– A polêmica charge do policial revistando o juiz de futebol.

Eu não sei em qual jornal a charge abaixo foi publicada, e não consigo entender a assinatura do chargista para dar o crédito. Mas ela “causou nas Redes Sociais”

Observe-a e a seguir faço os comentários:

É um cartoon de um árbitro de futebol sendo revistado pelo policial, perguntado sobre qual “facção” ele pertence (remetendo-o a integrante de grupo criminoso): a crítica, em si, não é contra ele, mas à briga pelo poder da CBF entre seus grupos (o de Del Nero, o de Caboclo, e outros que poderão insurgir tentando a formação da Liga, sendo tratados como “facções”). Entretanto, lógico, o exemplo da imagem de um árbitro de amarelo, a fim de representar a entidade, é infeliz. Poderia ter se usado a própria Seleção, por exemplo, ou um cartola da Confederação.

Trocar um dirigente suspeito por um árbitro pode ser ofensivo ao cara honesto que labuta com dificuldade (afinal, não estamos entrando na questão de competência ou não do apitador, mas do perigo da generalização). Mas sabe o que me incomoda mais? As entidades de defesa dos árbitros estão quietas e/ou demoraram para se manifestar. Por quê? Aceitam “numa boa”?

A propósito, quando foi que Sindicatos ou Associações de defesa da arbitragem postaram contra as denúncias de corrupção da CBF e o caso de assédio ao Caboclo? Ao contrário, somente elogios à gestão atual. Elas (e alguns associados) amam a chefia, ou, se não, as apoiam com muita fidelidade. Há quem defenda com unhas e dentes a honestidade de Caboclo (mesmo ele tendo feito o acordo na Justiça sobre o caso do primeiro assédio).

Pergunto-me: por quê sempre as associações de empregados aplaudiram o patronato? Normalmente, elas CONTESTAM as entidades empregadoras… Ou será que, diferente do resto do mundo, as entidades de defesa entendem que possuem os melhores patrões que se possa ter?

Pirei.

Em tempo: nos dois principais organismos de entidades dos árbitros, em seus sites (até agora) nenhuma manifestação. Na ANAF, elogios ao Ednaldo Rodrigues (atual presidente da CBF) e um depoimento elogioso de Rogério Caboclo à entidade. No SAFESP, notas de falecimentos de associados datadas de julho (parece que o site está desatualizado e/ou “fechado”).

Será que não foi dada a devida importância à charge ou, simplesmente, “passou batido”? Justiça seja feita: o único local que li algo (muito bem escrito) sobre o assunto foi no Blog do Paulinho (domingo) e no sábado, conversas com o ex-árbitro Euclydes Zamperetti Fiori. Nas Redes Sociais, a manifestação do ex-árbitro Renato Canadinho (escrevendo com coerência sobre o tema). E mais nada…