– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Tupã x Paulista

Como o jogo é importante, o árbitro escalado é bom: para o confronto do Índio da Alta Paulista versus o Galo da Serra do Japi, teremos Danilo da Silva – um árbitro que está “prestando vestibular” para apitar a 1a divisão.

Explico: o juizão de 35 anos e há 12 temporadas na FPF tem feito uma caminhada bem sólida na sua carreira: todo ano sobe uma divisão, se firma nela, e aí tem oportunidades melhores. Em 2019, teve as primeiras oportunidades na série A2, solidificou-se na A3 e nos jogos mais importantes da Segunda Divisão foi escalado. É o árbitro mais gabaritado sorteado na Rodada.

Danilo é bem sereno dentro de campo, tem um estilo de arbitragem moderno (é muito bom em critérios disciplinares) e está lutando para apitar pela primeira vez um jogo da série A1 em 2020. Gostei da escala.

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– O pênalti inexistente em Palmeiras 4×0 Godoy Cruz

Não dá para deixar de falar sobre o ridículo pênalti marcado no Allianz Parque. Não foi mão intencional nem movimento natural, foi simplesmente uma bola que resvala involuntariamente no braço do defensor Varela (GOD), e que na sequência Borja (SEP) pede “mão na bola”.

Foi assim: o árbitro uruguaio Esteban Ostojich (que é muito jovem e inexperiente em confrontos importantes de Libertadores) foi alertado pelo VAR boliviano Gery Vargas (que não é lá do primeiro time de árbitros internacionais) e resolve marcar a penalidade. Faltou autoridade e independência.

Pergunto aos amigos: se aqui no Brasil, com treinamento e sequência de jogos, o árbitro de Vídeo está funcionando de maneira ruim, imagine a frequência de uso do equipamento por Vargas e Ostojich, árbitros que não possuem o VAR em seus países e só o usam vez ou outra?

O lance aqui, no tuíte da FOX (abaixo):

FOX Sports Brasil

@FoxSportsBrasil

FOI OU NÃO? Veja o lance polêmico no Allianz Parque pelo !

O juiz checou no VAR, marcou a penalidade, e o Palmeiras abriu o placar!

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– O VAR é um desastre, diz Arnaldo.

Leram a Folha de São Paulo do último domingo?

Em sua Seção de Esportes, página B7, o jornal publicou um artigo do ex-árbitro FIFA e emblemático comentarista da Rede Globo por muitos anos, Arnaldo César Coelho. Ele dissertou sobre o VAR, e faz algumas críticas que comungo com ele. Mais anda: falou sobre ‘O Negócio VAR”. Abaixo:

DO JEITO QUE ESTÁ, O VAR É UM DESASTRE E MEXE COM A ESSÊNCIA DO FUTEBOL

​Com o tratamento atual, o VAR é um desastre.

Mexeram com a essência do futebol, que é o gol. O cara não vibra como poderia vibrar ou vibra depois de seis minutos. Isso é o principal.

Mudou o comportamento dos jogadores. Criou-se o hábito de reclamar sempre porque, com as reclamações acintosas, o VAR pensa: “Será que tem alguma coisa que não vi?”. Aí, vai pesquisar e gasta 6, 7, 10 minutos para ver o lance. A França foi campeã do mundo usando esse recurso da estreia à final.

Os árbitros perderam sua função. Você pode botar um gandula de bandeirinha. Ele entra ali para marcar lateral e fica com a bandeira para baixo nos lances de impedimento. Se sair o gol, vão revisar. Se vão revisar de qualquer maneira, para que levantar?

A marcação do impedimento não se resume àquela linha que traçam no gramado. A imagem tem de ser pausada no exato momento do passe. Já houve lances em que a imagem usada não era a do momento do passe.

Também não pode ser ignorado o negócio VAR. São 3 empresas no mundo que fazem. Uma é inglesa, que já entrou na Conmebol e em outros lugares; uma é belga, que está no Brasil, e uma é japonesa, que não emplacou e está refazendo seu equipamento. Tudo isso custa caro.

Os mesmos dirigentes que estão hoje na Fifa e decidiram implantar a arbitragem de vídeo eram contra quando estavam na Uefa. Agora, a entidade ministra cursos no mundo todo por uma grana alta. Sem falar nas empresas responsáveis pela operação.

Sou favorável à tecnologia, mas ela foi totalmente deturpada. Ela foi criada para mostrar se a bola entrou. Mas o custo benefício disso é muito caro.

Por isso e por não concordar com essa intolerância com o erro humano, sou cético. Da forma que está, o VAR é um desastre.

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– O pênalti decisivo a favor do Tricolor Paulista no Maracanã: sobre Fluminense 1×2 São Paulo

Confesso: olhei com muita boa vontade o lance derradeiro do jogo de sábado a noite no Maracanã. Após a cabeçada de Everton (SPFC) a bola teria sido tocada intencionalmente com a mão por Allan (FLU). Não consigo entender como pênalti.

Vale destacar: o árbitro Anderson Daronco estava muito bem posicionado, de frente para o lance. Nenhum jogador do São Paulo reclamou de pênalti por não ter visto essa mão intencional. Mais do que isso: nas imagens do Globoesporte.com, em algumas outras do YouTube e por diversas vezes vendo o replay, eu também não consigo enxergar qualquer movimento deliberado ou antinatural que possa ter cometido o atleta do time carioca.

Me estranha muito Daronco ter mudado sua decisão após a consulta ao VAR, insisto, pois ele tinha uma visão privilegiadíssima da jogada, e sendo lance interpretativo, estaria ele mais capacitado de entender se foi infração ou não.

Porém, sorte do Anderson Daronco que repercutirá muito pouco. Errar em jogo no sábado a noite e por PPV é muito menos danosos para a imagem do árbitro do que no domingo às 16h na TV aberta. É fato.

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– Análise da Arbitragem para Paulista 2×0 União Suzano

Um jogo muito estranho, de imensa superioridade do Paulista em domínio territorial (não resultante em tantos gols como se esperava), e que inicialmente parecia desinteressante por algumas situações de ansiedade.

Explico: com 20 minutos de jogo, tínhamos 12 faltas: 2 do União Suzano e 10 do Paulista (praticamente todas de ataque, com empurrões em zagueiro ou situações de excesso de vontade). Até que saiu um Cartão Amarelo corretamente a Gabriel Terra (PFC) aos 22m, quando o jogo passou a ser levado mais atentamente. Após esse lance, os jogadores colocaram a bola no chão e o gol do Paulista saiu com naturalidade. Depois disso, as faltas cessaram e o jogo fluiu (nos demais 23m + 3m de acréscimo, só ocorreram outras duas infrações cometidas pelo Galo).

Não tivemos exigência alguma para o árbitro Jefferson Dutra Giroto (uma ou outra falta não marcada, em especial no seu xará Jeferson, atacante do Paulista), pois a partida, como falamos, foi extremamente atípica (lembrando que no jogo passado, USAC perdeu de 8×0 do PFC e se falava de um possível WO em Jundiaí). Tanto o Árbitro Assistente 1 Vladimir Nunes da Silva quanto o Árbitro Assistente 2 Felipe Camargo Moraes fizeram seu dever corretamente, em especial com os impedimentos.

Vale lembrar: o União Suzano subiu ao campo 5 minutos atrasado para o início de jogo e outros 5 minutos no reinício.

Faltas: PFC 18 x 7 USAC (no 1o tempo, 12 x 2).

Cartões Amarelos: PFC 1 x 0 USAC

Cartões Vermelhos: PFC 0 x 0 USAC

Renda: R$ 11.900,00.

Público: 903 pagantes.

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(Como na foto, com frequência vimos essa imagem: 21 atletas no campo de ataque do Paulista – só o goleiro do Galo no seu lado).

– Os 3 passos para o protocolo FIFA contra a Discriminação no Futebol!

Desde 15 de julho, a FIFA ampliou como norma mundial um procedimento em 3 etapas que adotou como “Protocolo contra a Discriminação”. Entenda isso com os exemplos de: Imitar Macaco / Jogar Banana (Racismo), Gritar “Bicha” / “Puto” no Tiro de Meta (Homofobia), Fazer gestos sexistas (ironizar uma atleta / oficial de arbitragem por ser mulher), cantar música que possa fazer alusão a jingles políticos ou gestos (cantos neonazistas) e ou manifestação religiosa preconceituosa (atos anti-semitas).

Se isso acontecer, 3 passos a serem providenciados pela arbitragem:

  1. Interromper o jogo, com o sistema de som e imagens do estádio advertindo a conduta. Se possível, identificar quem iniciou. Reiniciar em seguida.
  2. Interromper o jogo novamente por minutos, com a permissão de que se crie um intervalo e os atletas possam deixar o campo, ir aos vestiários e voltarem com tudo controlado / mais calmo. Somente aí o jogo é reiniciado.
  3. Interromper o jogo, anunciar o motivo que será comunicado pelo árbitro às pessoas responsáveis pela informação aos torcedores e encerrar definidamente a partida.

Claro que tudo isso depende de qual ato e como tem sido feito. Mas é uma forma de advertir em 3 momentos uma torcida que não se comporta bem para o clube não perder os pontos do jogo por conta da conduta discriminatória dos seus aficcionados. 

Reforçando: isso já valia para jogos FIFA desde 2017, mas desde o dia 15 passou a valer mundialmente em qualquer tipo de jogo, de Copa do Mundo até a 4a divisão regional.

Na imagem abaixo, o quadro que relata os 61 casos de discriminação oficialmente contabilizados no futebol brasileiro em 2017:

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– Messi e a punição de mentirinha!

A Conmebol realmente é rigorosa, hein? Puniu Lionel Messi com uma multa de R$ 5.600,00 e um jogo de suspensão por criticar a entidade durante a Copa América.

Para quem ganha US$ 3.000.000,00 em salário e contratos publicitários, não é nada. Para quem precisa de uma folga da Seleção Argentina, um joguinho de descanso é bom.

Se fosse séria, a Sulamericana seria mais contundente. Ela precisa do Messi, a Seleção Argentina precisa dele e o Espetáculo em si tem como ele o ator principal hoje. Já Messi não precisa nem da Conmebol e nem da Seleção do seu país.

E aqui fica a questão: quando os clubes se reunirão e criarão uma entidade representativa HONESTA, a fim de substituir a Conmebol, que sabidamente não é? Vide os presidentes presos, os membros acusados e os escândalos surgidos…

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– Pelo não WO em Jayme Cintra.

Jogador quer jogar e provar ao treinador que tem qualidades. Árbitro vem com o “apito entre os dentes” para mostrar serviço. Torcedor quer ver seu time ganhando dentro de campo com muitos gols. A Imprensa vem pronta para dar o melhor de si. Tudo fica armado, o espetáculo é preparado e… o outro time não aparece?

Digo isso por questões lógicas: e se o União Suzano não aparecer no sábado para enfrentar o Paulista em Jundiaí? 

É muito chato vencer por WO (aliás, uma curiosidade: o termo WO vem de WalkOver, uma expressão inglesa que surgiu nos primórdios da bola e que mais ou menos significa  “vitória fácil”). Além disso, há certas complicações para ambas as equipes.

Imagine: tendo o Paulista vencido por 8×0 em Suzano, a lógica diria que em Jundiaí também teríamos um placar elástico. Os jogadores reservas poderiam ter oportunidade, o treinador poderia fazer testes que não costuma fazer, o torcedor ficaria feliz em ver a vitória e os jogadores que brigam pela artilharia poderiam aumentar o saldo de gols. Se vencer por WO, o placar será 3×0 (e nenhum jogador terá gol computado, somente a equipe leva essa contagem além da vitória em si). Será que não seria melhor para o Galo ter jogo? A propósito: acho que terá jogo sim, pois os atletas remanescentes querem jogar para apagar o fiasco anterior, é meta pessoal  e natural de cada um deles.

Imagine o seguinte: e se o União Suzano der um WO contra outras equipes nas rodadas seguintes? Elas ficarão muito bravas, pois terão a vitória na tabela e mais 3 gols, sendo que poderiam golear (e somente o Paulista conseguiu “turbinar” seu saldo com o jogo do 1o turno da 2a fase).

Mas já tentou pensar com a cabeça de “quem assina o cheque pelo lado do USAC”?

Ora, o time teria na tabela uma derrota contabilizada e 3 gols de saldo negativo computados, além de uma multa aproximada de R$ 20.000,00. Se o jogo for longe, qual seria a despesa de viagem, alimentação, estadia e gols sofridos? Às vezes, dependendo do adversário e da distância, o WO é um prejuízo financeiro menor (embora um prejuízo muito grande esportivamente).

Agora, cuidado com as situações de excessão à regra. Não compare um time que poderia / ou pode abandonar um campeonato (já não estou mais no mérito do União Suzano), com alguma equipe que sofra algo de comoção nacional. Entenda: se uma agremiação abandonar a disputa por falta de dinheiro / competência / desorganização, ocorre o WO nos jogos que não disputar (comunicando a desistência ou não, vai diferenciar apenas se a estrutura do jogo será montada ou dispensada). Se ocorrer um fato como o acidente aéreo da Chapecoense, onde se perde valores incomensuráveis (a vida de cada um dos muitos mortos), a situação muda: pode-se anular simplesmente todos os jogos da equipe do torneio, e a tabela ser contabilizada sem os resultados dos confrontos ocorridos e cancelando os vindouros. Reforçando: o motivo é indiscutível do WO, pois a equipe toda conheceu um destino terrível e inexiste na prática.

O que é indevido, e até mesmo um atentado contra as regras e bom senso, é uma equipe abandonar o torneio por incompetência financeira / administrativa e não ser punida. Aí, é WO mesmo e repensar se ela poderá disputar no ano seguinte ou não o campeonato (caso não esteja previsto no regulamento e ela tiver pontos suficientes para não se rebaixada de divisão).

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– Competência, Sorte e Experiência: sobre o pênalti inexistente de União Suzano 0x8 Paulista

Não existe “campeão azarado” no futebol. Ou você, caro leitor, consegue apontar algum?

Não gosto de expressões “sorte” ou “azar”, creio que alguém “sortudo” é aquele que teve a oportunidade e abraçou com firmeza sua chance. Assim, gostaria de falar sobre a ótima goleada do Paulista frente ao União Suzano no sábado.

O Galo tem:

1. Competência: ninguém faz a melhor campanha de um torneio (como tem feito) à toa. É merecedor do sucesso até agora, indubitavelmente.

2. Sorte: jogar contra um adversário que se classifica para a 2a fase e perde 14 jogadores por falta de pagamento, é incomum. Não era a última rodada contra um eliminado, mas fase classificatória visando o acesso. Fez seu dever.

3. Experiência: apesar da juventude limitada a atletas Sub 23, o lateral Vitor Emerson usou de malícia e cavou um pênalti “bem simulado” na partida. Quando o zagueiro de Suzano vai dar o carrinho na bola, o jogador do Paulista acaba por adiantá-la e salta, deixando seu pé bater no corpo do adversário que está deslizando. Enganou o árbitro e conseguiu o tiro penal.

Não faço apologia a unfair-play, mas registro que o Galo, que tem feito jogos com pouquíssimas faltas e toma raríssimos cartões, aprendeu a não ser tão inocente. E assim como não há campeão azarado, não há vencedor bobo.

Tudo conspira a favor do Tricolor Jundiaiense até agora. O XV de Jaú, que seria o grande adversário até o final da 1a fase, sinaliza ter “perdido a mão”. Está me parecendo que o único time que pode tirar o acesso à A3, nessa toada, é o próprio Galo (coisa que o time não quer).

O lance relatado no minuto 1’35”, em: https://www.youtube.com/watch?v=TUhZ6hclvc8&feature=youtu.be

– A 1a Promessa Não Cumprida de Marco Polo

Há exatamente 5 anos, publicávamos uma entrevista do recém empossado presidente Marco Polo Del Nero. Olha só o que ele prometeu E NÃO CUMPRIU como “1o ato”!

Extraído de: http://wp.me/p4RTuC-6Kn , de (22/07/2014).

O 1o ATO DE MARCO POLO

Passou batido devido à Copa do Mundo. Mas foi de extrema cara-de-pau a entrevista do Presidente da FPF e já eleito mandatário da CBF, Marco Polo Del Nero, à Revista Isto É (ed 2325 de 18/06/2014, pg 6-12 à Rodrigo Cardoso e Yan Boechat).

Nela, louvou a administração Ricardo Teixeira e defendeu sua honestidade; disse não precisar de auditoria numa entidade tão (acreditem) transparente como a CBF!

Questionado sobre qual será o seu primeiro ato como Presidente, disse:

Melhorar a arbitragem nacional. Temos de preparar os árbitros à altura. Profissionalizar os árbitros. Fizemos uma experiência na Federação Paulista de Futebol com 20 árbitros. Pagamos salários a eles por um determinado tempo e a qualidade da arbitragem não melhorou. O que fizemos aqui foi dar assistência psicológica e técnica para prepará-los. Penso em trios de arbitragens fixos. (…) E o segundo ato é fomentar o futebol da melhor maneira possível“.

Como? Ele quer profissionalizar mas alega que a tentativa da FPF não melhorou a qualidade da arbitragem? Incoerente…

O problema é: qual o conceito de profissionalização de Marco Polo? Na Federação Paulista, pagou R$ 1.300,00 a “10 árbitros ouro” e R$ 800,00 a “10 árbitros prata” por mês. Em troca, os árbitros deveriam ter disponibilidade para reuniões e treinamentos quando solicitados.

Ora, R$ 1.300,00 mensalmente é salário digno de árbitro profissional de elite? Qual médico, advogado, professor ou administrador largará mão de sua atividade por esse valor, arcando com as viagens a SP, despesas diversas e falta de registro na carteira de trabalho (sem direito a Férias, INSS e 13o)?

Profissionalizar é dedicação plena à atividade, com salário equivalente ao esforço e a responsabilidade da função, com encargos trabalhistas sendo pagos pelo empregador. Só com tal empenho poderá se cobrar o árbitro de verdade.

Para mim, discurso demagógico de Del Nero. E para você?

Aliás, por fim, confesso: como assinante da Revista Isto É, fiquei frustrado por não ter uma pergunta incisiva, dura, firme sobre polêmicas que norteiam a CBF, tampouco contra-argumentos às respostas. A publicação ficou a dever…

Abaixo, fotos dos árbitros profissionais europeus:
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