– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Independente x Paulista

Em 2018, Humberto José Júnior, comprador, 34 anos, veio a Jundiaí apitar Paulista x Amparo. Na ocasião, fez um trabalho razoável e falamos que, apesar de pouca experiência, tinha mostrado potencial. E não é que ele pulou da 4a para a 1a Divisão no ano seguinte?

Sim, Humberto passou da Segunda Divisão Sub 23 e estreou na A1, em Bragantino x Novo Horizontino. Uma aposta da FPF! E é ele que voltará a apitar um jogo do Paulista, agora em Limeira contra o Independente (uma rinha de galo: o “Galo da Vila Esteves” contra o “Galo da Serra do Japi”)!

A ficha completa da escala de árbitros:

Árbitro: Humberto José Junior
Árbitro Assistente 1: Gustavo Rodrigues de Oliveira
Árbitro Assistente 2: Gabriel Alexandre Tostes Fleming
Quarto Árbitro: Luis Felipe de Souza Aguiar

Para rever a análise daquela ocasião, clique aqui (Paulista x Amparo apitado por ele): https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2018/04/08/analise-da-arbitragem-de-paulista-0x0-amparo/

Sem Título

– Menos Teatro e Mais Qualidade para a Arbitragem!

Quando eu apitava, entrava dentro do “personagem”: sujeito sisudo, antipático, de pouca conversa (tentando falar grosso devido à voz horrorosa), mas sempre educado e respeitoso, reconhecidamente. Isso era promover a autoridade, sem cair para o autoritarismo. Era ser discreto, sem querer parecer, procurando deixar o protagonismo do jogo de futebol a quem merece: os craques.

Digo isso pois fora do uniforme eu voltava a ser o sujeito sorridente, afável e extremamente atencioso. Afinal, dentro de algumas funções você precisa mudar o seu nível de simpatia e intimidade. É extremamente normal essa criação de um personagem.

Jorge Emiliano, o “Primeiro Margarida” do futebol brasileiro, abusava dos trejeitos. Todos entendiam ele, pois tinha ótima qualidade enquanto árbitro e sabiam da sua questão particular que era ser homossexual, tornando-se até mesmo folclórico em uma época em que o tabu era gigantesco.

Dulcídio Wanderley Boschilla, o “Alemão”, era aquilo que se via. Mandava o jogador “para a casa do chapéu” e recebia outros insultos de volta. Mas o atleta entendia essa permissão e a dava para ele também. Idem a Oscar Roberto Godoi. Estes, eram unhas-de-cavalo (e isso não é ofensa, é elogio).

Mas alguns exemplos de teatralização do árbitro que não deram certo: Heber Roberto Lopes, no início de carreira, parecia que queria agredir o jogador quando aplicava o cartão amarelo ou vermelho! Era de uma estupidez assombrosa! Corrigiu isso muito bem, minimizando os trejeitos teatrais que mostravam rigor e ao mesmo tempo excesso de poder.

Enfim, digo tudo isso ao assistir um pedaço do jogo Avaí x Corinthians. O que o juizão Ricardo Marques Ribeiro quer fazer com tantas caras-e-bocas, desprezando totalmente a necessidade em ser discreto, criando um personagem que não sai dele? Alguém da Comissão de Árbitros da CBF precisa falar a ele que não pode representar um personagem tão caricato! Ou ninguém até agora falou?

Impossível que na Conmebol ou na FIFA não tenham dado um puxão-de-orelha nele. Ou até deram, vide o número de escalas atuais nas competições organizadas por essas entidades.

Ricardo, um conselho de amigo: respeito totalmente seu trabalho e sua pessoa digna, mas pare de querer atuar de tal forma, pois acaba caindo na ironia! Se alguém não te passou um feedback, peçam para gravar as transmissões de Rádio e TV das partidas que você tem apitado. Vai por mim, ser discreto ajuda na credibilidade!

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Jorge Emiliano. Reprodução: Internet

 

– O Protocolo FIFA contra a discriminação foi usado pela 1a vez no Brasil. Mas a Conmebol não queria…

Muito se repercute a paralisação da partida entre Vasco da Gama 2×0 São Paulo por conta de gritos homofóbicos.

Três coisas importantes sobre isso: 

1- O árbitro Anderson Daronco não parou o jogo por ordem da CBF, mas sim por determinação do Protocolo FIFA de 3 etapas, visando o combate a qualquer tipo de discriminação (sexista, racista, política, entre outras tantas coisas).

Sobre o Protocolo FIFA, aqui: https://professorrafaelporcari.com/2019/07/26/os-3-passos-para-o-protocolo-fifa-contra-a-discriminacao-no-futebol/

2- Independente do Protocolo FIFA (que na etapa 3 das 3 existentes determina automaticamente que o jogo seja encerrado e o time cuja torcida praticar a discriminação tenha oficializada a derrota na partida), o TJD determinou que aqui no Brasil punirá conforme a intensidade das discriminações os clubes (independente do protocolo), podendo até sugerir que se percam os pontos do jogo apenas com os gritos, sem outras manifestações. Há de se aguardar!

3- A Conmebol quis que a FIFA não colocasse esse protocolo em vigor no dia 15/07/2019, justificando que em nosso continente existiam práticas culturais enraizadas e que não deveriam ser punidas. É mole?

É esperar se existirá uma punição para o Vasco por parte da CBF. Pela FIFA, não haverá!

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– O Brasileirão empolgante com bastante público! Mas o VAR…

Não tenho dúvida quanto à melhora do fator público no Brasileirão. Algumas razões:

  1. Os times grandes que investiram bastante têm ótimos estádios e capacidade grande (Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo, indiscutivelmente têm enormes públicos nos seus jogos quando mandantes e levam imensidões  como visitantes).
  2. Os times do Nordeste que começaram bem (Bahia e Fortaleza) e os que tiveram uma reanimada no pós-Copa América (Ceará e CSA) sabidamente possuem torcedores apaixonados.
  3. A competitividade tanto na disputa pelo título quanto na fuga do rebaixamento tem sido um atrativo.

Talvez se feche o Brasileirão 2019 como o de maior público pagante da história. Porém, sejamos realistas: não será necessariamente, ao longo dos tempos, o de melhor nível técnico.

Ter emoção não significa que a qualidade do jogo atrelada é muito boa. É fato! Mas que está legal o torneio (apesar do VAR ser um fator polêmico e uma pendenga a ser resolvida – quanto ao uso e a dinâmica do jogo, deficientes por culpa da ineficiência dos cartolas do apito no Brasil), ô se está!

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– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Paulista x Amparo

Jogo duro requer árbitro bom. E, provavelmente, no confronto mais difícil do Galo em 2019 até agora, teremos o árbitro da partida mais fácil que o time jogou: Kleber Canto dos Santos, que apitou União Suzano 0x8 Paulista, está escalado para o Jayme Cintra.

Kleber tem 40 anos de idade e há 13 temporadas apita pela FPF. É professor de Educação Física, tem sido preparado para a A2 em 2020 (já apitou jogos dessa divisão) e segue com 10 escalas consecutivas, sem folga, desde junho (está com excepcional ritmo de jogo).

Apesar de todas as qualidades técnicas e disciplinares que o árbitro demonstra, vale lembrar: ele deu um pênalti inexistente a favor do Galo (em Vitor Emerson) na partida de Suzano. Entretanto, esse erro pontual não interferiu na construção da vitória.

Desejo boa sorte à arbitragem e um grande jogo para todos!

Acompanhe a transmissão de Paulista x Amparo pela Rádio Difusora Jundiaiense AM 810, com o comando de Adilson Freddo. Narração de Rafael Mainini; comentários de Heitor Freddo e Robinson “Berró” Machado; análise da arbitragem com Rafael Porcari; reportagens de Luiz Antonio “Cobrinha” de Oliveira. Sábado, às 16h00 – mas a jornada esportiva começa a partir das 15h00 para você ter a melhor informação com o Time Forte do Esporte.

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– Um paralelo sobre a falta de filosofia dos clubes e da arbitragem

A demissão de Fernando Diniz do Fluminense e o anúncio da CBF de que os torcedores de futebol terão imagens do VAR podem ser paralelos perfeitos para uma abordagem só: a falta de LINHAS DE TRABALHO definidas pelas entidades.

Vamos lá: o São Paulo FC pode ser um bom exemplo para chegarmos ao Flu: contratou o ofensivo Osório, depois o retranqueiro Bauza, aí passou por interinos, escolheu Rogério Ceni, voltou com Aguirre e agora Cuca (depois de Mancini): qual a linha-mestra, o DNA do estilo de jogo do Tricolor do Morumbi? O Santos, sempre ofensivo, antes de Sampaoli (que tem o “estilão do Peixe”), havia contratado Jair Ventura (o oposto dele em questões táticas). Dito isso: após mandar embora Diniz, sabidamente um amante de jogo-intenso, o Fluminense tentou Abel Braga, que arma os times para se defenderem! Qual a coerência?

Aliás, o futebol é ingrato: contra o CSA, o Tricolor das Laranjeiras chutou mais de 30 bolas ao gol e foi prejudicado pela pavorosa arbitragem de Wagner Reway (agora, apitando pela Paraíba, sob o comando do gestor de árbitros local, Arthur Alves Jr – o Arthurzinho do Sindicato, tão conhecido pelos paulistas – depois de começar pelo Mato Grosso). Porém, num solitário ataque o CSA fez o gol da vitória. E a culpa é do treinador?

A mesma coisa sobre falta de coerência da cartolagem dos clubes para com os técnicos se diga para os da arbitragem: agora, a CBF divulgará as imagens que o VAR vê para os torcedores (depois de intensas críticas). É cansativo insistir no tema, mas uma hora os árbitros são blindados; outra, são expostos. Uma hora devem agir “assim”; outra, “assado”. Ora, se vai liberar alguma coisa, muito mais do que o vídeo, se libere o áudio!

Aliás, é uma vergonha perceber que aqui no Brasil muita gente boa se apoiou no VAR e rasga elogios para com a comissão de arbitragem pelas vagas de trabalho abertas. Quantas pessoas estão na cabine do árbitro de vídeo! Um número excessivo, desnecessário e que contradiz o restante do mundo. Tão exagerado quanto ao número de árbitros escalados dentro de campo na Série A-2019: 37, contra 16 escalados na temporada passada da Premier League.

Uma pena tudo isso. As diretrizes claras que quaisquer organizações deveriam ter, de fato, não existem. Nem nos clubes, nem na CBF.

Ainda sobre o trabalho da CA-CBF (com pesar mais uma crítica), compartilho sobre os inacreditáveis 98% de acertos divulgados,

em: https://professorrafaelporcari.com/2019/08/20/o-descredito-do-var-da-cbf-98-de-acertos/

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– O descrédito do VAR da CBF: 98% de acertos?

Quando uma coisa vai mal, alguns utilizam a contrariedade como arma para desfazer a sensação ruim. É o caso do VAR da CBF…

Segundo a entidade, 98% dos lances que utilizaram o VAR foram corretos! E eles querem ser levados a sério?

Tenha a santa paciência… é muita cara-de-pau divulgar um número tão forçado e visivelmente diferente da realidade do Brasileirão.

Torci para o Gaciba dar certo na função, mas os mesmos da época de Ricardo Teixeira ainda mandam na arbitragem. Pobre futebol brasileiro…

Gaciba faz apresentação sobre o VAR — Foto: Sérgio Rangel

– Pênalti ou não de Thiago Volpi no São Paulo x Ceará?

Há pouco, um lance reclamado no Morumbi de penalidade máxima do goleiro Thiago Volpi (SPFC) em Felipe Cardoso (Ceará). O atacante recebe sozinho, tenta encobrir o goleiro que não consegue interceptar. A zaga do São Paulo tira a bola da pequena área e salva o tento.

NÃO seria pênalti se o goleiro tivesse, na disputa de bola, a tocado (mesmo tocando o jogador). Como a bola não foi tocada e ele tromba com o adversário impedindo a projeção dele (mesmo depois do chute a gol), é infração. Dentro da área, pênalti e cartão amarelo. Portanto, errou a arbitragem.

Na regra do jogo, isso se chama infração por imprudência (quando você não tem a intenção mas faz a falta).

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– O lance de empate de Grêmio 1×1 Palmeiras era para o VAR?

Que erro evitável da arbitragem no Sul do país! David Braz marcou um golaço após receber a bola de um arremesso lateral que era a favor do Palmeiras mas foi cobrado pelo Grêmio após marcação errada.

Tais equívocos são comuns em várzea (a inversão de laterais), afinal os juízes e bandeiras são amadores. Erros assim em jogos profissionais são diminutos, mas vez ou outra ocorrem. 

  • Era para usar o VAR, a fim de corrigi-lo?

NÃO! E por três motivos:

  1. O protocolo do árbitro de vídeo não permite correção de lance de arremesso lateral. Já imaginaram se cada vez que a bola saísse, o VAR tivesse que paralisar para conferir? Não teríamos mais “jogo jogado”, acabaria a dinâmica.
  2. O gol não poderia ser revisado antes do momento da cobrança de lateral, pois o arremesso lateral é um reinício de jogo. Assim, a revisão do gol só pode acontecer a partir do momento que a bola entrou em jogo (ou seja, depois da cobrança).
  3. Vide que, principalmente em jogadas de área e quando a bola sai, justamente para não se ter tempo de fazer a revisão de lance, os goleiros têm cobrado rapidamente o tiro de meta, evitando que o árbitro marque penalidades via VAR pois depois de reiniciada a partida, nada se pode fazer.

Enfim: um erro de competência humana da arbitragem, sem sombra de dúvida.

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– Por homofobia, pela 1a vez partida é interrompida na França pelo Protocolo FIFA.

Lembram quando postamos sobre o Protocolo FIFA que deveria ser executado em caso de discriminação (das diversas naturezas) quando ocorresse?

(Para recordar, clique aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2019/07/26/os-3-passos-para-o-protocolo-fifa-contra-a-discriminacao/)

Pois bem: ocorreu o 1o caso, e foi na França.

Extraído de: https://jamilchade.blogosfera.uol.com.br/2019/08/17/na-franca-arbitro-interrompe-jogo-diante-de-cantos-homofobicos/

NA FRANÇA, ÁRBITRO INTERROMPE JOGO DIANTE DE CANTOS HOMOFÓBICOS

Por Jamil Chade

O jogo da segunda divisão do campeonato francês, entre os modestos Nancy e Le Mans, entrou na sexta-feira para a história do futebol do atual campeão do mundo. Trata-se da primeira vez que, por conta de um comportamento homofóbico por parte da torcida, um árbitro decide suspender o jogo, ainda que por apenas alguns minuto. Os torcedores do Nancy devem ser punidos e o clube pagará uma multa. Mas foi o gesto do árbitro Mehdi Mokhtari que se transformou numa referência e abriu um amplo debate. A ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu, foi a primeira a comemorar a decisão, tomada depois de uma pressão de governos para que a Uefa modificasse suas leis para permitir que uma partida pudesse ser alvo de uma interrupção, em caso de incitação ao ódio ou homofobia.

Em abril, o jogo entre Dijon e Amiens já havia sido suspenso por alguns minutos, desta vez por conta de ataques racistas. A decisão, naquele momento, foi dos jogadores. Agora, aos 27 minutos, foi a vez do árbitro assumir a decisão.

Jean-Michel Roussier, o presidente do Nancy, admitiu que a regra deve ser aplicada e afirmou ter ido encontrar, ainda durante a partida, com os representantes das torcida organizadas para alertar sobre a situação. Na França, a lei permite que um clube proíba a entrada de um torcedor que tenha sido identificado como autor de uma provocação homofóbica, racista ou que promova o ódio e violência.

Se na França a nova lei começa a ser aplicada, na Fifa o assunto já foi alvo de um acalorado debate. Com as seleções sul-americanas acumulando multas milionárias aplicadas pela Fifa, em diversos jogos das Eliminatórias, a Conmebol tentou explicar à entidade máxima do futebol que os cantos homofóbicos eram “culturais”. A Fifa se recusou a aceitar a explicação e continuou a multar as federações.

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