– A Grande Lição do Caso Braguetto! Profissionalizar os árbitros ou não?

Nestes tempos de Pandemia, onde os árbitros da CBF não estão apitando, mas por intermédio da ANAF estão recebendo adiantamento de taxas (não é dinheiro “dado”, é “empréstimo” – ou seja, um favor a pagar), é propício discutir novamente a necessária profissionalização dos árbitros.

Quando do ocorrido do caso Braguetto (18/05/2013), que foi sacado de uma decisão de Campeonato Paulista pois prestava serviço através de sua empresa de arbitragem em jogos amadores no Parque São Jorge, fizemos uma abordagem sobre a condição do árbitro de futebol naquele período que é perfeita para os dias atuais.

Compartilho, extraído do blog: “PERGUNTE AO ÁRBITRO”,

Em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2013/05/18/a-grande-licao-do-caso-braguetto-profissionalizar-ou-nao/

PROFISSIONALIZAR OU NÃO

Nas últimas horas falamos muita coisa sobre o imbróglio que envolveu a final entre Santos x Corinthians, FPF e Arbitragem (veja em: http://is.gd/MentiraFPF). Neste domingo, independente de quem será o time vitorioso, já temos um perdedor: o Árbitro de Futebol.

As declarações do ex-árbitro Rodrigo Braguetto retratam a verdade: nenhum juiz de futebol consegue ter uma vida tranquila como a dos dirigentes de grandes clubes, tão pouco financeiramente estável dos consagrados atletas.

Como o árbitro pode abandonar sua casa e fazer treinamentos durante a semana, assistir as palestras de atualização de regras, comparecer a reuniões onde ele é convocado mediante punição caso não compareça, sendo tudo custeado por ele próprio?

Não adianta falar que as taxas de arbitragem compensam. O desgaste familiar, a curta carreira (menor do que a de um jogador), a incerteza de respaldo dos dirigentes da arbitragem, a pouca sequência de escalas, a falta de FGTS, Férias, 13o, entre outros, faz com que ele seja um abnegado.

Durante a semana, treina de madrugada, de noite ou na folga. De repente, é obrigado a matar um dia de serviço da atividade profissional que o mantém para cumprir os testes físicos. É exigido profissionalmente, sendo considerado amador.

A culpa é de 3 elementos que compõe o mundo do futebol:

1- Das Federações, que não querem assumir que os árbitros sejam seus empregados remunerados, pagando-os via cooperativa por jogo apitado, deixando-os sem planejamento financeiro por culpa do número de escalas incerto e obrigando-os a ter uma vida dupla (ora árbitro, ora profissional em outra atividade).

2- Dos Sindicatos e Cooperativas, que nunca fizeram movimentos realmente em defesa dos árbitros e nem defenderam a profissionalização da arbitragem como ela deva ser. Sempre propõe modelos demagogicamente associativos, fazendo com que o árbitro seja ligado a cooperativas ou a eles próprios sindicatos, privilegiando descaradamente as federações. E com a justificativa de que como patrões, as Federações não conseguiriam pagar seus árbitros.

3- Dos Árbitros, que em troca de frequentes escalas, não criticam abertamente a situação que tanto os incomodam: serem cobrados como profissionais e tratados como amadores, sendo obrigados a assinarem documentos em que reconhecem ser “prestadores autônomos de serviços”, vinculando-os, pasmem, aos clubes! O árbitro na verdade é um contratado do time que ele apitará (entenda em:http://is.gd/ArbitroVetado).

Tomara que o burburinho criado pelo caso Braguetto traga a discussão da Profissionalização dos Árbitros, deixando-os independentes das ligas piratas e bicos de final de semana, unindo-os umbilicalmente às responsabilidades trabalhistas das Federações.

E isso significa liberdade das nefastas associações de defesa dos árbitrosNão vi nenhum pronunciamento de defesa do Sindicato dos Árbitros do Estado de São Paulo ou da Cooperativa dos Árbitros de São Paulo, entidades nas quais Braguetto era filiado e que descontavam as taxas do seu trabalho na FPF. Mas seria ilusão esperar que elas o defendam: afinal, a diretoria de ambas é composta por funcionários remunerados da Federação Paulista de Futebol!

Pobre árbitro. Sem defesa e sem independência. Que seu ato incentive e denuncie essa relação indecente.

No apito: confira a escala de arbitragem para as semis do primeiro ...imgres.jpg

 

Um comentário sobre “– A Grande Lição do Caso Braguetto! Profissionalizar os árbitros ou não?

  1. Rafael Porcari

    Nos dias atuais falta árbitro que tenha coragem para encarar dirigentes, politicos e que tais, como eu o fazia, fui taxado “louco” por maioria dos colegas antes da criação do SAFESP, e após, com a anuência dos membros da diretoria preocupados com suas escalas, não se reuniram com advogados e pessoas especialistas objetivando profissionalizar a atividade. Em Tempo: Salvo falha de memória; Hélio Coelho, Antonio Bichir e senhor Juventino, os dois primeiros advogados militantes, iniciaram movimento, posteriormente o fato foi a justiça; mas não obtiveram êxito

    Curtir

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