– Bahia x Corinthians e o VAR avacalhado.

O árbitro Ricardo Marques Ribeiro, num lance comum de “bola que bate sem qualquer propósito na mão” do zagueiro do Bahia, demorou 3 minutos para decidir (ou para escutar o VAR) dizer que foi lance normal de jogo, casual.

Como pode? É avacalhar com o Equipamento Eletrônico.

Confesso: eu (que estou em casa) fico constrangido ao ver tal absurdo. Para qualquer árbitro, é lógico que foi involuntário, casual e não infracional.

Pra quê tal teatro? Para dizer que usa o VAR?

– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Palmeiras x Santos, final da Libertadores 2020.

Patrício Loustau, experiente árbitro argentino da FIFA de 45 anos, apitará a decisão entre Palmeiras x Santos (ou se você preferir: Santos x Palmeiras) na final da Libertadores da América de 2020, no Maracanã.

Para mim: merecido, pelo conjunto da obra. Um prêmio ao juiz de longa caminhada na carreira.

Árbitro desde bem jovem, Loustau é a prova de que a experiência pode ajudar a melhorar alguém. Afoito quando entrou no quadro de árbitros da FIFA, expulsava demais e mantinha o rigor como sua marca (até com exagero). Com o passar dos anos, soube dosar muito bem suas atuações. Hoje, usa a advertência verbal com mais propriedade e não “queima cartões à toa”. É respeitado em seu país e pelos atletas que já jogaram com ele no comando do apito.

Em 2019, Patrício Loustau apitou Flamengo 5×0 Grêmio pela Libertadores 2019, após ser criticado (injustamente) pela atuação em jogos anteriores do próprio Mengão (Internacional 1×1 Flamengo e Flamengo 0x1 Peñarol). Também foi ele o árbitro de Grêmio 0x1 Palmeiras, no mesmo ano.

Em 2020, apitou 5 jogos da Libertadores, com 25 cartões amarelos e NENHUM vermelho. Destaque para Internacional 0x1 Grêmio, uma guerra em Porto Alegre. A propósito, ele gosta de “jogos nervosos” – me recordo de um Boca x River onde aplicou 14 Cartões, com 5 expulsões (foi um jogo marcante)!

Seu histórico de amadurecimento ao longo dos anos mostrou que ter o discernimento de uma “bronca bem dada” ao invés do excesso de cartões (muitos árbitros escondem sua fraca autoridade atrás do excesso de Amarelos) é salutar. Prova disso, são seus números de advertências reduzidas dentro de campo com o Cartão Amarelo, e as poucas queixas que recebeu nos últimos trabalhos.

Eu tenho na mente, nas atuações de Loustau, o jogo entre Corinthians x Once Caldas, onde ele expulsou Paolo Guerrero ainda no primeiro tempo por agressão. Naquela partida, o juizão foi muito bem, mostrando um senso de posicionamento espetacular dentro de campo. Relembre: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2015/02/05/explicando-os-2-lances-polemicos-de-corinthians-4-x-0-once-caldas/.

Aliás, estar bem posicionado dentro do campo é uma de suas características, o que faz com que ele recorra pouco ao VAR, dando muita dinâmica ao jogo. Mas há um defeito em seu estilo, que pode ser explicado pela sua nacionalidade: não coibir a contento a cera! E isso é perceptível nos jogos de argentinos, “contaminando os árbitros”: nas “milongas” para reiniciar a partida, os clubes argentinos, quando estão ganhando, demoram para colocar a bola em jogo. E esse retardamento passou a ser algo comum não só pelos atletas, mas um “aceite cultural” dos árbitros daquele país. Nada, evidentemente, que possa ser corrigido ou que influencie num placar.

Curiosidade: Patricio Loustau é filho de Juan Carlos Loustau, árbitro da final do Intercontinental de Clubes entre São Paulo x Barcelona (1992), além de ter atuado na Copa de 90. Arbitrar está em seu sangue.

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– Quem disse que precisa de torcida para o árbitro sentir pressão? O pênalti de Internacional 2×1 Grêmio.

Edenilson cabeceia a bola e ela bate no peito de Kannemann, rebatendo em seu braço. Lance rápido, involuntário, totalmente casual. A força do cabeceio e a proximidade fizeram do corpo do gremista uma tabela.

Mas não é que o árbitro Luiz Flávio de Oliveira marcou pênalti? E o VAR Wagner Reway confirmou?

Aí não dá… É a famosa Regra 12B, exclusiva do Brasil. Não existe nada de intenção, nenhum movimento antinatural, nada disso. Nenhuma infração. Uma pena, virou brincadeira de “queimada”. E nem pressão da torcida tinha para que o árbitro, na dúvida, fraquejasse.

Se você quiser entender bem didaticamente a Regra da Mão na Bola (atualizada, do jeito que a International Board quer, diferente do que praticamos somente no Brasil), compartilho aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2016/09/11/os-penaltis-de-mao-na-bola-no-brasileirao-perdemos-a-vergonha-com-a-regra-12b-2/

Internacional x Grêmio: saiba como assistir ao GreNal 429 AO VIVO

– As mudanças abruptas na Arbitragem Paulista e as demissões de árbitros.

Dias atrás, fizemos algumas críticas pontuais e necessárias sobre a equivocada estratégia para revelar árbitros utilizada pela FPF: ela abre inscrições “aos montes” para a Escola de Árbitros todo ano, forma dezenas (ou centenas) de jovens juízes (arrecadando um valor financeiro enorme) e não tem onde colocar todo mundo para apitar ou bandeirar. Diante disso, ainda resolveu “importar / desaposentar árbitros” (leia esse artigo no link em: https://wp.me/p4RTuC-sPf).

Pois bem: agora, o inchadíssimo quadro de quase 500 nomes foi surpreendido com a “renúncia dos serviços prestados” (um nome escolhido “a dedo” para dispensa) de mais de 10% deles.

ACERTA a Federação Paulista, mas simultaneamente ERRA. Explico:

O ACERTO Com 500 árbitros (e os que se formarão), você não consegue dar ritmo de jogo à maioria, nem observá-los a contento. Calculando equipes de arbitragem com VAR na série A1, sem VAR na A2 e na A3, você utilizaria um pouco mais de 100 juízes imaginando que os jogos acontecessem na mesma data e horário (e sabedor que essas competições duram no máximo 3 meses). Portanto, ciente que as categorias de base começam em outras datas e podem usar alunos da Escola de Árbitros (se for uma opção formadora coesa), não faz sentido ter 4 vezes mais árbitros do que você precisa no auge das competições.

O ERRO – Tendo feito os árbitros cursarem módulos de capacitação, obrigando-os a estarem em forma mesmo sem partidas para trabalharem durante a pandemia (somente uma elite é escalada pela CBF, quase todos ficaram sem remuneração mas à disposição), exigindo os exames médicos e certidões de “Nada consta” na Justiça, passando-os por provas físicas e escritas à exaustão… quando a preparação para os campeonatos se aproxima, dispensa-os com uma carta de “renúncia aos serviços” (ops: a FPF obriga os árbitros a fazerem uma carta de próprio punho dizendo que não são empregados da entidade, mas prestadores autônomos de serviços de arbitragem aos clubes, a fim de não caracterizar vínculo empregatício).

Faltou sensibilidade à chefe dos árbitros, Ana Paula de Oliveira, na maneira como conduziu isso. Ou não foi ela quem conduziu tudo isso? Afinal, ela é a presidente da CEAF-SP.

LAMENTO demais o melhor nome que se encontrava como dirigente da Comissão, o competente bandeira que foi da FIFA Emerson Augusto de Carvalho (de Copas do Mundo) ter sido demitido pela FPF. Ele entendia do assunto e sua saída foi injusta pela igual competência que mostrava fora das 4 linhas.

Entendo perfeitamente que a FPF é uma entidade privada e “faz o que quiser”: contrata quem quer, dispensa quem desejar. Mas não nos esqueçamos que ela não pode ter benesses de órgãos públicos (pois ela lucra demais) e que nenhuma autoridade importante questiona esse modo de contratação de árbitros, cobrando-os como seus funcionários mas tratando-os como “à parte dos seus colaboradores”. Vista grossa institucionalizada?

Sem 13o, Férias, FGTS ou multa, os árbitros, cientes disso quando entram, não tem para quem reclamar. Esqueça o Sindicato da Categoria, pois não ter força alguma.

Repito: acerta ao diminuir o quadro, mas erra com a maneira desumana em momento impróprio (se empregados fossem, ao menos os árbitros teriam o valor da rescisão).

No linguajar popular, essa imagem, abaixo, representa bem o significado de dedicação ao trabalho e posterior demissão sem um centavo na mão

Atualizando: foram 51 árbitros de 467, segundo a FPF em: https://www.uol.com.br/esporte/colunas/lei-em-campo/2021/01/20/fpf-dispensa-arbitros-e-retoma-discussao-de-amparo-juridico-a-profissionais.htm?utm_source=twitter&utm_medium=social-media&utm_content=geral&utm_campaign=esporte

– São Paulo x Internacional, Diniz x Abelão, Moderno x Antiquado…

Já foi clássico de Final de Libertadores da América, e hoje será o “clássico dos chavões”: um esquema mais ousado de Fernando Diniz no São Paulo contra o esquema mais conservador (que não quer dizer desatualizado) de Abel Braga. Inexperiente (se é que é) contra Experiente (e muito). Moderno versus Ultrapassado (de verdade ou com má vontade)?

Qual será a “chamada” mais recorrente que teremos para esse jogaço?

Não estou dizendo que concordo com esses citados acima, mas prefiro: duelo de líderes! Afinal, são os ponteiros do Brasileirão!

Para esse jogo, o mais experiente dos árbitros brasileiros em atividade (literalmente falando, em todos os aspectos): Marcelo de Lima Henrique!

Há de ser uma grande disputa e torço para uma boa arbitragem.

São Paulo x Internacional - SPFC Notícias

– A correta expulsão de Gabriel no Palmeiras 4×0 Corinthians

Algo a contestar sobre o cartão vermelho recebido pelo corintiano Gabriel?

Após ter uma falta de ataque marcada a seu favor, perdeu a cabeça e deu uma cotovelada. Avisado pelo VAR, o árbitro Jean Pierre “Vin Diesel” o expulsou.

Mas, cá entre nós, o motivo desse lance ter acontecido é um só: a pressão de um Derby e o descontrole mental! E aqui, uma verdade: nenhum time de futebol brasileiro (na Alemanha, é comum) treina inteligência emocional voltada ao esporte! Se fosse uma realidade tal disciplina, poupar-se-ia a situação.

Quem sabe no futuro isso seja mais comum no Brasil?

Palmeiras x Corinthians: horário, local, escalações e transmissão

– Qual seria a classificação do Brasileirão, se as torcidas estivessem presentes nas arquibancadas?

Teremos um Derby em plena 2a feira, com um Palmeiras classificado para duas finais importantes e o Corinthians em ascensão graças ao chamado “Mancinismo”. Mas estariam nessas posições, caso as torcidas estivessem liberadas nos estádios?

Obviamente é achismo, mas dentro da “futurologia hipotética”, não é curioso discutir tal situação?

No caso dos cartolas: o São Paulo seria líder do campeonato, ou os gritos dos torcedores teriam pressionado a diretoria a demitir Fernando Diniz? O Flamengo ainda estaria com Ceni? O Palmeiras teria chegado onde chegou?

É difícil pensar. Mas indo mais longe, agora com os árbitros: alguns pênaltis teriam sido marcados ou deixados de marcar? Até onde a arbitragem teria tomado algumas decisões técnicas que tomou, sem a pressão das arquibancadas? O número de Cartões Amarelos seria maior ou menor?

Por fim: e os jogadores? Teriam mais chutes a gols ou menos? O medo de atacar o adversário seria de maior ou menor intensidade? Ousar alguns lances com torcedores presentes e gritando, seria em grau menor?

Ficaremos no imaginário. Mas a curiosidade permanecerá: se não fosse um ano atípico, como tudo isso seria?

A cornetagem no futebol, obviamente, tem algum impacto. “Qual é ele”, é a discussão!

Sabe por que torcedores “chatos” são chamados de “corneteiros”? - Corneta  FC - UOL

– Athlético Paranaense 1×1 São Paulo e o lance “cara-de-pau”.

Na Arena da Baixada, aos 36m do 2o tempo, o exemplo de como está chato discutir arbitragem de futebol: lance de ataque do SPFC, uma bola bate no rosto e na sequência no braço do zagueiro do CAP, à queima roupa. Não foi nenhuma infração.

Procure as imagens na TV e veja a reação dos jogadores reservas do SP que estão ali próximos! HILÁRIO, ou melhor, cara-de-pau.

É constrangedor pedir pênalti em tal lance. Mas entendo: é a geração de quem viu a regra mudar e o Brasil avacalhar lances assim como penais.

– Os melhores árbitros de futebol do mundo, segundo a IFFHS.

Muita gente contesta as estatísticas divulgadas pela IFFHS (a Federação Internacional de Estatística e História do Futebol). Até mesmo sobre a importância da entidade, existe controvérsia. Mas uma coisa não se pode reclamar: da ausência de árbitros brasileiros importantes em sua lista dos melhores da última década!

Um país que já teve nomes frequentes como os mais gabaritados, com importância indiscutível em Copas do Mundo (Romualdo Arpi Filho, Arnaldo César Coelho, José Roberto Wright, Renato Marsiglia, Carlos Eugênio Simon, para citar alguns), não pode cair no ostracismo internacional.

Abaixo, a relação dos melhores da última década (19 nomes divulgados) e os melhores de 2020 (14 juízes na lista, de acordo com o site da IFFHS):

RANKING IFFHS WORLD’S BEST MAN REFEREE OF THE DECADE 2011-2020

Name / Country 

1. Felix BRYCH / Germany
2. Cuneyt CAKIR / Turkey 
3. Bjorn KUIPERS / Netherlands 
4. Niccola RIZZOLI / Italy 
5. Nestor PITANA / Argentina
6. Howard WEBB / England 
7. Damir SKOMINA / Slovenia
8. Martin ATKINSON / England
9. Viktor KASSAI / Hungary 
10. Antonio MATEU LAHOZ / Spain 
11. Gianluca ROCCHI / Italy
12. Marc CLATTENBURG / England 
13. Pedro PROENCA / Portugal 
14. Carlos V. CARBALLO / Spain
15. Milorad MAZIC / Serbia 
16. Ravshan IRMATOV / Uzbekistan 
17. Jonas ERIKSSON / Sweden 
18.Clement TURPIN / France 
19. Alireza FAGHANI / Iran 

RANKING THE WORLD’S BEST MAN REFEREE 2020

Name / Country 

1. Daniele ORSATO / Italy
2. Felix BRYCH / Germany
3. Björn KUIPERS / Netherlands
4. Damir SKOMINA / Slovenia
5. Antonio Mateu LAHOZ / Spain
6. Anthony TAYLOR / England
7. Nestor PITANA / Argentina
8. Cüneyt CAKIR / Turkey
9. Mike DEAN / England
10. Clement TURPIN / France
11. Danny MAKKELIE / Netherlands
12. Ovidiu HATEGAN / Romania
13. Slavko VINCIC / Slovenia
14. Jose Maria MARTINEZ / Spain

Na imagem, o grande e saudoso Dulcídio Wanderley Boschilia, que nunca foi a uma Copa do Mundo mas era sensacional dentro de campo. Sobravam talentos no Brasil…

– 3 pontos de vista sobre o VAR do Allianz Arena:

Ainda sobre as polêmicas do jogo Palmeiras x River Plate, para apreciação dos amigos leitores, compartilho uma entrevista que dei ao Lance!, juntamente com os ex-árbitros FIFA Alfredo dos Santos Loebeling e Renato Marsiglia, sobre a atuação do VAR.

Disponível em: https://www.lance.com.br/palmeiras/arbitros-analisam-var-river-plate-uma-aula.html

EX-ÁRBITROS ANALISAM VAR DE PALMEIRAS X RIVER PLATE

Apesar de todas as dificuldades, o Palmeiras conseguiu se classificar para a final da Copa Libertadores da América pela primeira vez em mais de 20 anos. A partida decisiva da semifinal, que terminou em 2 a 0 para o River Plate, no entanto, ficou marcada por erros palestrinos e atuações decisivas do VAR. Para entender se as marcações no decorrer do jogo foram corretas, o NOSSO PALESTRA/LANCE! conversou com ex-árbitros que elogiaram a utilização da tecnologia.

O primeiro nome contactado pela reportagem foi Alfredo Loebeling, que fez parte do quadro da Fifa entre 2001 e 2002 e elogiou a participação do VAR na partida.

– O VAR veio pra isso. O torcedor tem que entender que o VAR um dia vai salvar a arbitragem prejudicando o seu time de coração, e noutro dia vai salvar ajudando o seu time, como foi ontem. O que nós tivemos ontem foi a correção de equívocos da arbitragem em lances muito difíceis. No segundo pênalti, o cara tava nitidamente impedido. O que não pode acontecer é as pessoas falarem que o VAR ficou procurando uma imagem para salvar o Palmeiras, isso é papo de boteco. Ele tem uma série de imagens, que vão dizer se o árbitro acertou, ou se precisa de correção. Não é o VAR que anula o gol, o pênalti. Ele informa o árbitro e sugere uma revisão – declarou Loebeling, que completou:

– A decisão final é do árbitro de campo. No lance do gol, tinha um jogador impedido. A bola tocou no jogador do Palmeiras, mas pra tirar o impedimento o toque tem que ser de forma deliberada, o que não foi o caso. Foi bem anulado. A expulsão foi, na minha visão, exagerada, porque o árbitro não vinha com esse critério o jogo inteiro. Eu não teria expulsado, acho que o árbitro mudou o critério dele. No primeiro pênalti anulado, o toque existe, mas foi provocado pelo jogador do River. A discussão é que o jogador do River provoca o toque, aí o árbitro não pode marcar. O árbitro acertou nas decisões graças ao VAR. Eram situações que não tem como você olhar sem as câmeras, é muito difícil.

Outro que falou com o NP/L! foi Rafael Porcari, que é ex-árbitro, consultor de arbitragem, comentarista na Rádio Difusora, tem o blog ‘Pergunte ao Árbitro’ e, também, exaltou a atuação do árbitro de vídeo, descrevendo-o como algo necessário para o futebol.

– Ontem foi a prova de que o VAR é uma ferramenta necessária para o futebol, que legitima placares e precisa de pessoas competentes usando. Nos três lances, o árbitro de vídeo foi muito bem nas intervenções. A única falha foi a demora, mas as intervenções foram corretas. O lance do gol anulado foi sensacional, é um lance didático. Foi a mesma coisa que aconteceu no gol do Scarpa na partida de ida, que gerou uma polêmica sobre o desvio tirar ou não o impedimento. No lance teve o desvio, mas não é o tipo que tira o impedimento – disse Rafael, que prosseguiu:

– O último pênalti estava impedido, não tem dúvida, mas, mesmo assim, foi um choque de jogo. A expulsão foi correta, é lance pra cartão amarelo. Tendo amarelo, tem que dar o segundo. O que eu acho mais interessante é a questão do desvio tirar ou não o impedimento. Alguns tipos de desvios, de fato, tiram o impedimento, mas só os que têm um toque deliberado. Se você tem um jogador impedido, o atacante vai lançar a bola pra ele e você quer interceptar a bola, você manifesta a vontade de disputar e não deixar o cara receber a bola, você tirou o impedimento, porque você se jogou pro lance. Agora, você estar posicionado e o seu corpo serve como tabela, não tira o impedimento. Você tem que ter a intenção clara e manifesta de interceptar a bola. Bater por bater não tira o impedimento.

Além destes, o ex-árbitro e ex-comentarista Renato Marsiglia afirmou ter se rendido à tecnologia, deixando evidente que esta fez justiça no confronto da última terça-feira (12).

– Eu diria que o VAR ontem influenciou no resultado da partida de maneira justa. São lances que, num primeiro momento, eu não vi irregularidade. O VAR trouxe justiça e salvou a arbitragem, mesmo sendo lances que seriam muito discutidos depois do jogo. Não tenho dúvidas de que o torcedor do River Plate está indignado, assim como se fosse o contrário o do Palmeiras ficaria – afirmou Marsiglia, que seguiu:

– Eu acabei me rendendo à tecnologia. Com a quantidade de recursos eletrônicos que existem, nada mais natural que estes sejam colocados à disposição da arbitragem pra diminuir os erros gritantes. O árbitro de vídeo acertou. No último lance, tenho certeza que o árbitro de vídeo chamou o de campo para analisar uma possível penalidade máxima e, no tempo que ele foi lá, eles pegaram o impedimento, que matou a possibilidade do pênalti. E o impedimento existiu, assim como no primeiro lance, que teve como consequência o que seria o terceiro gol do River Plate. As decisões foram corretas. Não vou dizer que o Palmeiras foi favorecido. A regra foi aplicada corretamente. O árbitro iria errar se não fosse o VAR. Sobre o primeiro pênalti, na hora eu achei que tinha sido. Vendo por outros ângulos, porém, fica claro que o jogador do River Plate abre a perna, dobra o joelho e provoca o tropeço pra cair. Foi mais um lance capital em que o árbitro de vídeo interferiu de forma positiva para trazer justiça ao resultado da partida.

Por fim, o NP/L! conversou também com outro ex-árbitro FIFA, que pediu para não ser identificado e descreveu a partida do Verdão como uma “aula de VAR”, afirmando que ele “acertou em todas as decisões”.

O uruguaio Esteban Ostojich tomou decisões cruciais pra definição do resultado (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)