– A ideia de impedimento automático do VAR com o Chip na camisa funcionará?

Quem está acompanhando com as críticas contra o VAR especificamente em relação aos impedimentos, costumeiramente ouve que a função do “bandeirinha”, no futuro, tenderá a se extinguir, sendo substituído por modelos automáticos.

Arsenè Wenger, ex-técnico do Arsenal e que há tempos trabalha como consultor da FIFA em um grupo de sugestões para o desenvolvimento do futebol, prometeu novidades nessa área. Marcel Rizzo, do UOL, foi atrás e descobriu que se trata de testes de “chip na camisa”.

Entretanto… quem conhece a Regra do Jogo, sabe que essa proposta não funcionariaa não ser que se mudasse a lei do Impedimento. São 3 questões a se discutir:

1- O impedimento deve ser avaliado a partir do lançamento da bola. Será que teríamos um “chip de partida”, na ponta da chuteira do atleta? E se for um toque de cabeça?

2- O impedimento se concretiza na avaliação com a parte jogável do atleta que recebe a bola (e aí veio a sugestão do chip na camisa). Mas e se essa parte jogável mais à frente for o pé? Teríamos um “chip de chegada” igualmente no pé?

3- E nos casos de impedimento por tirar proveito de uma situação ou atrapalhar o adversário, onde não existe toque na bola, mas sim nas questões de interferência: existira inteligência artificial para isso? Haveria a necessidade da interpretação…

Essa questão de chips ou sensores só funcionaria se a Regra fosse alterada, transformando em impedimento não a parte mais à frente jogável, mas o tronco dos atletas. 

Por ora, creio que essa ideia não vingará…

Extraído de: https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/marcel-rizzo/2021/10/20/jogadores-podem-usar-chip-na-camisa-para-impedimento-automatico-no-var.htm

JOGADORES PODEM USAR CHIP NA CAMISA POR IMPEDIMENTO AUTOMÁTICO NO VAR

por Marcel Rizzo

A Fifa avalia tornar automáticas as marcações de impedimento pelo árbitro de vídeo já na Copa do Mundo de 2022, no Qatar. O presidente da federação internacional, Gianni Infantino, e o chefe de desenvolvimento global, Arsene Wenger, tocaram no assunto recentemente, mas disseram que não poderiam revelar detalhes. A coluna teve acesso a uma das propostas que será testada —ao menos cinco empresas apresentaram projetos.

Nesta um pequeno aparelho é preso à camisa dos jogadores, com um chip dentro. A tecnologia faz com que as informações sobre a localização dos atletas em campo sejam repassadas em tempo real a um computador.

Quando há um lance de impedimento, a posição exata dos atletas aparece no monitor do VAR a partir do lançamento da bola e a própria máquina diz se houve ou não a infração, com um detalhe para facilitar a visualização dos árbitros: o jogador impedido aparece em vermelho.

Esta é uma das ideias apresentadas por empresas a um grupo de desenvolvimento do VAR que existe na Fifa, do qual fazem parte profissionais de 14 instituições, incluindo CBF e Conmebol. Em uma outra, por exemplo, aparece no monitor a distância em que o jogador impedido estava do penúltimo defensor e qual parte do corpo ocasionou a infração.

Hoje o impedimento no VAR é analisado manualmente: um dos assistentes de vídeo projeta linhas verticais e horizontais para determinar se há a infração. Há dois problemas nisso: o primeiro é a demora, pois muitas vezes o operador e o árbitro de vídeo precisam projetar as linhas várias vezes para chegarem a uma conclusão.

O segundo problema é a imprecisão, houve casos em que a linha foi colocada no lugar errado ocasionando erro na avaliação do impedimento, um lance objetivo, ou seja, que não precisa da interpretação do árbitro de campo e, portanto, não deveria ter falha ao ser analisado em vídeo.

Um relatório elaborado pelo grupo de desenvolvimento, entregue há pouco menos de um ano à Ifab (International Board), órgão que regula o futebol, apontou as falhas na marcação de impedimento no modelo atual: “Os testes de precisão mostraram que os operadores humanos tendem a escolher diferentes partes do corpo para as linhas de impedimento. Avanços foram feitos nessa área também, com o sistema automatizado apresentado aprendendo a modelar corretamente o esqueleto de um jogador. No futuro, os algoritmos desenvolvidos do sistema deverão ser capazes de identificar automaticamente qual parte do corpo colocou o jogador impedido e a que distância”, explicou o texto apresentado.

A Fifa quer testar as propostas mais viáveis a partir de dezembro de 2021, ainda não se sabe em quais competições —será avaliado também a questão de custos. Mas a ideia é que na Copa do Mundo entre novembro e dezembro de 2022, no Qatar, o impedimento já seja marcado automaticamente. Para isso ocorrer será preciso a aprovação da Ifab.

O que é impedimento? Entenda as regras | Torcedores.com

– O Safesp jaz?

O Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo é uma caixa-preta desde há muito tempo. No período da gestão José Assis Aragão, se falava muita coisa mas nunca se provou nada. Depois, com Sérgio Correa da Silva, houve uma ruptura interna e a criação da COAFESP (a Cooperativa), que depois morreu. Com Arthur Alves Jr, uma horrível e duradoura gestão. E, com a mudança para Aurélio Sant’Anna Martins, uma “falta de administração”.

Não apoio ninguém, não me meto com comprometimento político algum, mas imaginava que Aurélio não seria a decepção que está sendo – afinal, todos são unânimes em dizer que o Sindicato está sem dinheiro e fechado.

Enfim, o que houve? Não se culpe a pandemia – a mãe de todas as desculpas atualmente.

Uma pena. Esperava muito mais da nova gestão (e de alguns dela, eu nem esperava nada). E o lembrete: e as auditorias de contas, tão prometidas? O que aconteceu com elas?

– O RADAR da CBF é uma falácia!

Existe uma ferramenta de monitoramento dos árbitros chamada RADAR, onde um analista de arbitragem assiste por vídeo a atuação da arbitragem, e outro analista assiste no estádio. Há tempos há a contestação de que os relatórios de nada adiantam, visto a qualidade da arbitragem e os erros cabeludos.

Enfim: neste final de semana, terminou o Workshop do VAR da CBF, onde ela ofereceu à FIFA e à IFAB a ferramenta, como “modelo a ser usado pelo mundo”.

Propagandearam o RADAR dos árbitros brasileiros Leonardo Gaciba (Chefe da Comissão de Árbitros), Sérgio Correa da Silva (Chefe responsável pelo VAR) e Cel Marinho (Chefe do Departamento de Desenvolvimento dos Árbitros).

Não é muito chefe para pouca produção?

Compartilho, extraído de: https://www.cbf.com.br/a-cbf/informes/arbitragem/conheca-o-radar-sistema-de-analise-apresentado-pela-arbitragem-da-cbf

CONHEÇA O RADAR, sistema de análise apresentado pela arbitragem da CBF à FIFA

Relatório de Análise de Desempenho da Arbitragem (RADAR) é um sistema criado da forma pioneira pela CBF para analisar, aperfeiçoar e educar os árbitros através de monitoramento presencial e de vídeo

Workshop do VAR com instrutores da FIFA - 2021Workshop do VAR com instrutores da FIFA – 2021
Créditos: Alex Ramos/CBF

Ao longo desta semana, a Comissão de Arbitragem da CBF tem promovido, no Rio de Janeiro, o Workshop do Árbitro de Vídeo (VAR), com a presença de representantes do time de arbitragem da FIFA, CONMEBOL e IFAB. Além das aulas e palestras previstas no cronograma, o período também serviu para a CBF apresentar ao mundo o RADAR (Relatório de Análise de Desempenho da Arbitragem), um sistema criado de forma pioneira que estimula o aperfeiçoamento, monitoramento e educação dos árbitros e assistentes do quadro da Entidade.

Com a estrutura oferecida pelo recém-inaugurado Centro de Excelência da Arbitragem Brasileira, é possível verificar os relatórios feitos pelos analistas, que observam, in loco e através de vídeo, o desempenho dos árbitros e assistentes em cada partida de competições chanceladas pela CBF. O objetivo principal é monitorar a performance e auxiliar os profissionais a atuarem cada vez em mais alto nível, conforme revelou Marcos Marinho, líder do projeto RADAR.

“É uma ferramenta que usamos para acompanhar o desenvolvimento do árbitro, assim como seu aperfeiçoamento. O RADAR começa a partir da escala da arbitragem, seus analistas e dos relatórios que são produzidos através de análises de vídeo e análise de campo. Temos dois analistas que estão incumbidos, naquela determinada partida, de fazer as análises de vídeo e campo. Depois reunimos essas análises, transformamos em uma e enviamos para o árbitro, para que ele possa ter uma resposta de como foi a sua atuação dentro de campo”, explicou Marcos, antes de detalhar como funciona a plataforma:

“Todos os dados que são coletados dentro do campo e no vídeo são enviados para a nossa plataforma, que registra tudo. Lá nós conseguimos casar o que foi observado durante o jogo com a imagem. E todas essas análises são repassadas para os árbitros. Todas as análises são feitas de forma didática para o árbitro. O objetivo final é fazer com que ele corrija suas ações. Temos, inclusive, como comparar, através das imagens, o desenvolvimento do árbitro de um ano para o outro. A partir do momento que você tem como dar um feedback para o árbitro e para o assistente de todos os lances de suas partidas, você está contribuindo para que ele possa se desenvolver e, consequentemente, a arbitragem possa se desenvolver também. A gente vê essa evolução ano a ano, com cada vez menos erros. O objetivo final é aprimorar cada vez mais a arbitragem”.

Workshop do VAR com instrutores da FIFA - 2021Workshop do VAR reuniu representantes e instrutores de arbitragem das 27 federações estaduais
Créditos: Alex Ramos/CBF

Presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, Leonardo Gaciba também exaltou o sistema e explicou de que forma o RADAR auxilia no cotidiano dos profissionais. De acordo com o dirigente, a riqueza de detalhes das informações que a plataforma disponibiliza sobre cada profissional é crucial para projetar a escala dos árbitros e assistentes no decorrer das competições chanceladas pela CBF.

“O RADAR é muito útil para nós, tanto para a análise individual do árbitro, análise coletiva da equipe como um todo e, acima de tudo, observar alguns jogos pontuais. Pois precisamos ver o que aconteceu nos jogos anteriores. Aqui a gente vai buscando essas informações sempre que vamos formatando, tendo a ideia de algum nome em mente. Isso serve de apoio, para ver se algum árbitro teve algum problema com determinada equipe, se houve algum erro capital. Todos esses dados nos servem de apoio para a formação da escala”, destacou Gaciba.

O Workshop do VAR vai até a próxima sexta-feira (15). As reuniões têm sido realizadas em um hotel na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, próximo à sede da CBF e ao Centro de Excelência da Arbitragem Brasileira.

– Atlético Goianiense 2×1 Atlético Mineiro e Flamengo 0x0 Cuiabá: procedem as queixas?

Três lances polêmicos no final de semana (1 em GO e 2 no RJ). Vamos a eles?

GALO

Quando eu vi o lance da bola cruzada pelo Atlético Mineiro que bate no braço de Gabriel Baralhas (Atlético Goianiense) dentro da área, tive a impressão de ser lance infracional. Ao ver pela câmera do fundo do gol da Sportv, a sensação foi de braço deliberado. Mas ao revisar com outras imagens, percebi que é o clássico “movimento antinatural” da mão na bola. 

Repare (sem usar câmera lenta ou qualquer artifício, tem que ser na dinâmica do jogo): o defensor pula espalhafatosamente, e percebe que a bola vai bater nele, deixando o braço aberto. Somente quando ela bate ele tem o “reflexo atrasado”. Ou seja: a famosa “intenção subjetiva”. Respeito quem entendeu o contrário, mas para mim foi pênalti pelos motivos citados.

MENGÃO

No Maracanã, o gol anulado de Michael por impedimento de Matheuzinho: aqui, um grande equívoco! Lembremo-nos da nova regra (em vigor desde 2017) onde alguns tipos de desvios tiram o impedimento. Se Alan Empereur não tivesse tocado na bola, o impedimento era ativo; mas como ele a disputou e a toca (inclusive a domina temporariamente), ele tirou a condição de impedido do adversário (na dúvida, leia aqui: https://wp.me/p4RTuC-nnP).

Por fim: sobre o lance de Vitinho: foi uma ação temerária do seu marcador Yuri, onde ele é atingido. Deveria ter sido marcado o pênalti e aplicado o cartão amarelo. Errou o árbitro.

Mas algo que queria abordar: ironicamente, o campeonato está “armado” para Fortaleza ou Red Bull Bragantino?

Entenda a lógica “ilógica”:

Os árbitros erram muito. E quando é contra seu time, a chiadeira é grande! A favor, os cartolas fazem vistas grossas… As queixas normalmente são para o momento e também “preventivas”, servem para pressionar para as partidas futuras e minar a concentração do árbitro no jogo contra o adversário. E quando os cartolas de Atlético Mineiro e Flamengo reclamam que seus clubes são prejudicados propositalmente, a quem interessaria isso: ao 3o e ao 4o colocado?

Por fim: na coletiva do Renato Gaúcho, só ouço pergunta de “Blog do Rafa-Fla”, “Canal do Mengão”, ou mídia associada.  Nenhuma questão de jornalista independente?

– Que Zica, Ceni.

Sem imagens e obviamente sem saber o resultado final do jogo, escuto pelo rádio São Paulo x Ceará: o Tricolor perde por 1×0, tem Miranda pendurado com o Amarelo na partida e já suspenso para o clássico de Domingo.

Fica a pergunta: trocar o técnico, mas manter os mesmos jogadores, vale a pena?

Acréscimo: vi o lance de Miranda: pelas orientações novas, onde a FIFA está preocupada com lances de braço / cotovelada em adversários, e a CBF pede rigor na punição, era para Cartão Vermelho. Juizão “sentiu” o peso do Morumbi e considerou o histórico de bom atleta do zagueiro.

Rogério Ceni acerta retorno ao São Paulo e assume lugar de Crespo - 13/10/2021 - Esporte - Folha

– Os lances reclamados em Atlético Mineiro 3×1 Santos.

Muita reclamação contra o árbitro Paulo Roberto Alves Júnior e o VAR Adriano Milczvski (nos pênaltis em noutros diversos lances) no Mineirão. Como não assisti ao jogo para saber se realmente houve “inversões de faltas diversas” (uma das queixas), me atentarei aos pênaltis reclamados (que vi há pouco):

1- 11m/1o tempoO puxão na camisa do argentino Zaracho: o árbitro chamou a responsabilidade para si, não atendendo ao VAR. Acertou e mostrou personalidade ao não marcar infração. Repare que o “segurar a camisa” mudou desde 2019: a Regra fala em “puxão ou agarrão” que impeça o adversário de jogar ou o desequilibre. Portanto, segurar a camisa por si só não é mais infração. A impressão que eu tive é: ao sentir o agarrão, o atleticano desaba (e isso está acontecendo com frequência nos jogos). Acertou o árbitro.

2- 38m/ 1o tempoDylan Borrero agarrado por Wagner Leonardo? Nada disso, jogada normal. Talvez a reação do treinador Cuca, “surtando à beira do gramado” nesse lance, tenha levado às pessoas a entenderem como erro. Repare como o treinador se exalta, foi uma pressão absurda. Acertou o árbitro.

Enquanto isso, na sala do VAR… Rodrigo Caetano, diretor do Atlético Mineiro, chutava as portas do local. Na súmula, consta que aos 41 minutos do 1o tempo: “foram desferidos chutes e socos na porta da sala VOR [sigla em inglês para o local em que o VAR fica] usando as seguintes palavras: ‘Seus ladrões, parem de roubar, nós não vamos aceitar isto’.”

3 – 20m/2o tempo: Lucas Braga cometeu pênalti em Calebe? Sim, um lance infantil demais! O atleticano vai buscar a bola com o peito e o santista, desnecessariamente, o empurra com a mãe esquerda o desequilibrando. Errou o árbitro ao não marcar e acertou o VAR na correção.

4- 35m/2o tempo: Velazques tocando em Calebe: não há muito o que discutir, o defensor tocou na perna do atacante, que tinha a posse de bola. Pênalti fácil para se marcar (aqui, nem precisa de VAR). Acertou a arbitragem.

Portanto, as queixas se devem mais pela pressão do que pelos lances marcados ou não (que foram corretos). Aliás, o futebol está “pilhado” demais, não?

Atlético-MG x Santos: veja onde assistir, escalações, desfalques e  arbitragem | brasileirão série a | ge

– A insensibilidade do massagista com apelo à agressão.

Por conta das agressões ao árbitro Rodrigo Crivellaro em Venâncio Aires, com imagens que rodaram o mundo (o covarde chute em sua cabeça quando estava no chão, pelo atleta Willian Ribeiro – vide aqui: https://wp.me/p4RTuC-xZ0), muitos árbitros se manifestaram antes das partidas ajoelhando-se, em protesto contra a violência.

Eis que… veja essa breve história:

Jordaite Barretos da Silva é massagista do EC São Bernardo. Neste domingo, pela Copa Paulista (a competição de 2o semestre da FPF para os clubes fora do Brasileirão), na partida entre seu time contra o Primavera de Indaiatuba, após receber o cartão vermelho por ofensas ao bandeira Anderson Moraes Coelho (um árbitro assistente de elite, acostumado a jogos da Série A do Brasileirão e um dos melhores do quadro da CBF), disse:

“É por isso que tem que chutar a cabeça desses caras mesmo, igual fizeram lá no Sul”.

Pode?

Insensibilidade total, desequilíbrio emocional e a prova de que, no futebol, adversário e árbitro não são elementos do jogo, mas inimigos para alguns.

É esporte, minha gente, não é luta por sobrevivência.

– O pênalti equivocado de São Paulo x Santos pelo Brasileirão.

Aos 30m, Rodrigo Nestor (SPFC) chuta para o gol e a bola desvia no braço em Vinícius Balieiro (ex-Vinícius Paulinho, jogador em “comodato” com o Santos, pertencente ao Paulista de Jundiaí e que o time do Interior implora desesperadamente para o Peixe vendê-lo, a fim de entrar dinheiro em caixa). Lance normal ou não?

Seria anormal se:

  • Existisse a intenção de desviar a bola com a mão e os braços (não foi o caso);
  • Existisse o movimento antinatural do braço em deixar que a bola batesse nele (não foi o caso);
  • Existisse a intenção subjetiva de tirar proveito da situação (não foi o caso);
  • Existisse a vontade de ampliar a área de contato (não foi o caso).

Diferente dos lances que abordamos ontem em América/MG x Palmeiras/SP (relato no link: https://wp.me/p55Mu0-2W3), aqui há um claro lance não intencional, corriqueiro, de movimento natural e não infracional que acontece nos jogos. Ops: não considere “houve desvio no ataque”, “direção do gol” ou outros mitos que se tenta justificar e que não se referem de verdade à essa questão específica da Regra.

Repare que Raphael Claus não marcou infração, mas acabou convencido pela VAR Daiane Caroline Muniz (que, sinceramente, foi mal escalada nessa partida, pois não tem rodagem para um jogo tão grande como esse – ela somente apitou uma partida pela série C e outra pela série D, e de repente aparece como árbitra de vídeo na série A? Lógico, trabalhou como AVAR e árbitra em partidas de menor porte do que o SanSão, em divisões menores e amadoras).

Portanto, erro na marcação do pênalti.

– Os lances polêmicos de América 2×1 Palmeiras pelo Brasileirão.

Eu não escalaria mais Leandro Pedro Vuaden em jogos do Palmeiras, somente para que o treinador Abel não entrasse predisposto para reclamar da arbitragem. Falaremos abaixo dos erros e acertos da partida entre América-MG 2×1 Palmeiras-SP, mas lembremo-nos: Abel havia reclamado muito em um Choque-Rei e chegou a ficar com o dedo em riste contra Vuaden (que somente o puniu com Amarelo na ocasião). No começo do ano, nova cizânia entre ambos na partida que decidiu a Supercopa entre Flamengo x Palmeiras. Rememorando tudo isso no link em: https://pergunteaoarbitro.wordpress.com/2021/04/12/supercopa-flamengo-x-palmeiras-nao-acabou-ainda-consideracoes-sobre-o-var-abel-e-vuaden/.

Sobre a partida desta 4a feira, pontuo 4 lances importantes que observei e anotei:

26m- Gol de Rony: totalmente legal! A bola que bate na mão do zagueiro Ricardo Silva foi totalmente involuntária e o jogo deveria seguir (como seguiu). Mesmo se tivesse sido infração, houve vantagem. Se a bola batesse na mão de Rony, como o VAR suspeitou, deveria deixar a partida continuar, pois não houve movimento antinatural e nem intenção deliberada. Portanto, acertou Leandro Pedro Vuaden.

49m- Ataque promissor do Palmeiras: o defensor Eduardo Bauermann segura Rony com a mão esquerda no ombro e depois com a mão direita na camisa, agarrando-o (lembrando que desde 2019 a FIFA reforçou: os agarrões precisam impedir que o atleta continue a jogada, pois agarrar a camisa por si só não é mais infração). Vuaden entendeu que o atleta não forçou a queda, mas que foi desequilibrado, e marcou a falta. Porém, existiam atletas do América ao lado de Bauermann, e isso pode ter atrapalhado a interpretação do árbitro. Esses defensores não teriam chance de alcançar Rony para disputar a bola (ao contrário do que provavelmente pensou o juiz), portanto, era lance de situação clara de gol. Errou Vuaden ao aplicar o Cartão Amarelo, era para  Cartão Vermelho).

60m- Primeiro pênalti marcado para o América: A bola é cruzada e bate na mão direita de Jorge que está levantada. Aqui é importante salientar: por falta de nitidez das imagens, se imaginou que poderia ter batido no antebraço esquerdo do palmeirense (se fosse isso, por estar grudado no corpo e em movimento natural, não seria pênalti). Entretanto, por outro ângulo, se verificou que a mão direita estava em movimento antinatural, impedindo a passagem da bola (se a mão estivesse na frente do rosto de Jorge e batesse nela, seria o movimento natural de proteção e isso não é pênalti, pois você pode proteger rosto e partes íntimas com as mãos). Acertou Vuaden.

88m – Segundo pênalti marcado para o América: A bola é cruzada para a área palmeirense e Felipe Mello dá um carrinho para impedi-la. Aqui, atenção: se bate na mão de apoio no chão, que é um movimento natural, não é pênalti. Se bate na outra mão / braço e ele está junto ao corpo, também não é pênalti. Mas como bateu numa mão que está aberta (e repare que ele deixa o braço para aumentar o espaço), é o típico exemplo de movimento antinatural (essa orientação da regra foi criada para isso: punir o jogador que dá uma de “malandro” e bloqueia a bola com a desculpa de que “bateu sem querer”). Acertou o árbitro.

Dos 4 lances polêmicos, 1 erro e 3 acertos. Na coletiva pós-jogo, três perguntas seguidas ao treinador Abel (se referindo a um time reativo, ou seja, que não propunha o jogo e ficava na retranca, e nas três respostas o técnico reclamou da arbitragem).

Cá entre nós: dava para evitar escalar o Vuaden em jogos do Palmeiras, mesmo que a arbitragem tivesse sido ótima.

América-MG x Palmeiras: onde assistir, horário e escalação das equipes

– Para Red Bull Bragantino x Flamengo, teremos árbitros da Roraima ou do Amapá?

O Flamengo reclama que “briga pelo título brasileiro com o Atlético Mineiro e o VAR do jogo contra o Red Bull Bragantino é de Minas Gerais”.

Quer dizer, pela lógica da cartolagem, que o árbitro vai “meter a mão contra o Mengão, só para ajudar o Galo”?

Ora, num campeonato onde dos 20 clubes em disputas há 15 vagas para classificar em torneios internacionais e 4 para fugir do rebaixamento, TODO jogo vai ter interesse de terceiros. E certamente o árbitro escalado será de um estado interessado.

Como resolver isso?

Escalando juízes de estados fora da primeira divisão: do Tocantins, da Paraíba, do Acre…

Ironia à parte, os estados que têm o futebol mais desenvolvido, têm os árbitros de melhor qualidade. Não dá para “montar o quebra-cabeça das escalas” sem os principais da Série A atualmente.

Em 13 de Outubro de 2008, tínhamos várias queixas de clubes sobre o “estado de origem dos árbitros”. Compartilho a postagem daquela oportunidade:

DE ONDE VIRÃO OS HOMENS DE PRETO?

A coisa tá ficando difícil. Nesta última rodada do Brasileirão, todos puderam acompanhar como os treinadores apelaram contra a arbitragem. A equipe do Palmeiras-SP reclamou nas rádios da arbitragem do Gaciba (que foi bem no jogo) alegando o fato de ser gaúcho e o Grêmio-RS estar envolvido na briga pelo título (nos jogos que o Vuaden apitou não houve reclamação dos palmeirenses – ops: ele também não é Gaúcho?). Já o Santos reclamou de Marcelo de Lima Henrique (não assisti o jogo), através do discurso de que ele é carioca e o Vasco-RJ e Fluminense-RJ estão na briga contra o rebaixamento!

Em suma, dirigentes reclamam que árbitros que são de estados da federação que tenham equipes envolvidas tanto no acesso ou no rebaixamento estariam “de caso pensado” prejudicando os adversários em prol dos interesses das equipes compatriotas.

Não é extremamente ofensivo, a nós, árbitros? Coloca-se em xeque a nossa honestidade, a LISURA do campeonato e toda a sua seriedade com um mero (e por que não, preconceituoso) fator geográfico!

Infelizmente, quando tais questionamentos passam para a imprensa, o estrago pode ser maior. No último sábado, eu voltava de uma partida que apitei em Franca-SP, e coincidiu do retorno ser próximo do horário do jogo entre Flamengo-RJ X Atlético-MG. Naquela região e pelo horário, as ondas de rádio AM cariocas pegavam muito bem, e ouvia a narração pela Globo AM 1220 (RJ). Na escalação, o repórter de campo da emissora (que não sei o nome – mas cobria o Flamengo na ocasião), quando foi anunciar a arbitragem da partida, disse : “Ah, a arbitragem para esse jogo é suspeita, já que esse jogo interessa ao Palmeiras e São Paulo que brigam pelo título contra o Mengão. Apita o paulista Paulo César de Oliveira; os assistentes Ednilson Corona e Carlos Augusto Nogueira; todos de SP (…)”.

Virou adjetivo pejorativo ser paulista para o “repórter desconfiado”?

Quem conhece o trio paulista que apitou o jogo, sabe da barbaridade que o péssimo jornalista falou.

A propósito, ainda na volta, ouvia os comentários da partida na Rádio Tupi AM 1280 (RJ), e o comentarista Jorge Nunes disse: “ninguém pode reclamar nada do juiz, o Atlético poderia ter enfiado 7 ou 8 a zero; o Flamengo não jogou nada, o Ibson acha que é dono do time e o Caio Júnior teve uma pane na cabeça dele, deu um curto-circuito e saiu tudo errado“.

Amigos, o que podemos fazer contra as injúrias pré-dispostas?

Seguindo essa lógica, já que o Campeonato Brasileiro está empolgante, com todas as equipes brigando por algo, só poderão apitar jogos os árbitros de estados que não tenham clubes na série A. Respeitosamente, esses “donos-da-verdade” devem estar querendo (sem demérito dos colegas) árbitros do AP, RO, RR, AC… E depois vão reclamar da distância e dos custos da arbitragem!

CBF libera novo auxílio aos árbitros e assistentes - Confederação  Brasileira de Futebol