– O Conjunto estrutural dos problemas da arbitragem de futebol

Como remunerar, estruturar e capacitar adequadamente a arbitragem de futebol no Brasil?

O problema não me parece, em si, a “mão de obra”, mas sim da formação e estruturação das entidades.

Quer entender um pouco mais? Vale a leitura abaixo: esse texto foi redigido por mim em 2012, mas trocando os valores monetários, é atual:

ÁRBITROS DE FUTEBOL: VALEM O QUANTO GANHAM? 

Um árbitro FIFA no Brasil recebe R$ 3.300,00 por jogo. É muito ou é pouco?

Leve em conta: quanto ganha um jogador de ponta?

Claro que para os padrões do trabalhador brasileiro comum, o valor é elevado. Para o mundo do futebol, em alto nível, baixo.

Considere: há meses em que a bolinha do sorteio é generosa e ele apita 4 jogos em 30 dias. Em outros, ela não cai. Nos meses de férias, nada recebe. Não tem 13o salário, nem FGTS. E paga as contribuições para Sindicatos e Cooperativas, pois, senão estiver filiado a elas, não apita. Ôpa: não se esqueça de descontar 27,5% de IR e 10% de ISS.

Na Itália, os árbitros FIFA recebem R$ 7.800,00 por mês fixos, além de R$ 26.500,00 por partida apitada. Na Inglaterra, onde todos são profissionalizados, R$ 21.000,00 / jogo.

Na Argentina, existe um modelo semiprofissional, onde o árbitro é convocado para treinos supervisionados e recebe entre R$ 7.000,00 a R$ 14.000,00 por mês, com contrato de 24 meses, independente do número de partidas apitadas. Ou seja: por ano, ganham mais do que os nossos.

E pelo que ganham, a atuação tem sido válida?

É difícil avaliar o custo-benefício. Na verdade, as atuações independem do valor das taxas e estão atreladas a um conjunto dos problemas estruturais do sistema.

Quais seriam eles?

Falta de padrão na formação e orientação dos árbitros. Temos estados em que o curso de formação dura um final de semana e em outros dois anos!

Discrepância do nível de jogos a serem atuados: como um árbitro chega a série A do campeonato nacional apitando jogos fracos do estadual?

Apadrinhamentos de árbitros: só a questão meritocrática, infelizmente, não é suficiente.

Unfair-play dos atletas: simulações, quedas e desconhecimento das regras são uma constante (no Brasileirão, a média de faltas foi de 38 / jogo; na Inglaterra, 23 / jogo).

Falta de ritmo de jogo e excesso de colegas de trabalho: temos muitos árbitros no quadro nacional, sendo que alguns são muito escalados, outros não tem tanta sorte.

Não-renovação dos dirigentes da arbitragem: há tanta gente agarrada no poder e há tanto tempo… e que não largam o ofício de cartola do apito!

E aí, mediante esses dados, responda: só pela competência, um árbitro pode chegar ao topo e viver da arbitragem?

(dados e valores extraídos da Revista ESPN, ed Dezembro/2012, pg 36-42)

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