– Pelo não WO em Jayme Cintra.

Jogador quer jogar e provar ao treinador que tem qualidades. Árbitro vem com o “apito entre os dentes” para mostrar serviço. Torcedor quer ver seu time ganhando dentro de campo com muitos gols. A Imprensa vem pronta para dar o melhor de si. Tudo fica armado, o espetáculo é preparado e… o outro time não aparece?

Digo isso por questões lógicas: e se o União Suzano não aparecer no sábado para enfrentar o Paulista em Jundiaí? 

É muito chato vencer por WO (aliás, uma curiosidade: o termo WO vem de WalkOver, uma expressão inglesa que surgiu nos primórdios da bola e que mais ou menos significa  “vitória fácil”). Além disso, há certas complicações para ambas as equipes.

Imagine: tendo o Paulista vencido por 8×0 em Suzano, a lógica diria que em Jundiaí também teríamos um placar elástico. Os jogadores reservas poderiam ter oportunidade, o treinador poderia fazer testes que não costuma fazer, o torcedor ficaria feliz em ver a vitória e os jogadores que brigam pela artilharia poderiam aumentar o saldo de gols. Se vencer por WO, o placar será 3×0 (e nenhum jogador terá gol computado, somente a equipe leva essa contagem além da vitória em si). Será que não seria melhor para o Galo ter jogo? A propósito: acho que terá jogo sim, pois os atletas remanescentes querem jogar para apagar o fiasco anterior, é meta pessoal  e natural de cada um deles.

Imagine o seguinte: e se o União Suzano der um WO contra outras equipes nas rodadas seguintes? Elas ficarão muito bravas, pois terão a vitória na tabela e mais 3 gols, sendo que poderiam golear (e somente o Paulista conseguiu “turbinar” seu saldo com o jogo do 1o turno da 2a fase).

Mas já tentou pensar com a cabeça de “quem assina o cheque pelo lado do USAC”?

Ora, o time teria na tabela uma derrota contabilizada e 3 gols de saldo negativo computados, além de uma multa aproximada de R$ 20.000,00. Se o jogo for longe, qual seria a despesa de viagem, alimentação, estadia e gols sofridos? Às vezes, dependendo do adversário e da distância, o WO é um prejuízo financeiro menor (embora um prejuízo muito grande esportivamente).

Agora, cuidado com as situações de excessão à regra. Não compare um time que poderia / ou pode abandonar um campeonato (já não estou mais no mérito do União Suzano), com alguma equipe que sofra algo de comoção nacional. Entenda: se uma agremiação abandonar a disputa por falta de dinheiro / competência / desorganização, ocorre o WO nos jogos que não disputar (comunicando a desistência ou não, vai diferenciar apenas se a estrutura do jogo será montada ou dispensada). Se ocorrer um fato como o acidente aéreo da Chapecoense, onde se perde valores incomensuráveis (a vida de cada um dos muitos mortos), a situação muda: pode-se anular simplesmente todos os jogos da equipe do torneio, e a tabela ser contabilizada sem os resultados dos confrontos ocorridos e cancelando os vindouros. Reforçando: o motivo é indiscutível do WO, pois a equipe toda conheceu um destino terrível e inexiste na prática.

O que é indevido, e até mesmo um atentado contra as regras e bom senso, é uma equipe abandonar o torneio por incompetência financeira / administrativa e não ser punida. Aí, é WO mesmo e repensar se ela poderá disputar no ano seguinte ou não o campeonato (caso não esteja previsto no regulamento e ela tiver pontos suficientes para não se rebaixada de divisão).

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