– O Cartola que se acha “O Cara”, em Juventus 1×2 Taubaté.

Sabe aquele cartola que se acha o “tal”, que fala para seus pares que vai pressionar o juiz para o time dele ganhar, e que quando isso acontece (por funcionar ou simplesmente por coincidência) se gaba pois sua “valentia deu certo”?

Isso é muito comum no futebol brasileiro, e aconteceu ontem na A2 (de maneira hilária): vivendo a bolha sanitária, o Juventus não pode jogar na Moóca (por falta de refletores) e foi para Santos, jogar no Ulrico Mursa às 20h contra o Taubaté. Perdeu por 2×1, mas, para muitos, não pela superioridade do “Burro da Central”, mas pela “força das palavras” de um dirigente do adversário.

Vejam o relato em súmula do árbitro Alysson Matias, do que fez o diretor citado abaixo (quando a equipe dele perdia) e sua atitude quando o time virou o placar:

“Informo que aos 47 minutos de jogo, após a marcação de uma falta em favor do Clube Atlético Juventus, o senhor Carlos Magno Bueno dos Santos, membro da diretoria do Esporte Clube Taubaté, proferiu as seguintes palavras em tom alto e exaltado: ‘seu filho da puta, vai tomar no seu cú. Não foi falta porra nenhuma, vai tomar no cú, ladrão, filho da puta, você é fraco’. Informo ainda que, ao fim da partida, o mesmo veio próximo ao alambrado (zona vermelha) em direção ao vestiário da equipe da arbitragem proferindo as seguintes palavras: ‘só foi eu te xingar que você melhorou’“.

É esse o futebol profissional brasileiro… Pode?

Juventus x Taubaté: como assistir ao jogo da Copa Paulista AO VIVO

– Quem implodiu a Superliga da Europa: a pressão dos torcedores, a UEFA ou os próprios clubes?

Não tenhamos dúvida: a criação da Superliga formada por potências europeias da Inglaterra, Espanha e Itália, visava mais dinheiro aos clubes. Nunca foi um movimento para criação de um futebol elitista, nem de independência de UEFA ou FIFA, mas sim o desejo de chantagear as entidades organizadoras para maior remuneração aos clubes.

A ideia de uma “NBA dos times”, ou de um formato de MLS (mais fechado) era interessante por um lado, mas excludente por outro. Não havia santos nesta história (são todos empresas privadas, que buscam lucro), e, aparentemente, o propósito deu certo.

Os clubes da Inglaterra conseguiram mais dinheiro da UEFA e implodiram a Superliga (segundo o que os jornais retratam hoje). E aqui, é capitalismo puro como sempre feito na história: por exemplo, a reinvenção do Campeonato Inglês após o Relatório Taylor (atacando os Hooligans e criando novas responsabilidades, trazendo torcedores aos estádios), a criação da Premier League (aumentando o faturamento) e o superdimensionamento dos seus torneios em mercados como no Sudeste Asiático (explorando esse público ávido em gastar e investir) deixaram o futebol mais rico. E isso não quer dizer “mais honesto”: vide os mecenas suspeitos que investem nos times de lá: russos envolvidos em máfias, sheiks árabes, califas dos emirados, tailandeses suspeitos (vide que os termos estão realmente no plural), em diversas divisões.

É movimento por mais dinheiro, simplesmente. Negociações com “atitudes polêmicas”, supostamente divisionistas, mas que se rendem ao vil metal. Os protestos de torcedores, de patrocinadores e até de jogadores, tenhamos certeza, foram repercussões negativas calculadas por quem se aventura numa situação como essa.

Em tempo: Florentino Perez, aparentemente, se deu mal. Sem 6 times da Inglaterra, não há Superliga. E não lhe foi oferecido verba suplementar ao Real Madrid e demais, segundo se especula…

Por fim: o torneio nasceu e já morreu. Mas o objetivo final (o de ganhar mais dinheiro) foi obtido por metade dos postulantes. A outra (dos “não ingleses”), que se vire.

Ops, uma pergunta: se a FIFA e a UEFA colocassem em prática tais punições divulgadas na 2a feira, quem apitaria os jogos? Qual árbitro seria louco de desobedecer alguma dessas entidades?