– E o Galo foi depenado pelo Gato!

O Paulista de Jundiaí, tricolor da Terra da Uva e carinhosamente chamado de Galo da Japi (em referência à magnífica Serra da Japi, cartão postal da cidade), fez jus ao seu mascote e bicou o Toro Loko (Red Bull) por duas vezes na Copa São Paulo. Encarou o Bode Alviverde (Vitória da Conquista), enfrentou sem medo o Tricolor da Manchester Catarinense (Joinville) e, mesmo sendo de porte menor na divisão do Brasileirão, enfrentou sem medo o Dragão (Atlético Goianiense). Encarou ainda a Águia (São Carlos) que queria voar alto e não temeu receber flechadas do Índio Condá (Chapecoense). Por fim, não se assustou com o Fantasma (Batatais), goleando-o e esperando para a finalíssima na cidade grande o Moleque Travesso (Juventus) ou o Mosqueteiro (Corinthians).

Eis que à tarde, durante a espera…

O Galo, tão corajoso e ressurgido no caldeirão de Jayme Cintra diante de milhares de torcedores, não imaginava que seria traído dentro do seu terreiro. Venceu em campo, e perdeu para um Gato camuflado, que o depenou e frustrou uma cidade inteira.

Tudo isso para falar sobre Brendon Matheus, Matheus Lima ou simplesmente Matheus, o jogador que queria ser chamado apenas pelo nome mais simples (Matheus, era assim que pediu às emissoras de rádio) em tempos que os nomes duplos estão em voga e os apelidos desaparecem.

O atleta passara desapercebido até agora por torneios sem visibilidade. O ótimo jogador (ao menos, jogando dentro de campo era acima da média), que saia jogando da zaga ao ataque, bom tecnicamente e com ótimo senso de colocação, que não era faltoso e que tomou infantil e justamente o segundo amarelo e estaria fora da final da Copa São Paulo 2017, realmente se chamava Matheus. Mas não o mesmo Matheus dos documentos!

Segundo a ESPN Brasil, o jogador se chama Heltton Matheus Cardoso Rodrigues, fará 23 anos em 24 de março próximo e disputou a competição Sub20 com os documentos de Brendon Matheus Araújo Lima dos Santos, 19 anos, que está preso no Rio de Janeiro por roubo e tráfico de drogas.

O garoto é empresariado por Alberto, que reside em Jundiaí e é um sujeito sério (o mesmo ex-jogador do Paulista e do Santos, celebrado naquele time de Robinho e Diego, marcado por um golaço de bicicleta contra o Corinthians).  Ao que tudo indica, o jogador de Volta Redonda, que passou por São Gonçalo, passou a usar a falsidade ideológica lá no Rio de Janeiro, vindo para o time do Nacional-SP (que era gerido pelo Alberto, e dessa forma passou a agenciar o rapaz) e da Capital para Jundiaí. Dessa forma, Heltton Matheus enganou a FERJ, FPF, os dois times paulistas, além dos seus treinadores e dirigentes (a propósito, as fotos públicas de Heltton Matheus e as do verdadeiro Brendon Matheus são realmente muito parecidas).

O questionamento é: quantos atletas brasileiros, sem exposição, começam e terminam a carreira como gatos incólumes? Se o Paulista fosse eliminado na 1a fase, poderia estar ainda “enganando” por aí. E não achemos que é só no futebol que se altera identidade.

O fato é: um crime motivado por um agente no começo da carreira, pelo próprio garoto ou por alguém que não sabemos, trouxe inúmeras consequências. Fez-se valer o ditado: “o Diabo é o pai da mentira”. Portanto: vão para o inferno, maquiadores de identidade e estelionatários do esporte.

Os envolvidos na picaretagem enganaram clubes, federações, e com mais tristeza a cidade de Jundiaí e seus torcedores (que sofreram com a trapalhada dos ingressos na semifinal, madrugaram na fila e tomaram chuva), Umberto Louzer (o trabalhador treinador do Galo), Pepe Verdugo (o presidente do time), seus colegas de equipe (imaginem os demais companheiros de time como devem estar) e enfim, a coletividade esportiva em geral. Todos são vítimas de um golpe praticado em terra fluminense. Talvez o próprio Heltton, se pensarmos com benevolência (este, pela ingenuidade e ignorância por aproveitadores e sucumbem ao sonho de se tornar atleta profissional de maneira inadequada). Mas que confesse: quem foi o autor da trapaça?

É importante salientar: o presidente do Batatais, André Toffetti, entrou com denúncia antes do jogo. Claro, não se poderia cancelar a partida do domingo sem investigar algo tão grave (reclamar-se-á que o clube de Batatais poderia ter sido oportunista; mas será que não recebeu a dica às véspera do jogo e não é direito dele fazer isso mesmo?).

Comprovado tudo, que se cumpra conforme a lei: a desclassificação do Paulista do jogo final (o regulamento é claro e as 120 equipes assinaram), que se julgue com justiça o time de Jundiaí (sendo vítima do estelionato da identidade, não se aplique a pena máxima de 5 anos excluído da competição) e que não se macule as pessoas honestas da Terra da Uva, que tanto lutaram para chegar à final e tentar o bicampeonato da Copinha.

Ficam duas observações:

1- Seria Heltton Matheus, que se passou por Brendon Matheus, o único gato da competição? Claro que não. O problema é conseguir informações seguras de outros jogadores e do modo de operação das falcatruas. 

2- O Batatais seria o justo finalista? Red Bull, Atlético Goianiense, São Carlos e Chapecoense que perderam na fase eliminatória (e até mesmo os clubes da fase de grupos) não poderiam enxurissar o torneio? Afinal, o zagueiro jogou (sempre muito bem) TODAS as 8 partidas do Paulista e estaria fora apenas na final (claro que ele não ganhou sozinho, Umberto Louzer usou 24 atletas durante o torneio). Mas os demais não foram prejudicados tanto quanto o time de Batatais?

Encerrando: acompanhamos com entusiasmo a excepcional saga do Paulista através do Time Forte do Esporte da Rádio Difusora AM 810, transmitindo e comentando todos os jogos e aguardando ansiosos a final no dia 25 do Pacaembú. Imaginem como nós estamos também nos sentindo lesados… por educação, devo encerrar o texto aqui antes que escreva uma bobagem impublicável.

E pensar que há exatamente 1 ano, o time profissional do Paulista era vítima do suposto grupo investidor de Mônaco que tanto enganou com o treinador português Paulo Fernandes… meu Deus!!!

Atualizando: Heltton Matheus, o jogador, está sumido e com o celular desligado. Ninguém o encontrou mais em Jundiaí.

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