– Não vai ser anulado o jogo entre Atlético Mineiro 1×1 Palmeiras. GARANTO.

Bem direto: o jogo entre Atlético Mineiro 1×1 Palmeiras tem chance de ser anulado (por conta do lance de Deyverson), como tem sido o desejo de alguns?

NÃO! Explico abaixo:

Na madrugada de 4a feira, após viralizar a imagem do palmeirense invadindo o campo, escrevemos aqui nesse espaço que: “A Regra do Jogo fria, sem interpretação, anularia o gol, mas ela é acompanhada do ‘Espírito da Regra’ e é ele quem o validaria”.

Obviamente, muita chiadeira de quem fala ou escreve com paixão sobre o assunto… (e muitas ofensas contra esse que vos escreve…) Racionalmente, muita concordância. O texto base que valida tudo isso é o item 9 da Regra 3 (atleta extra em “Número de Jogadores”), acrescido pelo item 2 da Regra 5 (espírito do Jogo em “Árbitro e seus Poderes”).

Leia o texto original dessa argumentação em: https://wp.me/p4RTuC-xS5, ou no “Pergunte Ao Árbitro”, em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2021/09/29/a-invasao-de-deyverson-era-motivo-para-anular-o-gol-palmeirense-em-atletico-mineiro-1×1-palmeiras/

Pois bem: David Elleray, diretor da Internacional Board (IFAB, a “dona das regras do futebol”), tem sido considerado o especialista número 1 do mundo em “tirar as dúvidas de lances polêmicos”. E consultado pela Conmebol, publicou uma nota dizendo que:

“Os árbitros devem sempre aplicar o ‘espírito’ e a ‘intenção’ da regra. A interpretação do ‘espírito’ e da ‘intenção’ da regra exige que os árbitros avaliem a intenção do jogador ou o impacto da ação do jogador no jogo (…) a entrada do reserva (no caso, Deyverson) no campo de jogo não parece ter sido feita com a intenção de interferir no jogo, nos jogadores ou distrair a arbitragem (…) Ao invés disso, ele parece totalmente motivado pela emoção do momento em que sua equipe marca um gol decisivo ou parece ser ‘involuntário’.” (…) Em resumo, o gol não deve ser anulado quando o reserva que invadir o campo não tiver intenção, quando não afetar o jogo e quando for movido pela emoção e excitação do momento (…) Anular o gol seria uma forte violação do ‘espírito’ e da ‘intenção’ da regra”.

O texto acima circulou por alguns sites, originado pela matéria do UOL por Gustavo Setti. Ela não é uma fake, é um trecho de nota oficial, conforme confirmei com muitos colegas.

Por intermédio de amigos, pedi uma cópia do documento original, em espanhol:

En relación con el incidente del partido entre el Atlético Mineiro vs  Palmeiras, en el que un sustituto entra en el terreno de juego por unos metros cuando se está marcando el gol, hacemos las siguientes observaciones generales:
– Los árbitros deben aplicar siempre el “espíritu” y la “intención” de la Ley.
– La interpretación del “espíritu” y la “intención” de la Regla requiere que los árbitros evalúen
la intención del jugador o jugadores o la repercusión de la acción del jugador en el juego, los demás jugadores y los árbitros del partido
o “¿Qué espera el fútbol?”
 
En este caso concreto, parece muy claro a partir del vídeo suministrado que:
– El sustituto entró en el terreno de juego antes y durante la anotación del gol
– La entrada del sustituto en el terreno de juego no parece haber sido realizada con la intención de interferir en el juego, en los jugadores o en distraer a los árbitros del partido. En Cambio, parece estar totalmente motivada por la emoción del momento en que su equipo marca un gol decisivo o parece ser “involuntario”, como lo demuestra el hecho de que, cuando se marca el gol, al principio corre más hacia el terreno de juego y luego se da cuenta de lo que ha hecho y se va rápidamente (por la línea de meta).
 
En resumen, para este y otros incidentes similares, el “espíritu” y la “intención” de las Reglas de Juego no esperarían que se anulara el gol por la entrada del sustituto en el terreno de juego cuando:
– no se realizó con ninguna intención desleal
– no afectó (accidentalmente o no) a ningún jugador, al juego o a los árbitros del partido  
– es puramente el resultado de la emoción y la excitación (comprensible)
 
El fútbol no esperaría que se anulara el gol – de hecho, hacerlo sería una fuerte violación del “espíritu” y la “intención” de la Ley, como se ha señalado anteriormente, es la principal guía para la aplicación de las Reglas de Juego.
 
La esencia de lo que escribí está contenida en la Ley 5 – El árbitro:
 
Esperamos que esto le aclare las cosas y estamos dispuestos a ayudar más si es necesario.
Estamos muy contentos de poder ayudarles a ustedes y a la CONMEBOL.
 
Nuestros mejores deseos para el resto de las 2 competiciones y para el futuro

David Elleray
Director Técnico, IFAB

– Sem árbitros brasileiros nas finais da Conmebol.

As duas competições continentais organizadas pela Conmebol serão decididas por quatro brasileiros: Palmeiras x Flamengo (Libertadores) e Red Bull Bragantino x Athletico (Sulamericana). A 1a, por gigantes tradicionais; a 2a, por clubes emergentes com gestão profissional.

Considere que:

1. Nas duas competições, os clubes argentinos não chegaram nem nas semi-finais.

2. De 2017 pra cá, tirando River x Boca decidido na Espanha (2018), só tivemos clubes brasileiros campeões da Libertadores.

A Conmebol receberá queixas / sugestões dos demais países membros para que isso seja mudado, como evitar finais com clubes do mesmo país (artifício utilizado por alguns anos)? Ou a incorporação de times mexicanos e norte-americanos, em acordo com a Concacaf, para internacionalizar ainda mais o torneio, ao invés de somente disputarem os da América do Sul?

Trazendo para o cenário nacional, pelo Campeonato Brasileiro, teremos 9 vagas para a Libertadores e 6 para a Sulamericana em 2022. Ou seja, dos 20 times, do 1º ao 15º classificam-se para competições internacionais, o 16º fica “chupando o dedo” e do 17º ao 20º caem de divisão. Não está complicado, vulgarizando a disputa? Na prática, 75% dos times da série A automaticamente estarão num torneio da Conmebol.

Nós sabemos que o poderio financeiro do nosso país, se comparado aos vizinhos, é maior. Que a pandemia trouxe mais miséria para as nações que já eram pobres e que o abismo social cresceu ainda mais. Embora eu defenda sempre a meritocracia, talvez, esportivamente falando, não há de se fazer algo para que a Libertadores não seja uma “divisão prime” do Brasileirão, acima da série A?

Em tempo: com tudo isso, para internacionalizar as competições, árbitros brasileiros ficam alijados desses jogos… Nenhum deles apitou pela Libertadores ou pela Sulamericana nesses últimos tempos, a fim de que juízes de outros países possam representar nações diferentes do que o Brasil em campo.

CONMEBOL