– A expulsão de Nestor no São Paulo x Chapecoense.

O são-paulino Rodrigo Nestor começou a ser expulso do jogo contra a Chapecoense no Morumbi em 2008, no Chipre acredite se quiser!

Calma, explico: naquele ano, a UEFA pediu aos árbitros da Liga dos Campeões que ali se reuniam para rigor máximo em lances de “pé alto” que atingissem a cabeça dos adversários. Sempre lembrando: considerando que ocorra uma disputa de bola e exista o contato.

A FIFA, no mesmo ano, elaborou uma série de vídeos de instrução mostrando que nas situações onde ocorre um lance como esse, o árbitro deve trocar o cartão amarelo por “ação temerária” para cartão vermelho por “força excessiva / jogo brusco grave”. Recordo-me, inclusive, de uma reunião na qual participei na FPF com orientação do Prof Roberto Perassi.

Pois bem: como avaliar / distinguir tais lances?

Quando ouvimos falar de termos como “solada, pé-alto, perna erguida” e outros, lembramo-nos de pronto de “lance ilegal no futebol”. Mas será que isso realmente procede?

Vamos lá: tecnicamente, falamos em “jogo perigoso”. Se um atleta disputar a bola com a perna erguida, por exemplo, pode atingir um adversário e lesioná-lo. Se não atingir, o árbitro deve marcar tiro livre indireto, sem aplicação de cartão. Se atingi-lo,

1 – Deve marcar tiro livre direto e não se pune com cartão, caso entenda que foi uma ação imprudente;

2- Aplica-se cartão amarelo, caso entenda-se jogada temerária;

3- Expulsa-se com o cartão vermelho, caso entenda força excessiva.

4 – Há ainda outra situação: quando dois atletas não se percebem, tocam-se, trombam e caem – aí é acidente de trabalho ou simplesmente casualidade, não ocorrendo infração.

Mas o grande problema é: como entender se uma perna erguida é ou não jogo perigoso?

Para fazer a avaliação, o árbitro deve considerar alguns fatores:

A- A bola está em que altura?
B- As pernas do jogadores estão erguidas ou não? Importante: um jogo perigoso pode ocorrer também no chão, com uma disputa de atleta que pratique um carrinho que atinja a bola com as travas, mesmo não atingindo o adversário.
C- Há disputa de bola ou o jogador está sozinho, sem levar risco a alguém?
D- A que distância os atletas estão para a disputa de bola?
E- O principal: o risco de lesão.

Some-se a tudo isso: desde 2020, há a orientação explícita para que se aplique cartão vermelho em jogadas que atinjam com violência a cabeça do adversário, por conta do risco de concussão (de acordo com o webinar de Leonardo Gaciba, chefe dos árbitros da CBF, independente se forem cotoveladas, socos, chutes ou tapas). Na cabeça, portanto, virou “área de alerta” para rigor aos árbitros.

Diante de tudo isso, avalie: Rodrigo Nestor mereceu o cartão vermelho pelas orientações ou não? Para mim, sim, pela orientação atual.

O lance aqui: https://twitter.com/goleada_info/status/1405295641425813512

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s