– A demora do VAR estraga o espetáculo

Já falamos algumas vezes de como o VAR está sendo mal usado no Brasil, dosado de maneira errada (vide aqui: https://wp.me/p55Mu0-2Cq). O cerne da questão é: a ajuda ao árbitro virou “caçada a detalhes”, desde quando implantado (leia também aqui: https://wp.me/p4RTuC-nTH)?

A demora no uso do equipamento, além de quebrar o encanto do jogo, esfria o ritmo da partida. Estraga a emoção da disputa, deixa a imprensa confusa e os torcedores à mercê do que está acontecendo.

Se fosse mais rápido, o “VAR à brasileira” não seria contestado. Os jogadores não teriam tempo de discutir e reclamar, pois, afinal, se a decisão é rápida, traz a sensação de que o árbitro consultou o VAR e indubitavelmente viu a necessidade de corrigir um lance. Se há tanto tempo avaliando, é porque a dúvida persiste demais.

Enfim: precisamos copiar o que dá certo no Exterior e adaptar à nossa realidade. Vale levantar a pergunta: por quê o VAR é um sucesso na Europa (apesar de ter começado questionado na Inglaterra, mas que depois se emendou) e aqui no Brasil não?

Seria pelo fato das pessoas que estão à frente da Direção de Arbitragem (e em especial do VAR) desde a década de 90 (sempre sendo contestadas pela competência) terem total e irrestrita carta-branca para cometerem equívocos?

Fica a dúvida. Respeito o “chefe do VAR”, Sérgio Correa da Silva, mas por todos os cargos que passou, fica a questão da capacidade técnica (nunca discutindo aqui a honestidade, que creio, é inquestionável).

Os dois memes abaixo podem ser auto-explicativos pela demora…

  • Estaria com dificuldade no menu?
  • Ou estaria vendo a novela?

– A Vitamina VAR

O VAR (árbitro de vídeo) é ótimo para legitimar o resultado no esporte. Basta saber usar.

Em que pese o volume das reclamações da última rodada pela demora (e que são justas queixas), penso que ele, “VAR no futebol é como “uma vitamina no nosso corpo”:

– Se você tomar uma vitamina, terá boa saúde. Se não tomar, terá deficiência e sentirá hipovitaminose. Se tomar demais, fará mal pois terá hipervitaminose.

Usemos o VAR na DOSE CERTA.

– Botafogo 0x2 Internacional: sobrou para o equipamento eletrônico?

O goleiro botafoguense Gatito Fernández ficou bravo no Engenhão, não? Nervoso com as marcações da arbitragem e a anulação de dois gols da sua equipe, “desforrou” na cabine do VAR.

Mas ele estava com a razão?

NÃO! Vamos aos lances reclamados: Matheus Babi e Bruno Nazário tiveram seus gols anulados. Sobre eles,

1- O de Matheus Babi, por impedimento difícil. Acertou a arbitragem após informação do VAR.

2 – O de Bruno Nazário, após infração em lance anterior ao gol, também com acerto da equipe de arbitragem. E sobre ele, vale uma explanação didática:

Uma bola que estava com Patrick (SCI) é disputada com infração por Matheus Babi (BFR). Existe a falta, mas o árbitro Thiago Duarte Peixoto a ignora e permite a sequência do lance. Não existe nenhuma paralisação neste interim, e eis que a bola sobra para o próprio infrator cruzar para o tento de Bruno Nazário. Na revisão, o árbitro é avisado pelo VAR da existência da falta e o gol não é validado.

Cadê o erro aqui? Nenhum, a não ser da qualidade técnica do árbitro que não estava atento à infração. Por mais que se possa dizer que ele interpretou como “normal a jogada”, nem isso lhe é permitido, pois há clareza da infração e, além disso, as duas coisas mais relevantes:

A – Sem a bola ter saído de jogo e com ato contínuo, o VAR tem a OBRIGAÇÃO de rever o lance todo. É protocolo.

B – Justamente o infrator é quem tem participação direta no gol!

O VAR, que merece os aplausos, é o árbitro José Cláudio da Rocha Filho, o mesmo que corretamente chamou a responsabilidade para ele na informação relevante da mão na bola de Alison na semana passada, em Palmeiras 2×1 Santos. Portanto, em duas rodadas, duas participações certeiras de cumprimento do protocolo do árbitro de vídeo e comprometimento à Regra do Jogo.

Por fim, duas observações:

– Thiago já foi infeliz em muitas partidas nos últimos tempos, assim como a vida tem sido infeliz com ele em contrapartida. Mas é necessário separar as coisas e entender que o árbitro – bom sujeito, mas tecnicamente comum – tem inúmeras chances na carreira e sempre há um contratempo. Me parece um “Léo Feldman do século 21″… (e isso não é ofensa, mas mera comparação respeitosa, pois o bom Léo Feldman era azarado dentro de campo; se um dia caísse um urubu na hora do gol e a ave impedisse a bola de entrar na meta, seria, certamente, no jogo dele – quem é árbitro da década de 90 entende bem isso).

– Muita gente está confundindo a orientação de “imediatez na confirmação de um gol quando bate na mão do atacante”, crendo que “o VAR só vale para lances de falta na imediatez da jogada”. Nada disso, são coisas diferentes! Por duas oportunidades, árbitros do futebol amador me questionaram de “imediatez de infrações avaliadas pelo árbitro de vídeo”, acreditando que em lances mais longe da meta, pelo tempo da chegada ao gol, não deveriam ser revistos. Árbitro do Campeonato Brasileiro não pode fazer essa confusão: o VAR avalia os gols até o retrocesso da última paralisação / derradeiro reinício da jogada. O lance de Matheus Babi foi preponderante na construção do gol.

Mesmo se os dois gols estivessem errados, nada disso justifica o vandalismo ao equipamento eletrônico, não é verdade?

Gatito, do Botafogo, derruba equipamento do VAR após partida contra o Internacional — Foto: Reprodução

– A Vaga que não se Preenche

Texto de 11 anos! Mas muito atual… vale o repost, abaixo:

Quem milita no meio do Futebol, e principalmente na Arbitragem, sabe da importância do professor Gustavo Caetano Rogério e da força de suas palavras. Leio (um pouco tardiamente) a sua inspiradíssima coluna sobre os requisitos para se tornar árbitro de futebol, publicada em seu espaço mensal na Web, e corroboro plenamente com sua irônica “necessidade de contratação” do “ser humano perfeito” para o exercício desse cargo.

Sem dúvidas, um belíssimo e certeiro texto sobre a real condição da figura do árbitro de futebol, o qual compartilho abaixo com os amigos.

Extraído de: http://www.aagsp.com.br/coluna_gustavo.asp?id=62

PROCURA-SE UM HUMANO PERFEITO

As vagas estão abertas em todos os estados brasileiros, para admissão imediata e urgente, pois farão parte de quadros que requerem perfeição em todas as decisões e atitudes tomadas durante o exercício de suas funções.
Porém, destacamos que os inscritos que forem admitidos não poderão, em hipótese alguma, cometer falhas comuns aos seres humanos até então conhecidos, devendo, portanto, em toda e qualquer decisão ou atitude que vier a tomar ser entendido e aplaudido por todos que analisarem seu trabalho, bem como por todos os envolvidos durante a execução das funções.
Não poderá, seja em que situação for, ser “desmentido” por eventuais imagens gravadas de seu trabalho e se isto acontecer será afastado sumariamente e sem direito a nenhum tipo de contestação.
Terá que conhecer todas as regras e interpretações exigidas por seu trabalho e não terá razão mesmo quando quem o analisa delas nada saiba a respeito.
Como seu raio de ação na atividade é de aproximadamente 7.480 metros quadrados terá sempre que encontrar meios para ver tudo que acontece, sempre deverá estar ao lado do acontecimento principal e sempre, nestes momentos cruciais, acertar naquilo que se decidir a fazer.
Se nestas situações não estiver próximo e tiver a sorte de nada mais grave acontecer poderá, a critério de uma comissão, ser perdoado e voltar em trabalhos futuros.
Independentemente de sua atividade paralela, pois somente desta não conseguirá sobreviver, deverá treinar constantemente, pois será muito exigido em sua condição física durante o trabalho e deverá estar ciente que o tempo para tal treinamento é problema exclusivamente seu.
Além do acima destacado deverá sempre estar à disposição para reuniões de trabalho, receber “novas” instruções e sem que os “empregadores” se importem se terá tempo ou não.
Quando no exercício de sua função, mesmo acertando no que fizer, estará sempre correndo o risco de ser afastado por solicitação de terceiros, deverá respeitar tal decisão calado e uma comissão informará a todos que foi afastado para preservar sua imagem em ocasiões outras, pois nestas situações não será “demitido’ sumariamente, pois o “empregador” demonstrará compreensão.
Mesmo assim, e como ser humano perfeito, deverá sempre ter a inteligência suficiente para entender que, a critério das comissões, muitas vezes será preferível omitir-se numa decisão para “salvar” a si próprio e as próprias comissões. Enfocamos que “a critério das comissões”, pois será ou não punido dependendo de como será a repercussão do fato através dos interessados.
Se eventualmente for ofendido em sua honra após executar seu trabalho não deverá processar aos ofensores, pois, invariavelmente quem lhe ofenderá é exatamente quem lhe paga pela função exercida, e seu “empregador” ficará em situação incomoda se isto ocorrer.
Como ultima informação destaque-se que a função não terá salários fixos, não terá “carteira assinada”, e não fará jus a décimo terceiro salário ou férias.
Os seres humanos perfeitos interessados nas “facilidades” e reconhecimentos que lhes serão proporcionados pela função deverão, em seus estados, procurarem as Federações de Futebol e suas Comissões de Arbitragem para inscrição imediata.
Após aceitar as condições e entregar provas de trabalho, exames médicos e oftalmológicos, certidões negativas provando ser honesto e não ter nome sujo na praça, além de passar por uma pré seleção você poderá será aprovado.

FUNÇÃO: ÁRBITRO DE FUTEBOL
ET. O “anuncio” foi lançado mesmo sabedores de que todos nós somos humanos e obviamente nenhum candidato se apresentará, porém você que direta ou indiretamente trabalha, dirige, comenta, analisa ou assiste as partidas deste esporte precisa, cada vez mais entender que aquela figura por todos odiada é acima de tudo um SER HUMANO FALIVEL como você. Erros e acertos fazem parte da falibilidade humana e é a isto que lhes quero chamar a atenção.

Bola de esporte de futebol cartões apito e bandeira | Vetor Premium

– A mão de Alison na barreira em Palmeiras x Santos

Não dá para reclamar: Alison, no “Clássico da Saudade”, deixou propositalmente o braço / mão para que a bola batesse nele. É essa a intenção subjetiva, o “Migué” cometido pelos atleta santista (em linguagem de Várzea).

Você pode deixar os braços ou as mãos para que a bola bata neles em caso de PROTEÇÃO (se a bola for bater no rosto ou nas partes íntimas, por exemplo). Exceto essa situação, a intenção é de disfarçar um toque deliberado.

Acertou a arbitragem no Morumbi!

Palmeiras x Santos: onde assistir, escalação, classificação e ...

– São Caetano 4×3 São Bernardo: o correto e o equivocado

Dois lances me chamaram a atenção no pouco que vi do movimentado clássico do ABC, nesta 5a feira.

João Vitor Gobi, árbitro que elogiei por diversas vezes em jogos que eu assisti ele atuando (clique na busca deste blog), me decepcionou! Vi um pênalti infantil, fácil de se marcar, ser completamente ignorado. O número 2 do São Bernardo bloqueia a passagem do adversário, se posicionando como um paredão ao corpo do número 11 do São Caetano na cara do juiz, obstruindo claramente de maneira infracional dentro da área. Reforço: com ele, Gobi, bem posicionado. Fraquejou, errou ou pipocou?

Mas vale elogio à validação do segundo gol do São Bernardo. Parabéns ao bandeira 2 Leonardo Tadeu Pedro! Tinha “meia dúzia de impedidos”, e uma bola é lançada e cai no pé de quem não estava. Tal lance, anos atrás, era impedimento. E sem TV, impossível crer que algum bandeira teria coragem de mandar seguir. Leonardo bancou sua precisão e acertou!

Detalhes, repito sempre isso, decidem uma partida de futebol.

São Caetano x São Bernardo FC: como assistir à Série A2 AO VIVO

– Os lances polêmicos de Corinthians 3×1 Coritiba

Na Arena de Itaquera, 3 lances discutíveis no jogo entre o Timão e o Coxa Branca. Vamos lá:

1. A expulsão de Yan (CORITB): CORRETA, pois antes do início do campeonato, a CBF orientou seus árbitros a serem rigorosos em lances que se use braços e mãos para dividir uma jogada. A FIFA tem pedido máxima atenção para que cessem golpes, tapas e socos que possam atingir a cabeça de um adversário (para se evitar concussões e fair play também). Portanto, acertou o árbitro.

2. O pênalti de Patrick (CORITIB) em Léo Natel (CORINT): pelas imagens que assisti, não consigo ver falta por nenhum ângulo. A não ser que apareça uma imagem melhor, parece-me um erro, até certo ponto grosseiro, de confusão de contato físico normal interpretado como lance faltoso.

3. O avanço do goleiro: ao pé-da-letra, com o livrinho embaixo do braço, sendo “bem Caxias”, acertou em mandar voltar a cobrança de pênalti. Mas cá entre nós: este tipo de avanço é aquele difícil de assinalar (a regra pede ao menos um pé sobre a linha na hora do chute). Sem VAR, impossível. Parece-me que o “adiantar milimetricamente” foi o chamado “caçar pelo em ovo”.

Corinthians x Coritiba - Campeonato Brasileiro 2020

– Palmeiras 1×1 Goiás: o equívoco do árbitro na falta que originou o gol era para VAR?

Lembram do árbitro Paulo Roberto Alves Júnior, que apitou aquele confuso Botafogo 0x1 Palmeiras (o jogo das muitas reclamações com o placar de 10×0 nos Cartões Amarelos; relembre-o aqui: https://wp.me/p4RTuC-nij)? Pois é: neste sábado, um erro crasso foi determinante para o empate do Goiás contra o Palmeiras.

Patrick de Paula (SEP) tenta bloquear o avanço de Victor Andrade (GOI), que se joga e deixa o pé bater na perna do defensor. O juiz, mal posicionado, entrou na encenação e marcou a faltadonde saiu o gol.

Em lances de pura interpretação, o VAR não deve acionar o árbitro, exceto em erros claríssimos de equívoco (conforme a nova orientação). Seria esse o tipo de lance?

Palmeiras x Goiás: onde assistir, classificação e escalação

– O gol corretamente anulado do Fortaleza contra o São Paulo atende a nova Regra

Nesta temporada 2020/2021, a “mão na bola do atacante mudou”!

Só será anulado o lance que bater na mão do atacante involuntariamente se dele sair um gol imediatamente. Se existir um segundo lance e sair o gol, o lance deve ser confirmado.

Assistiram São Paulo 1×0 Fortaleza? Foi exatamente isso que aconteceu! Ponto para a arbitragem.

Para entender esta mudança da Regra do Jogo (que já houvera sido alterada em 2019/2020), clique aqui: https://professorrafaelporcari.com/2020/07/15/fique-atento-as-mudancas-das-regras-do-futebol-e-as-orientacoes-aos-arbitros-para-o-campeonato-brasileiro-2020/

São Paulo x Fortaleza: assista à transmissão da Jovem Pan ao vivo ...

– Árbitros locais para uma melhor logística e menos riscos de Covid_19

Surge como um burburinho, mas eu gostaria de lançar a proposta: árbitros locais para os jogos do Campeonato Brasileiro, a fim de minimizar os riscos de contágio, de exposição e de substituição às pressas de juízes nos jogos.

Explico: dias atrás, falamos do equívoco em se tratar o Brasil de maneira uníssona no tratamento e prevenção do Novo Coronavírus, já que as diferentes realidades dos estados mereceriam protocolos diferentes devido à gravidade das situações locais. Insistimos até que a volta do Campeonato Paulista pode ter iludido muita gente, já que fatores como a extensão territorial reduzida e as partidas sendo realizadas em praças com menor índice de óbitos (e não necessariamente das cidades-sedes das equipes) possibilitaram o término do torneio (vide em: https://wp.me/p4RTuC-qW8). Assim, com realidades distintas, o Brasileirão sendo jogado na casa de cada clube, num país-continente como o nosso, seria loucura.

Vejam a NBA, que confinou atletas na Flórida a fim de realizar o torneio! De tal forma, cidades que estão somente agora tendo picos de contaminação não poderiam receber jogos como as que estão saindo (muito embora, apesar dos protocolos sanitários, creio que não era o momento adequado de voltar o futebol nacional, com a marca de 3 milhões e infectados e 100.000 mortos).

Mas e os árbitros? Imagine um juiz gaúcho que vá apitar Corinthians x Flamengo: ele tem que ser testado e isolado até a hora de entrar em campo. Não adianta fazer o teste em Porto Alegre e viajar. Tem que fazer o teste em SP e aguardar o resultado. Se der negativo, troca-se o árbitro (e o árbitro originalmente escalado fica resguardado em São Paulo, longe da sua casa, com as despesas ocorridas e precisando ser substituto).

Um exemplo real: hoje teremos Red Bull Bragantino-SP x Botafogo-RJ em Bragança Paulista (cidade que lutou para entrar na Fase Amarela). Os árbitros, bandeiras, VAR e AVAR vêm de Goiás (estado onde tivemos uma partida suspensa devido ao alto número de contaminados do Goiás e onde o Atlético Goianiense também acusou infectados ontem).

Pra quê? 

Escale-se um árbitro próximo, que tenha feito o teste e que aguarde o resultado há tempo de se isolar e entrar em campo sem chance de ter se contaminado. Os árbitros goianos viajarão de avião (portanto, estarão expostos) e terão feito os testes perto do estádio Nabi Abi Chedid, se isolarão e garantidamente darão negativo até o momento da partida? Se derem positivo, não teremos jogo, já que o árbitro reserva e demais membros estarão juntos em contato.

Repito: árbitros locais testados e isolados na proximidade dos estádios, esta é a solução. E que os clubes não reclamem de serem do mesmo estado da equipe mandante, já que a condição para apitar não deve ser a origem de nascimento, mas a honestidade!

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