– O acréscimo da discórdia em São Paulo 0x0 Grêmio pela Copa do Brasil: como funciona a recuperação de tempo perdido?

Caramba, o árbitro Bruno Arleu permaneceu no quadro internacional da FIFA para 2021. Como pode?

Não pela falta de autoridade demonstrada em São Paulo 0x0 Grêmio (não teve interferência total no resultado final), mas nos diversos erros que mostrou ao longo do ano – e na partida citada, em menor escala. Se estivéssemos na década de 90, inimaginável ele estar na Série A do Brasileirão (vide a qualidade dos nomes daquele período).

Entenda: quando alguém faz cera, o “retardamento do jogo” deve ser punido com cartão amarelo e o juiz tem que agilizar o recomeço. Não se deve dar acréscimo de tempo quando se pune com o cartão, pois esta já é a punição. Diferentemente, óbvio, da recuperação dos minutos perdidos com atendimento de atletas lesionados, discussões que fazem o jogo ficar parado, confusões e outras perdas de tempo diversas.

Ao dar 7′ de acréscimo no segundo tempo, mostrou falta de coragem, após esse tempo, em não acrescentar mais 2 minutos perdidos (que foi o tempo parado dentro dos 7 para socorro de lesões).

Lógico, não foi isso que decidiu o jogo, mas mostra a fragilidade total do juiz.

São Paulo x Grêmio: veja onde assistir, escalações, desfalques e arbitragem  | copa do brasil | ge

– E se o lance do “Ponto Cego” de Palmeiras x Red Bull Bragantino fosse num Derby?

um ponto cego na Allianz Arena, que impede o VAR de tomar decisões corretas?

Ao menos, é o que deu a entender Leonardo Gaciba, presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, à diretoria do Red Bull Bragantino, que reclamou formalmente do gol sofrido contra o Palmeiras, alegando impedimento.

Apesar da marcação do bandeira (considerando a posição duvidosa de Luiz Adriano), o árbitro Raphael Claus confirmou o gol pelas imagens do posicionamento do atacante no VAR. Entretanto, o lance em questão é de Gabriel Menino, que não aparece nas imagens recebendo a bola em condição legal ou não para o cruzamento.

Ficará, assim, uma nova dúvida a cada partida: o “ponto cego” só existe na Arena tão moderna do Palmeiras, ou em outras também? Quantos lances já fora decididos “às cegas” no Brasileirão? É um problema que não se resolve ou um descuido que poderia ser evitado pela CBF?

Já imaginaram pela Copa do Brasil, em jogos eliminatórios, um gol sofrido em condições duvidosas com ponto cego? Ou um lance igualmente decisivo num Corinthians x Palmeiras?

Em todo mundo do “Planeta Bola”, somente aqui no Brasil ouvi a história de “ponto cego no VAR”...

Informações do Uol, em: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/danilo-lavieri/2020/12/28/red-bull-aponta-gol-irregular-do-palmeiras-e-cbf-cita-ponto-cego-no-var.amp.htm

– Os novos VARs da CBF na FIFA

A mim, não causou nenhuma surpresa a manutenção dos 10 árbitros brasileiros indicados pela CBF para a FIFA. São eles (desde o começo do ano):

Árbitros:
Anderson Daronco (RS)
Bráulio da Silva Machado (SC)
Bruno Arleu de Araújo (RJ)
Flavio Rodrigues de Souza (SP)
Luiz Flavio de Oliveira (SP)
Rafael Traci (SC)
Raphael Claus (SP)
Rodolpho Toski Marques (PR)
Wagner do Nascimento Magalhães (RJ)
Wilton Pereira Sampaio (GO)

Mesmo sem boas atuações no último ano, foram mantidos Luiz Flávio (que definitivamente não deslanchou na carreira internacional), Bruno Arleu e Rodolpho Toski. Mas como o Brasil tem o número máximo de FIFA’s permitido, a CBF não observou outros nomes que pudessem substitui-los na lista, evitando assim correr o risco de desagradar suas federações de origem.

A novidade foi o tão aguardado anúncio do quadro específico de árbitros de vídeo (os árbitros acima exercerão a arbitragem principal da partida e poderão ser escalados como VAR; mas os da lista específica, só poderão atuar como VAR, impedidos de entrar em campo como árbitros centrais nas competições internacionais). Abaixo:

Árbitros assistentes de vídeo (VAR)
Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG)
José Claudio Rocha Filho (SP)
Rodrigo D’Alonso Ferreira (SC)
Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)
Rodrigo Nunes de Sá (RJ)
Wagner Reway (PB)

E aí, gostou dos nomes? São razoavelmente experientes, mas que não fazem jus à condição de FIFA como árbitros centrais.

Anderson Daronco, árbitro do quadro internacional FIFA em 2021

– Um sorriso desnecessário que derruba o seu trabalho: Santa Cruz x Ituano!

O Santa Cruz-PE venceu o Ituano-SP na briga pelo acesso da Série B do Brasileirão (última rodada do primeiro turno do quadrangular final). Entretanto, o time paulista reclamou demais da arbitragem, com expulsões de seus atletas e outras marcações.

O problema maior foi: depois do jogo, o volante Paulinho, do Santa Cruz, foi cumprimentar o árbitro Igor Junio Benevenuto. De forma efusiva, abraçou e sorriu para o juizão, que retribuiu. Vinícius Bergantin, treinador do Ituano, ficou irritadíssimo com a imagem.

Vamos lá: é normal que as equipes, pós-partida, cumprimentem por educação a arbitragem (ou reclamem, quando descontentes). O erro se deu com a falta de experiência / vivência de Igor, que já deveria ter aprendido (pois tem um razoável tempo de carreira) que se deve evitar situações de constrangimento quando há algum entrevero na partida.

Se um time se queixa durante o jogo de favorecimento a outro, mesmo não existindo, EVITE ficar parado, sorrindo em campo e, principalmente, deixando se abraçar come se existisse intimidade. Cumprimente de longe, faça cara de sério, mostre-se imparcial e, lembrando, evite contato físico (afinal, estamos em época de pandemia).

Igor fez o de sempre: apitou dentro dos seus limites. Mas foi contestado pela falta de distanciamento permitida por ele próprio.

Não basta ser honesto, há de se mostrar a honestidade com coisas que, mesmo sendo bobas para nós, podem ser relevantes para o torcedor ou à equipe que perdeu.

Outros detalhes em: https://globoesporte.globo.com/google/amp/sp/tem-esporte/futebol/times/ituano/noticia/em-rede-social-ituano-acusa-arbitro-de-comemorar-vitoria-do-santa-cruz-com-jogadores.ghtml

– O pênalti cobrado por Pedro em Fortaleza 0x0 Flamengo: o bi-toque e o buraco cavado!

Sobre o lance polêmico pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro no Ceará: o pênalti cobrado por Pedro (FLA)!

Entenda: a cobrança do tiro penal exige que a bola seja tocada para frente (não precisa ser chutada para o gol, pode até rolar para um companheiro, desde que o toque seja executado corretamente). Como qualquer cobrança de infração, o executante só pode tocar na bola novamente depois que outro atleta relar nela (a trave não vale, pois ela é neutra).

Depois dessa explicação breve, fica fácil entender: quando Pedro toca na bola pela 1a vez, o pênalti é considerado “cobrado” (não importa se foi por escorregão ou não). O 2o toque, mesmo involuntário, é irregular.

Acertou o árbitro Rafael Traci em marcar tiro livre indireto ao adversário, no local do 2o toque.

Duas perguntas surgiram:

1. Se existiu invasão de área por parte do time do Fortaleza, deveria ter voltado a cobrança?
Neste caso, NÃO, pois de nada influenciou o erro do flamenguista tal ato.

2. Ronald (FOR) foi flagrado mexendo no ponto penal (aquela catimba velhaca de ficar cutucando o local para atrapalhar o oponente). O que fazer?
Se flagrado pelo árbitro, o juiz deve dar Cartão Amarelo ao jogador e verificar se o local está adequado para a cobrança.

Anular a partida, punir o atleta ou algo que valha depois do jogo, aí não dá.

Tal lance aconteceu recentemente em duas partidas: com Grizmann em Atlético de Madrid x Real Madrid e no próprio Brasileirão em São Paulo x Vitória. Relembre aqui: https://professorrafaelporcari.com/2017/05/10/o-penalti-de-2-toques-de-griezmann-ja-aconteceu-no-morumbi/.

Fortaleza x Flamengo: veja onde assistir, escalações, desfalques e  arbitragem | brasileirão série a | ge

– Cansei dos percalços do futebol em 2020. E você?

No final do ano, sempre se faz balanços sobre os acontecimentos ocorridos. E quando penso no futebol… desanimo, tamanho é o desânimo.

Explico:

Quantos casos explícitos ou velados de racismo presenciamos em 2020? E ao invés de termos unanimidade no combate ao preconceito, testemunhamos pessoas falando que é “mi-mi-mi”… Que insensibilidade! De onde vem tanta falta de empatia?

Aí vemos os clubes não fazendo a parte deles. O Corinthians fala em “proteger as ‘minas’”, mas faz gozação homofóbica contra o São Paulo. O Tricolor, por sua vez, tem feito campanhas efetivas em defesa dos torcedores gays da sua agremiação? Lógico que não. A propósito: e a campanha para uso da “Camisa 24” que diversos clubes lançaram? Ficou só no blá-blá-blá, aparentemente.

O que entristece é o discurso descomprometido que é “só futebol”, que tudo pode. Peraí: falamos de futebol profissional, business, milhões (e às vezes, bilhões) envolvidos. É a indústria do entretenimento, que gera empregos, paixões e eventos. Não é a várzea amadora, das periferias onde tudo pode (ou quase tudo). É jogo (ou jogaço) que acontece no Morumbi, Maracanã ou Mineirão!

Como toda atividade profissional, há regras, ética, responsabilidades social e fiscal, além da necessidade de ser e dar exemplo.

Quer mais um desapontamento? Equipes falidas que abrem mão de trabalhar com parceiros sérios como Red Bull, City Group ou qualquer outro conglomerado, mas aceitam empresários suspeitos e negócios escusos, pois eles “não vão mudar o uniforme do time” ou “vender a ‘alma’ da equipe”. E se der errado, lógico, a culpa é da imprensa (como virou um mantra).

Alma? Só se for penada… ou “pelada no saldo bancário”. Mas dos cartolas envolvidos, aí é outro papo!

Já imaginaram quanta história os centenários Paulista de Jundiaí, Noroeste de Bauru, Ponte Preta de Campinas ou tantos outros têm, e correm o risco de sumir num curto médio / prazo? Sim, o panorama catastrófico é real, pois as contas vencem e o cenário global é cada vez mais rápido (e não aceita desculpas).

Vale o mesmo para os grandes, que se apequenam cada vez mais: Vasco e Botafogo vivem do quê? De títulos, de receitas, de ambos ou de nenhum deles? Ou de… história?

É desanimador, me desculpem. E se falar de outra seara, a arbitragem, é pior ainda! A FPF tinha sempre meia dúzia de árbitros em condições de apitar pela FIFA (e qualquer jogo no mundo). E hoje?

Aliás, o VAR, que tanto ajuda mundo afora, aqui atrapalha. Sem contar nos cabides de emprego: AVAR1, AVAR2 e supervisor de protocolo, onde a cartolagem do apito se auto-escala e se “auto-avalia”. 

Tudo isso faz com que exista descrédito. Rogério Ceni deixou no ar que há favorecimento para o São Paulo no Brasileirão. Ué, quer dizer que árbitro paulista não pode apitar time carioca pela luta do título? Também não poderá gaúcho, mineiro e de outros estados envolvidos na parte de cima e na parte de baixo da tabela. Assim, vamos trazer árbitros do Tocantins, do Amapá e da Roraima, que não têm times na 1ª divisão.

Neste discurso cheio de teorias conspiratórias, quem vai investir num campeonato que é colocado em dúvida?

Desculpem-me, mas cansa. E para cansar derradeiramente, lembremo-nos que até semanas atrás os dirigentes dos clubes queriam, junto com os políticos, a volta das torcidas em plena pandemia.

Acabe logo 2020. Venha diferente, 2021. E bem melhor, pois esse último no cansou demais.

– Lisca Doido ou Lisca Bravo?

Não vi o lance reclamado pelo América-MG, mas o treinador Lisca (conhecido como “Lisca Doido”) ficou muito, muito bravo mesmo!

A imagem mostra que seu apelido faz jus, aqui: https://youtu.be/EooyVV4VokU.

– O Racismo contra Gerson, por parte de Ramírez no Flamengo 4×3 Bahia: o que o juiz poderia ter feito?

Índio Ramírez, jogador colombiano do Bahia, foi acusado de praticar racismo contra o flamenguista Gerson. E, por enquanto, fica o protesto do brasileiro ao ato negado do seu adversário.

Que se investigue, se chegue a uma conclusão e que se puna, caso tudo se confirme.

Fui perguntado: e o árbitro nisso tudo?

O árbitro Flavio Rodrigues de Souza não poderia expulsar Ramírez sem ter flagrado o xingamento. Ele também não pode advertir o jogador simplesmente pela reclamação do outro (porque, poderia até – e não estou dizendo que foi neste caso – ter sido uma forma de mentir e prejudicar a outra equipe). O juiz tem que presenciar a ofensa.

E o VAR? Poderia ter ajudado?

Veja que curioso: NÃO neste caso!

O árbitro de vídeo só pode trabalhar com imagens e não sons. Imagine que Flávio fosse à cabine e ouvisse uma fala: ele não poderia, por protocolo, fazer uso do som e tomar a decisão (por incrível que possa parecer), nem tentar leitura labial ou algo parecido. O VAR se refere às imagens, pura e simplesmente, de atos.

Como o racismo é um assunto sério, a atitude do árbitro passa a ser: relatar em súmula que existiu a reclamação mas, como não ouviu a ofensa, não pode tomar as providências por falta de comprovação.

O outro lance discutido do jogo foi a expulsão de Gabigol. Sobre ela, aqui: https://professorrafaelporcari.com/2020/12/20/a-expulsao-de-gabigol-em-flamengo-x-bahia/.

Lembrando ainda que a proibição de som pelo VAR também foi discutida no episódio de racismo sofrido por Neymar no entrevero com Gonzáles. Recorde aqui: https://professorrafaelporcari.com/2020/09/14/acredite-o-var-nao-poderia-interferir-no-caso-do-racismo-sofrido-por-neymar/.

STJD investigará acusação de Gerson de racismo de Ramirez com imagens

– A Expulsão de Gabigol em Flamengo x Bahia

Parabéns ao árbitro Flávio Rodrigues de Souza! Mostrou que faz jus ao uso do escudo FIFA, ao não passar por “banana” no lance envolvendo Gabriel Barbosa.

É notório que Gabigol tropeça e desequilibrado pede uma falta (não foi relevante o toque de mão nas costas do jogador do Bahia, já que, para ser falta, tem que impedir a sequência normal do lance – e não foi isso que aconteceu). De maneira “folgada”, reclamou ao juizão com palavrões. Flávio não fez média e mostrou a autoridade que deve ter um árbitro de futebol, mostrando o Cartão Vermelho.

Pelo peso da camisa, em condições de “fazedor de média”, o natural era que um juiz medroso “fizesse de conta que não ouviu”. Felizmente, não foi o caso de Flávio.

Registre-se: um jogador importante como Gabigol não pode dar uma vacilada tão infantil com 9 minutos de jogo.

Flamengo x Bahia: veja onde assistir, escalações, desfalques e arbitragem |  brasileirão série a | ge

– O gesto obsceno na expulsão de Rossi.

Tem jogador que não tem noção de que pode ser flagrado numa partida de futebol. Vejam só o motivo (proibido para menores) que o jogador Rossi, do Bahia, recebeu Cartão Vermelho, contra o Defensa Y Justicia pela Copa Sulamericana. 

Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=dt7fQdh9go0