– Márcio Chagas da Silva: mais um entre tantos, infelizmente!

Corajoso! Palmas para Márcio Chagas, o ex-árbitro gaúcho que contou sobre as ofensas racistas que sofreu e que sofre, em entrevista ao UOL.

Felizmente, há alguém para testemunhar e alertar a sociedade. Infelizmente, Márcio é somente mais uma das inúmeras vítimas de racismo.

Somente existe uma raça: a raça humana. E a cor da pele? Nada importa.

Força Márcio!

Extraído de: https://esporte.uol.com.br/reportagens-especiais/marcio-chagas-denuncia-racismo?fbclid=IwAR3xEU-SMcly7TMi8OFCp_FdnMK4andKN3XakXes6T4fg1Bg-dW4LzloO24#matar-negro-e-adubar-a-terra

MATAR NEGRO É ADUBAR A TERRA

Comentarista de arbitragem da Globo denuncia agressões racistas que ouviu no campo e na cabine

Por Tiago Coelho

Um dia meu filho de cinco anos me perguntou por que os pretos dormem na rua e são pobres. Expliquei que é um resquício da escravatura, que estamos tentando mudar isso, mas que é difícil. Não sei se ele entendeu. Às vezes nem eu entendo. Sendo negro em um estado racista como o Rio Grande do Sul, eu me acostumei a ser o único da minha cor nos lugares que frequento.

Fui o único negro na escola, o único namorado negro a frequentar a casa de meninas brancas e, como árbitro, o único negro apitando jogos no Campeonato Gaúcho. Hoje sou o único negro comentando esses jogos na TV local. Durante muito tempo, me calei ao ouvir alguma frase racista. Engolia, como se não fosse comigo. Mas era comigo. A verdade é que estou puto com os racistas. Todo fim de semana escuto gente me chamando de preto filho da puta, macaco, favelado. “Matar negro não é crime, é adubar a terra”, eles dizem. Estou de saco cheio dessa história.

A galera saiu do armário total, não tem vergonha nenhuma. As manifestações racistas estão vindo cada vez mais ferozes e explícitas. O fato de eu estar na TV agride muito mais as pessoas do que quando eu apitava. O racista não aceita que você ocupe um espaço que você não deveria ocupar.

Dá vontade de sair na mão com esses caras, mas sei que se eu fizer isso vou perder a razão.

Em um Avenida x Internacional, em Santa Cruz do Sul, o juiz marcou um pênalti que não aconteceu e eu comentei no ar que o pênalti não aconteceu. Um torcedor foi no meu Instagram e escreveu: “Não gosta de ser chamado de preto, mas tá fazendo o quê aí?” O que tem a ver a minha cor com o meu comentário? Outro cara me chamou de “crioulo burro” e um terceiro disse que, se pudesse, me enfiaria uma banana no rabo. Os caras escrevem isso em público, com nome e sobrenome. Já acionei o Ministério Público.

Caxias do Sul, para mim, é uma das cidades mais terríveis para trabalhar. Há algumas semanas, fui transmitir um jogo no estádio Alfredo Jaconi e passei uma tarde inteira ouvindo xingamentos. Tive que ouvir que era um preto ladrão, que estaria morrendo de fome se a RBS, a Globo local, não tivesse me contratado, que eles tinham trazido banana pra mim. A cada cagada que o árbitro fazia em campo, eles se voltavam contra mim na cabine e xingavam. Eu virei um para-raios pro ódio deles.

Um dia, em um Juventude x Internacional, a arbitragem estava tendo uma péssima atuação. Houve um pênalti não marcado para o Juventude, e uns torcedores que ficavam perto da cabine se viraram para mim dizendo coisas como: “E aí, preto safado, vai falar o quê agora?” Eu já tinha dito no ar que o juiz tinha errado ao não marcar o pênalti. O clima já estava pesado desde o começo, e eu me segurava para não descer lá e ir pro soco com os caras, mas é tudo que eles querem, não é?

Uma mulher com uma criança de colo se virou para mim e começou a xingar: “Negro de merda, macaco, fala alguma coisa”. Ela veio em minha direção, achei que ia me dar uma bofetada ou cuspir na minha cara, que é uma coisa que eles costumam fazer na serra gaúcha.

“O que eu fiz para você”, perguntei quando ela se aproximou.

“Você não está vendo que ele está roubando, que não marcou o pênalti?”, perguntou de volta, apontando ao árbitro em campo.

“Moça, tudo que você está falando eu disse na transmissão. Por que você está dizendo essas coisas para MIM?”

“É que você colocou ele lá”, ela respondeu. E eu tive que explicar que quem escala os árbitros é a Federação Gaúcha e que eu não tenho nenhuma influência sobre ela.

No intervalo, um rapaz que estava com a namorada virou e disse: “Aprendeu direitinho como roubar o Juventude, né, preto de merda? Se não fosse a RBS, estaria na Restinga roubando ou morrendo de fome.” Os racistas costumam usar o bairro periférico e violento da Restinga, em Porto Alegre, para me atacar. Quando essas coisas acontecem, os colegas brancos dizem para eu deixar pra lá, que eu sou maior que isso, que estamos juntos, que bola pra frente. Juntos no quê? Deixar pra lá como? Quem sente a raiva e o constrangimento sou eu. Como “estamos juntos”?

Depois de muito tempo ouvindo esse tipo de coisa, eu desenvolvi uma forma de defesa, que também é uma forma de ataque. No final do jogo, quando um cara disse que tinha trazido uma banana (“porque eu sei que tu gosta”), eu falei que gostava mesmo. “Já brinquei muito de banana com tua mãe.” Os amigos dele riram, e o cara saiu com o rabo no meio das pernas.

Tem um motivo de eles sempre se referirem a bananas quando querem me agredir.

No dia 5 de março de 2014, o Esportivo jogou contra o Veranópolis, em Bento Gonçalves, uma cidade perto de Caxias, também na serra gaúcha. Essa é a região mais racista do estado. Logo que saí do vestiário já fui chamado de macaco, negro de merda, volta pra África, ladrão. Falei pros meus colegas:

“Se nem começou o jogo os caras já estão assim, imagina no final.”

Acabou a partida. Jogando em casa, o Esportivo venceu por 3 a 2, e não teve nada anormal no jogo: nenhuma expulsão, nenhum pênalti polêmico, lance de impedimento controverso, nada. Mesmo assim os torcedores se postaram na saída do vestiário para me xingar.

A uma distância de uns dez metros, questionei um senhor que estava com o filho:

“É isso que você está ensinando pro seu filho?”

“Vai se foder, macaco de merda.”

“Uma ótima semana pro senhor também”, respondi e desci ao vestiário. A polícia não fez menção de interpelar os torcedores, mas registrei os xingamentos na súmula.

Tomei meu banho, esperei meus colegas e saí do vestiário pra pegar meu carro, que estava em um estacionamento de acesso restrito à arbitragem e funcionários dos clubes. Encontrei as portas do carro amassadas e algumas cascas de banana em cima.

Ao dar partida no carro, ele engasgou duas vezes. Na terceira tentativa, caíram duas bananas do cano de escapamento. Alguém colocou duas bananas no cano do escapamento. Meu colega Marcelo Barison ficou horrorizado.

Caminhei revoltado para o vestiário. O atacante do Esportivo Adriano Chuva, negro, me pegou pela mão e me levou um pouco mais afastado. Ele disse que ali aquilo era normal. “Você tem que ver o que eles fazem com a gente no centro da cidade.” Ele dizia que os negros do time preferiam jogar fora de casa para não ser chamados de macaco em seu próprio estádio.

Ao chegar em Porto Alegre, refleti sobre o que deveria fazer. Encaminhei um texto para uns jornalistas que eu conhecia, e o caso veio a público. Francisco Novelletto, o presidente da Federação Gaúcha, me ligou, dizendo que eu deveria tê-lo procurado antes de falar com a imprensa, porque a denúncia estava prejudicando a imagem do campeonato. Ele disse que poderia pagar para consertar meu carro.

“Não quero seu dinheiro, quero respeito”, eu lembro de ter dito. Novelletto também sugeriu que se eu continuasse com a denúncia, isso poderia prejudicar a minha carreira. Eles fazem essa chantagem emocional. Eu continuei com a denúncia.

No Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o Esportivo perdeu três pontos por causa desse jogo e acabou rebaixado naquele campeonato. Até hoje, quando querem me atacar, os racistas dizem que fui eu quem rebaixei o clube. Mas eu não rebaixei ninguém. O que eu fiz foi denunciar o ataque absurdo que sofri. O clube nunca entregou a pessoa que colocou as bananas no meu carro.

Tiago Coelho/UOL

Ao longo do processo, me senti desamparado e desvalorizado pela federação. Eu tinha 37 anos e era aspirante à Fifa, imaginava que ainda podia ter uma carreira internacional. Mas, por causa desse episódio, fiquei tão de saco cheio que resolvi largar o apito. Apitei a final do campeonato e parei. Até hoje não posso pisar na federação. A federação nunca mais teve um árbitro negro.

Na esfera cível, processei o Esportivo por danos morais. Durante o julgamento, o advogado deles debochou do racismo que sofri no estádio. “Chamar negro de macaco não é ofensivo”, ele disse. “Ofensivo é amassar o carro porque, como diz a propaganda do posto Ipiranga, todo brasileiro é apaixonado por carro.” Essa frase me fez decidir abandonar o futebol. Em janeiro deste ano, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul condenou o clube a me pagar R$ 15 mil. Até hoje não pagaram.

Eu refleti muito antes de vir aqui contar tudo isso. No futebol, existe uma tendência ao silenciamento quando o assunto é racismo. Muito jogador negro que passa por isso prefere ignorar os ataques temendo ter problemas na carreira se abrir a boca. Outro dia um jogador saiu de campo na Bolívia. Todos deviam fazer o mesmo, principalmente os medalhões.

Eu posso até me prejudicar no trabalho, mas resolvi comprar a briga porque nos fóruns que reúnem negros, costumamos dizer que os racistas podem nos fazer duas coisas: ou eles nos matam ou eles nos adoecem.

Eu me recuso a morrer ou adoecer. Prefiro lutar. Quando esses ataques acontecem, minha mulher, que é negra, me dá a força que ela consegue. Ela sabe muito bem o que é isso. Meus filhos ainda não sabem. Eu fortaleci a consciência da minha negritude principalmente pelo rap, ouvindo aquela música, analisando aquela letra e me identificando com aquela situação retratada.

Os racistas não sabem, mas eles só fortaleceram minha consciência racial. Eu falo pro meu menino que ele é lindo. Enalteço o nariz e o cabelo “black power” dele, digo para ele sempre valorizar a negritude que ele tem. Minha filha tem dois anos e vou procurar fazê-la ter orgulho de si mesma, assim como eu tenho da nossa raça.

Minha briga é por mim, mas também por eles. Os racistas não vão nos matar.

Procurado pela reportagem para comentar a declaração de Márcio Chagas da Silva, o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, afirmou que as críticas do ex-árbitro são injustas e que não deixou de apoiá-lo no episódio de racismo em 2014.

“O Márcio está faltando com a verdade”, afirmou Novelletto. “Quando soube do fato, liguei para ele em um gesto de grandeza para saber o que tinha acontecido. Ele me narrou uma versão ‘super light’ dos fatos e tirou toda a culpa do Esportivo. No dia seguinte, para minha surpresa, apareceu dando entrevista chorando na TV e se dizendo indignado. Achei isso estranho.”

Segundo Novelletto, a federação lançou uma nota de repúdio contra o comportamento do Esportivo e iniciou uma campanha no seu site de combate ao racismo. De acordo com o cartola, as ofensas que Márcio Chagas sofre são consequência da briga que ele comprou contra o Esportivo. “Eu se fosse patrão dele, não mandava ele para trabalhar nessas cidades, você sabe como torcedor é.”

Para o cartola, não é papel da federação defender o árbitro porque “ele é um prestador de serviço”. “E os donos da federação são os clubes”, disse ele.

Esportivo diz que assunto ficou no passado

Presidente do Esportivo desde 2017, Anderson Vanela afirmou que o clube não faria maiores comentários sobre o episódio das bananas em 2014 porque “o assunto ficou no passado.”

“O clube acata a decisão judicial, mas não concorda. A cidade se machucou muito, a comunidade inteira sentiu. Bento Gonçalves é uma cidade turística, que acolhe a todos e não tem em seu histórico qualquer tipo de ato racial”, afirmou Vanela.

O Esportivo já fez o depósito dos R$ 15 mil a título de reparação a Márcio Chagas. “Aqui no clube ninguém mais fala do assunto.”

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– Foi pênalti ou não em Bahia 3×2 Corinthians?

Eu não havia conseguido salvar o link para publicar o lance, e o recebi do ex-árbitro e comentarista esportivo, prof Valdir Bicudo. Se refere ao discutido puxão na camisa de Ralph no estádio Fonte Nova (o vídeo encontra-se abaixo).

Tal situação merecia uma atenção especial e a avaliação do árbitro, importunado pelo VAR. Afinal, o sistema tecnológico e o investimento em pessoal é necessário para tais situações, a fim de dirimir tais dúvidas. Além, claro, de custar muito caro.

Não tenho dúvida disso de que o árbitro de vídeo deveria chamar o juizão. Entretanto…

Ao ver a imagem, eu não daria pênalti! Lembre-se: puxar a camisa “por si só”, sem influenciar / barrar / modificar a ação do adversário, não necessariamente significa uma infração. Avalie: o experiente jogador corintiano, ao sentir o puxão da camisa na vacilada do atleta baiano, se jogou para cavar o pênalti ou realmente foi impedido de prosseguir com sua corrida?

O futebol é maravilhoso por tais discussões. Acertou por linhas tortas o árbitro em nada marcar (por conta de não ter visto). 

 

– Análise Pré-Jogo da Arbitragem de Paulista x Amparo, Rodada 05

Márcio Mattos dos Santos, 33 anos de idade, professor de Educação Física, em sua 7ª temporada na carreira, apitará o jogo do Galo nesta 5ª rodada da Segunda Divisão Sub 23 – Profissional. Somente agora em 2019 teve oportunidade de apitar jogos profissionais (nas outras 6 temporadas trabalhou apenas nas categorias amadoras como árbitro central). Nesse certame, 2 empates sem gols: Brasilis 0x0 Independente e União Mogi 0x0 Joseense.

De novo, um árbitro que começa sua carreira profissional “pra valer” sendo escalado em jogo no Jayme Cintra. Não critico, pois essa divisão é a ideal para testar quem “vai vingar” ou não, e Jundiaí é cidade próxima para a FPF observar in loco o desempenho de quem ela escala. Afinal, é a primeira das divisões profissionais depois das amadoras. Aguardemos para conhecer o estilo de arbitragem do juizão, até agora desconhecido.

Desejo uma bom trabalho do quarteto de árbitros e um grande jogo por parte das equipes.

Acompanhe a transmissão de Paulista x Amparo pela Rádio Difusora Jundiaiense AM 810, com o comando de Adilson Freddo. Narração de Rafael Mainini; comentários de Heitor Freddo e Robinson “Berró” Machado; análise da arbitragem com Rafael Porcari; reportagens de Luiz Antonio “Cobrinha” de Oliveira. Quarta (feriado) às 10h00 – mas a jornada esportiva começa a partir das 09h00 para você ter a melhor informação com o Time Forte do Esporte.

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– Há 9 anos, o que ficou e o que vejo da carreira de árbitro?

Encerrei exatamente há 9 anos minha carreira de árbitro de futebol. Foram mais de 700 partidas trabalhadas, em diversas divisões e funções.

Eu gostaria de estar em atividade?

Claro, creio que não só eu, mas muitos aposentados do apito, que ainda apitam suas partidas em seu íntimo nos seus sonhos. Vestem o uniforme e se transformam dentro dos gramados que imaginam.

Mas, definitivamente, acabou. Termina para sempre quando perde a motivação, e o desejo de voltar sucumbe à realidade. A saudade de estar em campo é enorme. A disposição em obedecer aos dirigentes burocráticos (e muitos, soberbos e irônicos) é nula.

Quanto tempo não há renovação dos cartolas? Maior do que o da renovação dos árbitros…

A distância entre o prazer da arbitragem é abissal em relação às humilhações que se têm que fazer e viver nas comissões de árbitros. Reuniões enfadonhas, falta de meritocracia, sacerdócio que se doa em vão. Contraste absurdo da paixão de apitar uma partida de futebol em meio a um segmento cada vez mais restrito a “donos de cargos”, onde a vida sindical se mistura ao ofício de dirigentes patronais. Questionar a quem e contra quem?

Enfim, vida que segue e família que se curte (coisa que não se consegue enquanto árbitro, que não é mais o conhecedor das regras do futebol, mas o atleta que deve somente correr, correr e correr dentro de campo, acatando orientações de “bola na mão que viram mão na bola”).

Hoje, mato a saudade do meio em que vivi falando de futebol e arbitragem na TV, no rádio, no jornal e na internet. E assim sou feliz!

Uma singela constatação: se a carreira de árbitro fosse mais justa, mais competentes os nomes seriam, menos árbitros de potencial teriam que encerrar suas trajetórias e trocaríamos a exigência física pela técnica. Aliás, como exigir algo, se os dirigentes não querem o profissionalismo verdadeiro, transformando a causa em discursos demagogos?

Férias, INSS, 13o e plano de saúde ao árbitro… Tudo ilusão e são causas que não estão na pauta dos Sindicatos! Afinal, quem quer brigar com a CBF e suas Federações aliadas?

O “INAMPS” (ou a Unimed, a Amil e tantos outros planos de saúde) estão aí para os árbitros lesionados…

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– O Fair Play do time de Bielsa

Marcelo Bielsa usou de um Fair Play “polêmico” na segunda divisão do Campeonato Inglês, e com isso perdeu a chance do acesso direto “dependendo das próprias pernas” da sua equipe, o Leeds.

Entenda como foi:

Extraído de: https://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/ingles/ultimas-noticias/2019/04/28/time-de-bielsa-ignora-fair-play-faz-gol-e-gera-confusao-na-inglaterra.htm

TIME DE BIELSA IGNORA FAIR-PLAY, FAZ GOL E TREINADOR “DEVOLVE O GOL”

Em partida válida pela segunda divisão do Campeonato Inglês, Leeds e Aston Villa protagonizaram um duelo quente, que gerou muita confusão.

Até os 25 minutos do segundo tempo, as equipes empatavam em 0 a 0, até que tudo mudou. Jonathan Kodjia, do Aston Villa, foi derrubado por um adversário e ficou caído no gramado. O Leeds, porém, ignorou o fair-play, não jogou a bola para fora e continuou jogando normalmente.

Na sequência do lance, Mateusz Klich recebeu a bola e bateu colocado, abrindo 1 a 0. Como era de se imaginar, os jogadores do Villa se irritaram e partiram imediatamente para cima dos rivais, dando início à confusão.

Do lado de fora, o clima era igualmente quente, com a discussão entre os técnicos Marcelo Bielsa e John Terry. Nesse meio tempo, o atacante Anwar El Ghazi ainda foi expulso.

Mas a confusão não parou por aí. Bielsa decidiu agir sob o fair-play e mandou seu time parar completamente após a saída de bola do Aston Villa, permitindo o empate.

Assim, a partida terminou em 1 a 1 e agora o Leeds, em terceiro lugar com 83 pontos, não tem mais chances de conseguir o acesso de maneira direta.

O empate ainda ajudou um dos concorrentes do time na tabela: o Sheffield United venceu o Ipswich Town e garantiu a segunda colocação e a vaga na primeira divisão inglesa.

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– A nova estratégia de barreira dupla em São Paulo 2×0 Botafogo

Uma das novidades das mudanças das Regras do Jogo é a proibição de que, em caso do time que defende fazer uma barreira na cobrança de falta, os adversários se misturem nela (a equipe defensora não tem direito de fazer a barreira, eles se aglutinam por que querem; quem pode reclamar é o batedor da falta, exigindo a distância – e daí a existência de casos onde quem cobra rápido abre mão dela).

Era muito comum aquela confusão de atacante ficando na frente da barreira ou misturado nela para atrapalhar (já que a barreira não existe na Regra do Jogo, os defensores se aglutinam e fazem esse “paredão” porque querem, como explicado acima). Mas se existir, os companheiros de quem cobrará a falta deverão a partir de agora se manterem distantes 1 metro.

Assim, vimos na Rodada 01 do Brasileirão uma mini-barreira do ataque, na cobrança de falta a favor do Botafogo. Tudo dentro da permissão da Regra.

A minha única dúvida é: ela funciona? Realmente ajuda o batedor?

Por ser algo novo, aguardemos.

– Projetando o melhor árbitro do Brasileirão 2019. Que tal e o que esperar?

Enquanto a mídia especializada faz prognósticos sobre quem começará bem o Brasileirão, quais clubes serão os favoritos ao título ou ainda as discussões sobre o VAR no torneio, gostaria de observar duas coisas poucos exploradas:

  1. Os Estaduais ainda resistem para que alguns clubes tenham o que comemorar. É sabido que muitas vezes o torneio é enganoso, e que tem muito time grande que ainda existe porque pode comemorar título regional contra os pequenos. No Nacional, bulhufas! Esses campeonatos servem como pré-temporada (ou deveriam servir), para ajeitar as equipes, além de preparar jogadores e árbitros.
  2. Quanto a isso, vejo dois nomes muito à frente dos demais em dificuldades enfrentadas nas escalas e jovialidade, buscando não só um bom trabalho no Brasileirão, mas a indicação para a Copa do Mundo 2022: Raphael Claus e Anderson Daronco.

Seriam eles os melhores árbitros “esperados” para esse ano? De certo, estarão nos jogos mais difíceis. Teremos árbitros experientes e capacitados (Marcelo de Lima Henrique ou Leandro Pedro Vuaden, por exemplo). Mas o que difere os dois primeiros citados dos dois mais rodados é a possibilidade real de apitar um Mundial da FIFA.

Seguindo essa linha: Claus e Daronco são “fortões”, impondo respeito. São admirados por jovens árbitros e conseguem ter a autoridade plena exercida sobre os jogadores, transmitindo segurança. Mas a diferença é: Claus, hoje é (ou está) melhor tecnicamente do que Daronco! Perceba nos jogos do Brasileirão 2018: muitos “errinhos” que passavam despercebidos nas atuações do gaúcho, coisa que não acontecia com o seu colega paulista.

Quando Claus surgiu para a grande imprensa, foi através de uma escala num mata-mata do Paulistão entre São Paulo x Santos. Fez o jogo da vida dele e agarrou a oportunidade. Mas pecava (por desatenção, relaxamento ou ainda por estar ganhando experiência) nas atuações medianas realizadas em jogos menos importantes. Hoje isso mudou: é senhor da partida, seja o grau de dificuldade que ela exercer. Daronco está nesse processo de aperfeiçoamento e busca da excelência.

Muitos crêem que a FIFA levará Wilton Sampaio para o Catar. Pode ser, mas como VAR, já que ele tem essa expertise. Para o apito, se estiverem no mesmo nível, os dois melhores serão as opções discutidas nesta postagem.

Em tempo: viram que a CBF, através de Leonardo Gaciba, escalou para cada jogo uma novena de gente para a arbitragem? Não se perca pelo nome, que está correto: 1 árbitro, 2 bandeiras, 1 quarto-árbitro, 1 observador de campo, 1 árbitro de vídeo, 2 assistentes de VAR e 1 supervisor de protocolo. Com tal investimento, tomara que tudo dê certo. Para o bem do futebol e da arbitragem, torço para o Gaciba – mas que tenha entrado na CBF realmente para mudar as coisas (pois para manter o que já se via e ficar com os mesmos pares das antigas comissões, não vai dar…).

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– LDU 2×1 Flamengo e o gol de Bruno Henrique

Dúvida no comentário! 

Viram o gol de Bruno Henrique, do Flamengo, contra a LDU?

Pois bem: a bola bateu / resvalou despretensiosamente em seu braço / mão. Hoje, isso é válido. A partir das novas mudanças da Regra, não.

Carlos Eugênio Simon, na Fox Sports, comentou isso com perfeição, concordando com o que escrevi acima: o gol foi legal. Já Sandro Meira Ricci, na TV Globo, foi diferente, dizendo que o atleta tirou proveito e o gol ilegal. Respeito a interpretação dele, mas discordo.

Eu já havia discordado do Ricci no Palmeiras x Sao Paulo (clique aqui: https://wp.me/p4RTuC-n1a); entendo que trabalhar como comentarista é algo novo em sua vida e vai se adaptando aos poucos. Mas há de se tomar certos cuidados com a atenção a esses detalhes, pois a massa que escuta (e pode ser influenciada) é grande.

Insisto no que já escrevi: boa sorte ao ex-árbitro da FIFA Sandro Ricci, mas discordo dessas duas situações pontuadas. 

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– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Atlético Mogi x Paulista FC

Gostei bastante da escala para o próximo jogo do Galo em Mogi das Cruzes: é dessa forma que se faz a correta renovação da arbitragem!

Abaixo a escala e as explicações:

Árbitro: Matheus Delgado Candançan
Árbitro Assistente 1: Alex Alexandrino
Árbitro Assistente 2: Fabrício da Silva Costa
Quarto Árbitro: Luiz Carlos Ramos Júnior

Matheus está entrando apenas em seu 3o ano como árbitro da Federação Paulista, portanto, muito jovem. Me recordo muito de Demétrius Pinto Candançan (provavelmente seu pai ou tio), um árbitro da minha geração e que era muito bom; porém, devido a uma sequência de contusões, teve a carreira atrapalhada. Se herdou a vocação da arbitragem, isso é uma vantagem.

Para dar suporte a ele, dois bandeiras experientes. E como quarto-árbitro, um juiz veteraníssimo que já esteve na série A1 por alguns anos.

Insisto: é essa a escala ideal que se deve fazer nas divisões de baixo: nada de “árbitro velho de casa” sendo escalado (que não chegará mais à elite e que fica vagando uma escala ou outra), mas dar oportunidade aos jovens, sempre com pessoal qualificado do lado, a fim de lhe dar segurança.

Desejo boa sorte à arbitragem e grande jogo para as equipes!

Acompanhe pela Difusora AM 840, sábado, às 15h, com a narração de Rafael Mainini. A jornada começa às 14h, com o comandante do Time Forte do Esporte, Adilson Freddo!

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Ops: apesar da arte, o mando é do Atlético e o jogo em Mogi.

– O mau uso da “Regra dos Estrangeiros” nos times brasileiros: Bryan Ruiz e Romero.

Não gosto do excesso de jogadores estrangeiros nas equipes do Brasil. Já fiz algumas considerações oportunas sobre os prós e contras, falando de intercâmbio, revelação de atletas e oportunidades financeiras em: https://wp.me/p4RTuC-mzl.

Volto a esse assunto pois leio: o Santos FC possui 7 estrangeiros em seu elenco (podem jogar até 5). E uma questão me incomoda: o costa-riquenho Bryan Ruiz está por lá ainda, há 5 meses treinando sem jogar (pois não será aproveitado) e recebendo normalmente.

Quem banca esse prejuízo?

Se os clubes fossem S/A sérias, cabeças já tinham rolado e esse tipo de absurdo não aconteceria. Por que foi contratado? Quais as cláusulas tão impeditivas de encerrar o vínculo? Quem foi o responsável pelo mau negócio?

Quantos jogadores nessas mesmas condições estão por aí… Digo o mesmo de Romero, que foi muito bem pelo Corinthians e está sem jogar nesse semestre por conta do encerramento do seu contrato. Ora, se quer ir embora, que abra mão do vínculo. Se não é isso, seja profissional e jogue! Por quê o Corinthians aceita isso passivamente?

Há certas coisas inexplicáveis no mundo da bola… É difícil crer que tudo isso aconteça simplesmente por incompetência e não ter uma pontinha de dúvida imaginando algum rolo envolvendo empresários de atletas e de clubes…

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