane (AGO) para o goleiro Lucas), pois o lance foi acidental.

O bandeira Rodrigo Bernardo marcou vários impedimentos e ajudou o árbitro na marcação de faltas. Foi bem, mas errou um impedimento a favor do Atlético pois não reparou que do outro lado do campo havia um jogador parado, dando condição (talvez atrapalhado pelos refletores). Felipe Moraes, o bandeira 2, trabalhou com bastante atenção e também foi bem. O quarto árbitro João Marcos Giovanelli sofreu com as reclamações insistentes do treinador Ariel Mamede, mas soube coibir seus excessos.

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