– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Paulista x Guarulhos, rodada 4 do Campeonato Paulista Sub23 da 2ª divisão.

Gostei da escala de árbitros da FPF para Paulista x Guarulhos: Kleber Canto dos Santos, 41 anos, professor de Educação Física e há 14 temporadas na FPF, será o juizão.

É um árbitro bem condicionado fisicamente e que vem trabalhando bastante. Apitou jogos de A3 e mais recentemente da A2. Em partidas envolvendo o Galo, trabalhou no inesquecível União Suzano 0x8 Paulista (boa atuação, embora tenha marcado um pênalti inexistente naquela oportunidade – talvez pelo fato de não estar “ligado” pelo fácil jogo e elasticidade do placar) e Paulista 3×1 Amparo (aqui, foi muitíssimo bem, já que o Paulista vinha de ruins arbitragens envolvendo partidas contra o Amparo, que eram sempre problemáticas).

Desejo uma grande arbitragem e um ótimo jogo!

Na imagem abaixo, a escala completa, Destaque para o bauruense Márcio Luís Augusto, o observador – um ex-bandeira que trabalhou comigo em várias escalas e que considero um dos melhores profissionais que conheci, além de excepcional ser humano.

Acompanhe a partida com o Time Forte do Esporte com Adilson Freddo na Rádio Difusora, nessa quarta-feira, às 15h (e desde às 14h30 direto do Jayme Cintra).

– Os treinos dos Árbitros e do VAR estão valendo a pena?

Nesta rodada do Campeonato Brasileiro, muitas queixas (de novo) contra a arbitragem

Tivemos pênalti mal marcado em Santos 0x4 Flamengo (vide aqui nossa análise: https://wp.me/p4RTuC-xbL), tivemos questionamentos no Grêmio 0x1 Corinthians (as polêmicas no link em: https://wp.me/p4RTuC-xcn) e outras reclamações em Juventude 1×1 São Paulo (não pude assistir a esse jogo).

Tudo isso depois de mais uma semana de intensos… treinos para a arbitragem, na cidade de Águas de Lindóia, onde a nata da arbitragem se reune.

Quando houve a última imersão, na rodada seguinte tivemos uma lambança em Chapecoense x América (falamos sobre esse treino em: https://professorrafaelporcari.com/2021/08/17/arbitro-e-var-em-chapecoense-1×1-america-mostraram-o-retrato-da-tragedia/).

  • A questão é: a cada treino, a coisa piora, ao invés de melhorar?

Repito o que tenho escrito há dias: a culpa não pode ser creditada ao Gaciba exclusivamente, mas às pessoas que há décadas (desde a gestão Ricardo Teixeira) transitam nos departamentos ligados à arbitragem (Comissão de Árbitros, Secretaria de Árbitros, Diretoria de Desenvolvimento de Novos Talentos da Arbitragem, Diretoria de Desenvolvimento de Árbitro de Vídeo, entre tantas outras secretarias e/ou cabides de emprego – e que nunca “saem de verdade” da entidade, pois nunca hei demissão, mas remanejamentos de cargos).

Me questiono: por quê essas pessoas são insubstituíveis? Nenhum presidente de CBF as tira. Incrível!

Por fim, um desabafo: o cerne da questão não é a qualidade em si do árbitro, mas dos treinadores e orientadores de árbitros (não dos ex-árbitros que fazem o trabalho de “minhoquinhas”, mas dos mais velhos que se tornaram proprietários de posições).

Em tempo: no Brasil, tivemos a queda de Guto Ferreira (o único treinador brasileiro dos clubes nordestinos no Campeonato da Série A). Se vier um estrangeiro, será o 8º treinador aqui. Que tal imitarmos os clubes e importarmos treinadores de árbitros também? Mas não valem os atuais da Conmebol: Jorge Larrionda, Ubaldo Aquino, entre outros. Tem que ser europeu de 1a linha. Que tal um Colina?

As dez principais dúvidas sobre o VAR | bastidores da arbitragem | ge

– W.O. em Barcelona Esportivo x Paulista de Jundiaí! É a 4a divisão…

Marcado para o Estádio Nicolau Alayon, o jogo entre Barcelona Esportivo da Capela do Socorro x Paulista de Jundiaí (válido pela 4a divisão paulista) não aconteceu.

Motivo: W.O. Mas veja:

Estando as equipes em campo, não havia chegado a ambulância (o árbitro deve esperar PELO MENOS 30 minutos – antes disso não se pode cancelar a partida, mas pode se dar um prazo extra) . Mas com 23 minutos de atraso, ela chegou, e… o jogo não pode ser iniciado porque o Regulamento da divisão exige 2 ambulâncias – uma Tipo B e outra tipo D (a primeira, com motorista, dois enfermeiros e um médico; a outra, com um motorista e enfermeiro – ambas com uma série de equipamentos, incluindo desfibrilador). Está no artigo 33. Esperou-se quase 1 hora e a 2a ambulância não veio.

Pode-se questionar o exagero, mas está no regulamento. E, obviamente, a responsabilidade é do clube mandante de providenciar os veículos e profissionais. Não o fazendo, a partida não é realizada e vai para o Tribunal (onde se configurará WO – ou seja, 3×0 para o Paulista).

Duas observações:

1- Desde quando se vê duas ambulâncias com médico e enfermeiros à disposição dentro delas nessa divisão? Quantos jogos já ocorreram sem esse “padrão”? Fiquemos atentos nas próximas partidas.

2- O futebol está muito caro. Como bancar tamanhas despesas?

– O lance de Diego Souza e Cássio no Grêmio 0x1 Corinthians: vale tirar o cartão da mão do juizão?

Um lance polêmico no Rio Grande do Sul: Diego Souza (GRE) parte para o ataque, vai em direção ao gol e ao driblar o goleiro Cássio (COR), sofre a falta fora da área. Há dois corintianos defensores à frente do atacante gremista, além de um terceiro defensor ao lado.

Avalie: se Diego não fosse derrubado após o drible (Cássio não visou a bola, visou o corpo numa ação temerária),

1- era “certeza” que sairia o gol?

Se sim, ao cometer a falta, o goleiro era merecedor de cartão vermelho por impedir uma situação clara de gol.

2- era “possível” que algum dos 3 adversários pudesse evitar o gol ou ainda lhe roubar a bola antes do chute?

Se sim, ao cometer a falta, o goleiro merecedor de cartão amarelo por ação temerária.

Aí vem outro detalhe da regra: contestar insistentemente a marcação de um árbitro com gestos (desde que não sejam ofensivos) é para cartão amarelo. Arrancar sua ferramenta de trabalho (como Diego Souza fez com Ricardo Marques Ribeiro ao “roubar-lhe” o Amarelo) já ultrapassa o tolerável. Não é uma agressão ao trabalho do juizão? Sendo assim, teria que expulsar o gremista.

Confesso: a falta de meritocracia nas escalas de arbitragem é algo assustador…

Diego Souza pega o amarelo da arbitragem e reclama em derrota do Grêmio para o Corinthians — Foto: Eduardo Moura/ge.globo

– Em Santos 0x4 Flamengo, pênalti ou não em Michael?

Há certas situações no futebol nas quais você não consegue entender, por conta de “erro bizarro”. A elas, você justifica como apagão”. Quero crer que foi isso que aconteceu na Vila Belmiro ao juizão, logo no reinício da partida.

Me refiro ao pênalti de Wagner Leonardo (SFC) em Michael (CRF), aos 3 minutos do 2o tempo: Bráulio da Silva Machado fez justamente o que a orientação da regra NÃO MANDA fazer. Explico:

Desde 2019, a FIFA pede que em lances de empurrão ou puxão de camisa, que os árbitros verifiquem se a ação de quem empurra ou agarra realmente desequilibra ou impede o adversário de jogar. Repare: um puxão de camisa só vira infração (falta ou pênalti) se ele de fato não permite a continuidade da jogada e o adversário fica impossibilitado de avançar.

Portanto, já faz 2 anos que “puxar a camisa” por si só não é falta: só será se impedir o prosseguimento do lance. Dessa forma, como exemplo, se alguém está no ataque e tem a camisa puxada, se esse atacante parar de correr e pedir a falta, não deve ser marcada a infração, pois ele deveria prosseguir para, caso não conseguisse dar continuidade ao lance, ter o pênalti / falta marcada. Ao parar e pedir a marcação, ele abdicou de jogar.

Avalie:

1 – o lance do santista desequilibrou ou impediu o flamenguista de jogar?

2- a queda do atacante foi “natural” ou forçada por ele próprio?

Nas duas situações, se vê que não foi pênalti: não havia força para o desequilíbrio e a forma como caiu foi uma interpretação mambembe.

Claro que, com o futebol apresentado por ambas equipes, o placar foi justo. Mas árbitro da FIFA não pode ser ludibriado e errar de tal forma (e com VAR).

Santos x Flamengo: veja onde assistir, escalações, desfalques e arbitragem  | brasileirão série a | ge

– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Barcelona Esportivo x Paulista FC, Rodada 3 do Paulistão da 2a divisão Sub 23.

Daniel Sottile, 14 temporadas na FPF, 43 anos de idade, natural de São Bernardo do Campo, será o árbitro de Barcelona Esportivo x Paulista FC. 

Velho conhecido do Estádio Jayme Cintra, Sottile veio trabalhar como quarto-árbitro em muitas partidas do Galo quando estava em divisões melhores. Na série A3, em 2017, apitou Flamengo 0x2 Paulista (atuando muito bem) e Paulista 1×0 Independente (aqui, foi bem até o final do jogo, quando bobeou e não expulsou um jogador de Limeira que arranjou confusão com o gandula, vide aqui: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2017/03/19/analise-da-arbitragem-de-paulista-1×0-independente/amp/). Em 2018, trabalhou sem problemas na Copa SP em Paulista 0x1 Sao José/RS.

Bem fisicamente e experiente, é árbitro para atuar na série A3 e A2. Pela idade e pela proposta da gestora dos árbitros na FPF, Ana Paula de Oliveira, não tem tido boas oportunidades. No ano passado, não apitou nenhum jogo profissional. Neste ano, alguns trabalhos na Segunda Divisão Sub 23 e campeonato de juniores.

Creio que fará uma boa arbitragem e torcerei por isso.

Os árbitros assistentes serão Thiago Ferro e José Jenilton dos Santos Vasconcelos, ambos jovens e atuando na Segunda Divisão e Sub 20 atualmente. O quarto árbitro será Leonel Marcos Fialho da Silva. O observador do jogo será Paulo Maffei, ex-árbitro, boníssima pessoa e ótimo profissional, que vem de Itu.

Acompanhe Barcelona x Paulista pela Rádio Difusora AM 840 ou nos Apps, com a narração de Rafael Mainini, comentários de Robinson Berró Machado e Heitor Freddo, reportagens de Luiz Antonio “Cobrinha” de Oliveira, análise da arbitragem de Rafael Porcari. No comando: Adilson Freddo! O jogo começa às 10h neste domingo, mas desde as 9h30 o Time Forte do Esporte já estará no ar.

– Athlético Paranaense 1×0 Santos: procedem as reclamações contra a arbitragem?

Dois lances polêmicos na Arena da Baixada pela Copa do Brasil, onde o VAR, curiosamente, não apareceu em nenhum deles. Teria o equipamento de vídeo falhado tecnicamente de novo?

Vamos à eles:

1- O Santos FC reclama de pênalti ao seu favor: aos 20 minutos do 2o tempo, Renato Kayser vai dominar a bola dentro da sua área e ela bate em seu braço num movimento (para mim) natural. Avalie: foi movimento antinatural? Ele teve uma intenção disfarçada de que a bola batesse no braço dele? Poderia estar com os braços grudados ao seu corpo (o que naquele momento não seria um movimento fisiologicamente normal)?

Insisto: para mim, nada de infração, acertou o árbitro (mas respeito quem interpretar diferente, usando coerentes argumentos). Entendo que não houve intenção nem antinaturalidade do movimento. Aliás, tal casualidade nem seria discutida na Europa (o problema é que os pênaltis mal-marcados aqui pelas equivocadas orientações antigas da CBFque inicialmente quase transformou o futebol em queimada com uma “Regra 12B tupiniquim” que causou tanta confusãodistorcem as discussões). Considere ainda: a FIFA normatizou o que seria “braço”, e determinou que fosse na região das axilas / manga da camisa o limite. Vide na ilustração da postagem em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2020/08/07/as-novas-regras-do-futebol-e-as-orientacoes-da-cbf-para-os-juizes-no-brasileirao/

2- O Atlhético reclama do gol de Mingotti, aos 38 minutos do 2o tempo, anulado por impedimento. Por todos os ângulos mostrados pela TV, impossível dizer que errou ou acertou com convicção. Lance demasiadamente ajustado, só com tecnologia para dizer.

– A reação inusitada do árbitro dinamarquês: ajoelhou e se desculpou!

Foi no último domingo e visualizou: Nils Heer, árbitro de Vendsyssel x Fredericia pelo Campeonato Dinamarquês da 2a divisão, deixou de dar uma vantagem para um ataque promissor e, inconformado, se ajoelhou e lamentou pelo erro!

Confesso: já tive a mesma vontade das vezes que “perdi um lance de vantagem” (foram pouquíssimas, pois nesse tipo de situação eu tinha boa leitura de jogo e preferia atrasar o apito para marcar ou não a falta). E confidencio outra coisa: quando o árbitro acerta a vantagem e sai o gol, dá vontade de comemorar junto com o atleta!

Abaixo, extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/08/23/ja-viu-isso-arbitro-se-arrepende-de-marcacao-e-ajoelha-no-gramado.htm

ÁRBITRO SE ARREPENDE DA MARCAÇÃO E SE AJOELHA

Uma imagem inusitada do futebol dinamarquês correu o mundo neste final de semana. Na partida entre Vendsyssel FF e FC Fredericia, pela segunda divisão da liga local, que acabou empatada em 1 a 1, neste domingo (22/8).

Durante um ataque do Fredericia – de preto – o árbitro Nils Heer apita e instantaneamente ajoelha no gramado, reconhecendo o erro logo após parar a jogada.

O juiz viu uma falta a favor da equipe visitante e apitou antes da conclusão da jogada, quando a bola sobrou para o atacante que tinha chance clara de fazer o gol, caracterizando vantagem. Àquela altura, o Fredericia perdia por 1 a 0 para o time da casa, o Vendsyssel.

Os jogadores do Fredericia até esboçaram reclamar, mas percebendo a reação do árbitro e o seu claro arrependimento por ter errado no lance, desistiram. Heer continuou lamentando, com a mão no rosto, e recebeu “tapinhas” nas costas dos jogadores ‘perdoando’ a falha.

Veja o lance abaixo:

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– Análise Pré-Jogo da Arbitragem para Colorado Caieiras x Paulista, Rodada 2.

Para Colorado x Paulista, apitará um árbitro que não vem atuando no futebol profissional há um bom tempo: Luiz Renato Cafundó, de 40 anos, há 15 anos na FPF (trabalhando predominantemente em Sub 15 e Sub 17). Em 2021, apenas 2 jogos trabalhados, no Sub 20.

Diferente de outros anos, onde o Sub 23 da 2a divisão era usado para observar talentos, a Comissão de Árbitros opta por escalar quem estava parado. E cá entre nós, sejamos realistas: como está no quadro, tem que ser escalado. Mas pela idade, não haverá investimento nele para divisões maiores. Culpa do inchaço da lista de árbitros, dos excessivos cursos ofertados e de má gestão dos cartolas do apito.

Tomara que o árbitro não tenha problemas físicos e técnicos na partida – que são possíveis, infelizmente, pelo conjunto de fatores (falta de atividade, histórico, ritmo de jogo, etc).

– A entrada de Thiago Heleno em Adson no Athlético 0x1 Corinthians.

Perdeu o tempo da bola? Dançou!

Não tem muito o que dizer: o jogador do Furacão Thiago Heleno correu o risco e entrou de sola com as travas na canela do corintiano Adson. É um “be-a-bá” da arbitragem, onde a dúvida é quase nula. Aplica-se o Cartão Vermelho.

A questão é: como o árbitro, inicialmente, nem falta deu? Precisou do VAR para tal lance?

Esse é um dos problemas do nosso mau uso do árbitro de vídeo: na dúvida, deixa a cabine chamar…

Vídeo: Adson leva entrada dura de Thiago Heleno em vitória do Corinthians e sofre corte na canela | corinthians | ge