– Como se Frauda uma Partida de Futebol?

(Repost de 15/07/2011)

Amigos, há tempos que eu desejava escrever tal post sobre esse assunto. Faltava-me um pouco de competência intelectual. Mas, enfim, aqui vai uma abordagem delicada sobre o tema: fraude em partidas de futebol.

COMO SE LESA UMA PARTIDA DE FUTEBOL?

Quando um clube perde uma partida de futebol em lances polêmicos, muitas vezes se ouve a expressão: “perdeu roubado”, ou “o juiz roubou”. No esporte, a palavra “roubo” tem uma outra conotação, não criminal, mas no sentido de revolta por determinada atuação ruim.

Assim, muitos torcedores mais exaltados entendem o “roubo” como algo corriqueiro, e teorias conspiratórias são levantadas a cada rodada, dependendo de quem é o time “escolhido” para ser campeão.

Mas, existe “roubo”, no sentido pleno da palavra, no futebol?

É difícil provar. Militei 14 anos no futebol profissional como árbitro. Vi e vivi muita coisa. Esquema organizado não há. O que ocorre são: a interferência política e os interesses em se agradar certos nichos, através da utilização dos árbitros, como instrumento de manipulação.

E como funciona?

Ninguém pedirá para alguém ‘fazer o resultado’ para time x ou time y. Se algo for solicitado a algum árbitro, o desejo de denunciar o pedido, de ir à imprensa e escancarar tal golpe é maior do que a vontade em se realizar tal solicitação corrupta. Mais: como dirigente de futebol conversa com seus pares, o nome do apitador sempre causaria arrepios em cada escala, já que se você se vende para um clube, por que não para outro? Em tempos passados isso até seria possível; mas com o advento da informática e inúmeras câmeras de TV, todo mundo vê possíveis desvios de conduta, algo não tão perceptível antes pela menor influência e visibilidade através das comunicações.

Mas há algo que importuna: o uso das características dos árbitros dentro dos seus perfis. É aí que mora o perigo.

Tento classificar 4 tipos de árbitros:

1) Caseiros
2) Mediadores
3) Narcisistas
4) Cumpridores

Vamos falar de cada um deles, e aí fica claro como se usa determinado nome para determinado tipo de jogo.

1) CASEIRO

Seu time precisa ganhar o jogo e joga em casa contra time pequeno? Garanta um árbitro caseiro. Está cheio de cartões amarelos e não pode perder atletas para a próxima partida? Ele garante!
O CASEIRO é aquele medroso, onde na dúvida sempre decidirá pelo time grande ou quem joga em casa. Ele quer evitar gritos da torcida contra si, se previne contra chutes na porta do vestiário e se preocupa com o sorteio da próxima rodada. Para que se preocupar com reclamações do time grande, que tem mais peso num suposto pedido de veto? Time grande ganhar de pequeno é natural, então… Não há porque correr riscos. O árbitro caseiro é o “banana”, que tende a favorecer o grande.

2) MEDIADORES

É o que não se compromete com ninguém. Ou se compromete com os 2. Clássico de peso, times em situação delicada? Escale o mediador: em lances duvidosos, utilizará o mesmo critério sempre (mas o critério que agrada o clube: se tiver que expulsar ou não atletas, não expulsará ninguém; precisará dar falta no meio de campo em vários lances; se preocupa muito com a reação dos bancos e treinadores…) Tal árbitro não será questionado pelos cartolas, pois administra o jogo. É o árbitro que dá o nefasto “perigo de gol” em todo o jogo e faz vista grossa em diversos lances.

3) NARCISISTAS

Já viu aquele árbitro que quando o jogador tenta abordá-lo ele já tem chilique? No melhor estilo “otoridade”, quer ser rotulado como o ‘bonzão’, que não aceita outra pincha a não ser a de ‘porra-louca’. Adora um holofote! Clube mandante sofre com ele, pois, para mostrar que não aceita pressão, faz de tudo para que este perca (até mesmo inconscientemente), na idéia errônea de que quanto mais vitória o visitante tiver, melhor o seu histórico de jogos apitados. No fundo, morre de medo de ser taxado como fraco e acaba prejudicando o espetáculo. Pode abusar da autoridade e às vezes se esconde através de cartões. Todo time grande quer um árbitro desse tipo quando se joga fora de casa contra pequenos; ninguém o quer em seus domínios.

4) CUMPRIDORES

São herméticos quanto à pressão. Não se preocupam com a camisa, se é grande ou pequeno, se está agradando ou desagradando. Normalmente é respeitado pelos jogadores e dirigentes. Todo time pequeno o quer quando se joga como visitante. Os grandes o querem apenas quando é clássico. São poucos, mas valorosos. Pela fama adquirida, se sustentam e são pedidos até mesmo por imprensa e torcida. Costumam ser preservados para grandes jogos, para se evitar risco de erros significativos involuntários. Também são tirados de exposição excessiva, pois, afinal, quando mais se apita, mais se tem chance de errar. São os árbitros necessários para o futebol.

Se você quiser analisar o quadro de árbitros e classificá-los conforme esses 4 tipos, o trabalho será fácil. Mas veja: a maior preocupação em si não é a conduta pessoal do árbitro, mas, por motivos óbvios, a escala dos árbitros. Não dá para tirar leite de pedra; então, logicamente, se você escalar um árbitro caseiro, não pode cobrar dele grande coisa. Cobre de quem é bom, do CUMPRIDOR. Destes, até os erros são perdoáveis.

Por fim, é claro que falamos de seres humanos. É obvio que devem existir laranjas podres por aí; mas estes se revelam facilmente pela fragilidade dos esquemas montados. Vide Danelon e Edilson, banidos pela sociedade por fraudes em resultados mas absolvidos pelas autoridades da Justiça.

Diante de tudo isso, responda: Você acredita em manipulação de jogos? Se sim, de que forma?
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(Obs: de nada adiantará tudo isso se o time for bom. Quem joga bola ganha até do árbitro)

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