– O equivocado cartão amarelo para Copete em Santos 0x1 Cruzeiro

Eduardo Tomaz de Aquino Valadão vacilou na Vila Belmiro nesse domingo. O árbitro goiano, quando eram jogados 22m do 2o tempo, viu Copete dar uma tesoura em Arrascaeta e deu cartão amarelo. Errou!

O carrinho por trás com ambas as pernas abertas tentando pegar a bola é um ato violento. Atingir o adversário é quase que certo, e quando o toca, não existe a avaliação se foi uma “tesoura leve” ou “tesoura dura”. Tesoura é sempre cartão vermelho, independente da intensidade.

Assista o lance em: http://globoesporte.globo.com/sp/santos-e-regiao/futebol/brasileirao-serie-a/jogo/28-05-2017/santos-cruzeiro/#video-id=5900695

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– Análise Pré-Jogo da Arbitragem de Daronco no clássico entre São Paulo x Palmeiras.

Para o Choque-Rei do próximo sábado às 19h no Morumbi, apitará Anderson Daronco, o gaúcho que está indo para o seu 3o ano no quadro da FIFA.

Nesta temporada, Daronco apitou somente uma partida em competições nacionais: a derrota do São Paulo no Morumbi para o Cruzeiro pela Copa do Brasil (0x2). Em 2016, apitou 26 jogos nacionais, sendo 3 jogos da SEP (que venceu 2 e empatou 1) e 4 jogos do SPFC (que venceu 1 e perdeu 3).

Com 36 anos e 1,88m, o bom (mas não excepcional) árbitro, Professor de Educação Física e ex-jogador de handebol, nascido em Santa Maria, tem se destacado pelo porte físico avantajado. Isso ajuda a impor respeito. Tecnicamente: apita bem, com alguns repentes de excelência e outros de deficiência. Disciplinarmente, é comedido nos cartões e procura usar do seu porte físico para ajudar nas advertências verbais. Me lembra muito (falando do seu estilo de arbitrar) o Pierluigi Colina, que era um árbitro dentro da média dos demais, mas se tornou uma personagem carismática, caricata e simpática no mundo do futebol).

Como curiosidade, à Revista Veja, deu uma entrevista na qual disse não ter medo de nada, exceto de… aranhas!

Desejo boa sorte ao Anderson Daronco no difícil clássico que apitará, pois, afinal, Dudu (SEP) está visado no Morumbi pelos outros jogos em que se criou um clima ruim entre torcedores nas redes sociais (como Dudu versus Tolói, por exemplo, que muitos são-paulinos não esqueceram).

Aproveitando a citação de que o árbitro é “fortão”, remeto à uma prática ruim das Comissões de Arbitragem: Armando Marques, por exemplo, gostava de árbitros grandes (quanto maior, para ele, melhor). Sérgio Correa da Silva tinha o hábito de buscar árbitros fora dos centros principais para “integrar o Brasil pelas escalas de arbitragem”. Coronel Marinho já declarou que escalará os melhores de cada estado (mesmo que sejam de longe), e continua com a política dos “árbitros bombadões”.

Seguindo tal lógica, seria impossível termos na 1a divisão árbitros da estatura de Paulo César Oliveira, por exemplo. Afinal, a “qualidade do árbitro” é só um pequeno detalhe…

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– A grana é desviada da CBF, mas não tem dinheiro para Profissionalização da Arbitragem?

Uma das justificativas para não se profissionalizar a arbitragem no Brasil é que isso “custaria caro”. Os “homens que dirigem o apito” sempre justificam com números dos mais diversos, e os sindicatos corroboram com os patrões, nunca com os árbitros.

Sabe-se que Sandro Rossel e Ricardo Teixeira desviaram dinheiro da CBF (6 milhões de euros e 8 milhões de euros, respectivamente). E ainda assim a Confederação Brasileira de Futebol é riquíssima!

Algumas perguntas:

1- Quanto devem ter levado Marin e Del Nero, cujo dinheiro não está contabilizado nesse desfalque mas se desconfia que do cofre saiu?

2- Por que os clubes ouvem tudo isso e nada fazem para tirar esses picaretas?

3- Por que Marco Polo Del Nero não viaja?

Nos EUA, a delação premiada não é como aqui (que é colaboração premiada). Lá, só se ganha o benefício depois de PROVADA a delação e que exista algo a mais que as autoridades não saibam.

Parafraseio Juca Kfouri: “Viaja, Marco Polo, viaja”!

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– A Nova Orientação da Regra “estreou” no Brasil sábado, em Santos 1×0 Coritiba

Só nesta segunda-feira à tarde vi o pênalti defendido pelo goleiro Vanderlei. E ao ver a infração que originou o tiro penal, me recordei da nova orientação da Regra válida para a temporada 2017 / 2018 (mas que no Brasil foi antecipada para o Campeonato Brasileiro, por ter começado em 13 de maio), de que se um jogador em posição de impedimento e que não esteja ativo sofrer uma falta, ela deve ser marcada.

Por exemplo: se uma bola é alçada na área e o jogador está em impedimento, e se ao dominar a bola esse mesmo atleta sofre um carrinho, era marcado o impedimento pois a posição fora de jogo automaticamente era antecessora à infração do carrinho. Trocando em miúdos: ao sofrer a falta o jogo já estava parado. AGORA, isso mudou (em decisão de março / 2017 da International Board): até que exista o domínio efetivo do jogador em posição de impedimento (ou seja, até ele realmente passar de passivo para ativo), deve-se  marcar a infração caso ela ocorra.

No lance da Vila Belmiro, David Braz agarra Alecsandro antes dele estar em impedimento ativo. Em 2016, era marcado o impedimento, mas em 2017 deve ser marcado pênalti.

Para que não fosse marcado o tiro penal, David Braz simplesmente deveria deixar o Alecsandro dominar a bola que a jogada seria impugnada. Mais ainda: se o agarrão fosse depois do domínio, também deveria-se marcar somente o impedimento.

Pergunto: os jogadores estão sabendo disso?

Pergunto novamente: será que foi essa a leitura do bandeira durante a partida, ou simplesmente ele achou que Alecsandro estava na mesma linha e do seu erro surgiu um acerto?

Assista o lance em: https://www.youtube.com/watch?v=WNRrDuQPDUk

– Um erro decisivo em Borussia Doutmund 4×3 Werder Bremen: quando a falha do juiz muda um placar.

O futebol é realmente ingrato para a arbitragem: neste final de semana, na Alemanha, estando Dourtmund 3×3 Bremen com vários lances duvidosos e todos marcados corretamente, o árbitro estava tirando “nota 10”. Eis que aos 88m, Pulisic (BOR) avança com a bola para o ataque, a adianta e, quando o defensor adversário vai dividir… se joga descaradamente dentro da área. Equivocadamente o juizão marca pênalti e joga o seu trabalho no lixo.

E por quê deve ter marcado? Por 2 motivos:

1 – A omissão do bandeira que deveria ter ajudado e não o fez;

2 – Por estar longe da jogada, acreditou que não existiria tal unfair-play e se deu mal (são os sulamericanos que costumam simular; europeus, quase nunca).

Assista o lance citado aos 2’16’ em: https://www.youtube.com/watch?v=JNhQcC74uqc. Aproveite também e assista os melhores momentos desse jogaço.

– Árbitros explicando lances em Entrevista Coletiva?

Marcello Nicchi, presidente da Associação Italiana de Árbitros, tem uma ideia interessante para a organização do Campeonato Italiano desde a temporada 2016/2017: ele quer que os árbitros, após as partidas, concedam entrevistas coletivas para a imprensa da mesma forma como os jogadores e treinadores fazem.

A justificativa é de que tendo oportunidade de explicarem o que viram e marcaram, os juízes sejam menos criticados, sendo que a exposição deles os tornariam mais humanos aos olhos dos torcedores.

E aí, o que acham da sugestão? Uma boa para a “transparência” ou a ideia faria apenas com que os árbitros sejam ainda mais criticados, caso alguém não concorde com suas explicações?

Dulcídio, Godói e tantos outros, se adaptariam bem a vários questionamentos pós-jogo? E os árbitros de hoje?

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– Novas Invenções de Jogadas Ensaiadas no Futebol

Cobrar tiro livre com 6 batedores pode?

O Kyoto Sanga (conhecido como “The Purple”), time da 2a divisão japonesa, mostrou que no futebol ainda há espaço para invenções.

Em um jogo da J-League 2 a equipe faz um golaço numa cobrança de falta. O detalhe: havia 6 batedores!

Parece hilário, mas resultou em gol e foi válido.

Importante- ao ver o curioso lance, já saiba de antemão: a artimanha pode ser feita em uma cobrança de falta, mas não pode em um pênalti, já que no tiro penal o jogador deve ser devidamente identificado.

No link: http://is.gd/T3B6H9

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– A iniciativa da CBF em relatar erros e acertos de arbitragem em alguns lances e o erro na avaliação de Corinthians 1×1 Chapecoense

A CBF divulgou alguns lances polêmicos do Brasileirão e os avaliou como certos e/ou errados. A iniciativa é louvável, lógico. Mas quem os interpreta pode cometer erros.

Digo isso pois vejo um vídeo do jogo do Corinthians onde a CBF recomenda equivocadamente a marcação do pênalti. Explico: o árbitro Elmo Rezende não dá pênalti no chute de João Pedro (Chapecoense) após a bola bater na mão de Gabriel (Corinthians). E eu também não marcaria! Se deve marcar o tiro penal se a mão foi intencional / deliberada ou se houve intenção disfarçada em um movimento antinatural. E foi isso que aconteceu?

Claro que não! A CBF justifica que o jogador “se lança deliberadamente na bola”. Ótimo, até aí não é irregularidade. Mas o movimento da bola que bate na mão não é antinatural, tampouco deliberado. E não nos esqueçamos: não existe imprudência em mão na bola!

Não adianta falar que houve movimento antinatural, aqui é novamente bola que bate por acaso no braço. O que dói é ler no site da CBF que foi “infração se lançar deliberadamente na bola”. Ora, aí já não é mais teimosia querer mudar por conta própria a Regra, mas sim burrice!

Repito e insisto: movimento antinatural não é imprudência (pois não existe essa avaliação na regra). Movimento antinatural é “disfarçar-se” para tocar deliberadamente a bola, e não foi isso que ocorreu.

Se temos que aplaudir a atitude em busca da transparência, temos também que puxar a orelha de quem fez essa avaliação.

Aliás, se há tantos erros, a culpa é de quem apita ou de quem escala apitadores que erram?

Vale a reflexão.

Aqui o vídeo: https://vimeo.com/217722231

Vou parafrasear o amigo Eduardo Tega, conterrâneo jundiaiense e professor da Universidade do Futebol, que tuitou: até o escudo dos árbitros da CBF é triste…

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– Um Time pode Pedir ou Vetar Árbitros?

Nos últimos dias, alguma polêmica sobre pedidos de árbitros estrangeiros por times brasileiros e/ou “importação” de árbitros de outros estados nos regionais, para os jogos decisivos.

Ao contrário do que muitos pensam, um clube pode (em tese) não aceitar um árbitro em seu jogo. Pode até escolher quem ele quiser para apitar suas partidas.

Isso acontece pelo fato de que os árbitros não são profissionais em quase todo mundo (as exceções notórias são Inglaterra e a semi-profissionalização na Argentina).

Quando você assiste a qualquer jogo do Brasileirão, você vê jogadores, treinadores, médicos e preparadores físicos profissionais. O árbitro não, pois ele é apenas federado e não é empregado de nenhuma entidade formal do universo futebolístico.

Isso ocorre pois as federações e confederações não querem assumi-los como funcionários, fugindo das responsabilidades trabalhistas e financeiras. Dessa forma, para apitar um jogo profissional, o árbitro deve ser federado (isso indica que ele foi capacitado por uma federação) e que está apto a ser contratado por uma equipe.

Você leu corretamente: CONTRATADO. Os juízes de futebol assinam um documento dizendo que são prestadores autônomos de serviço, trabalhando para os clubes filiados à FIFA, em suas competições amadoras ou profissionais”.

Sendo assim, os clubes são os responsáveis por fornecer a arbitragem de um jogo. Para isso, eles pedem às Comissões de Árbitros que indiquem os oficiais.

Teoricamente, numa partida entre Flamengo x Santos, o clube carioca é quem contrata o árbitro, indicado pela CBF, CONMEBOL ou FIFA, com sua aprovação. No jogo de volta, o time santista se encube.

Na prática, sabemos que não é bem assim. Mas é nisso que um clube se apega ao alegar ter direito de escolher um árbitro para a sua partida.

Se o árbitro fosse funcionário das federações, ou se os departamentos de arbitragem fossem independentes, certamente a situação seria outro…

Pena que não seja esse o modelo desejado por sindicatos e cooperativas da categoria.

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– 4 anos de uma “garfada” na Libertadores da América (Corinthians 1×1 Boca Júniors)

Detesto usar termos que levem à suspeita de má intenção na arbitragem. Vivi no meio e sei como funciona, quando “é” ou “não é” picaretagem.

Há exatos 4 anos, vi algo que “é”. Em 15 de maio de 2013, depois da confusão na Bolívia, o paraguaio Carlos Amarilla assaltou o Corinthians no Pacaembú contra o Boca Júniors.

Relembre a análise que fizemos no nosso blog na época:

ANÁLISE DA ARBITRAGEM DE CORINTHIANS 1X1 BOCA JÚNIORS

Erros determinantes na decisiva partida da Libertadores da América no Pacaembu. Vamos a eles?

Foram 4 momentos importantes:

LANCE1– 09’: Emerson Sheik e Marin dentro da área, o corinthiano está prestes a dominar a bola e o zagueiro argentino dá um tapa deliberado nela. Pênalti! E aí não tenho dúvida sobre o motivo do árbitro errar: ele estava mal posicionado, fora da diagonal, num lado cego da jogada. Repare que ele vem da direita para o centro do ataque do Corinthians, enquanto deveria estar mais do lado esquerdo. Neste caso, se tivéssemos o árbitro assistente adicional (AAA) posicionado na linha de meta, poderia-se ajudar o árbitro paraguaio Carlos Amarilla. Não foi erro de interpretação, o juizão realmente não deve ter visto a mão. Primeiro erro da arbitragem.

Um erro sempre traz consequências negativas: o zagueiro 29 Marin já tinha recebido amarelo. Se fosse marcado pênalti, segundo amarelo e expulsão. Mas foi Sheik quem recebeu a Advertência por reclamação…

LANCE2– 23’: Emerson lança a Romarinho, que está a aproximadamente 1 metro do penúltimo adversário (portanto, posição legal). Ele ganha do argentino e fica de frente para o gol, chutando para as redes. Porém, o assistente no1 Rodinei Aquino marcou impedimento. Romarinho faz o gol com o goleiro já “desistindo” da defesa, devido ao bandeira ter levantado seu instrumento. Ora, isso é irrelevante, pois fatalmente o gol seria marcado, caso o lance não fosse paralisado, pela “situação clara de gol”. Segundo erro da arbitragem, em lance fácil.

LANCE3– 60’: Sheik cruza, Paolo Guerreiro tenta o gol de cabeça, o goleiro Orion espalma e no rebote Paulinho consegue fazer o gol. Lance anulado. Houve a dúvida se foi marcado impedimento ou falta. Verifique que o bandeira no2 Carlos Cáceres ergueu seu instrumento quando Paulinho vai disputá-la. Portanto, impedimento.Terceiro erro da arbitragem.

Confesso que não consegui ver se o árbitro reiniciou o lance com tiro livre indireto (assim, teria confirmado o impedimento do bandeira, com gesto de braço erguido) ou com tiro livre direto (alegando alguma falta, gesto do braço abaixado). Em particular, Paulinho e Caruzzo se aguarram diversas vezes. Um árbitro caseiro marcaria pênalti; um árbitro fraco marcaria falta de ataque; e um árbitro bom mandaria seguir o lance.

LANCE4– 81’: Sheik está na grande área e o adversário dá um empurrão. Em jogos mais calmos, o erro passaria batido. Mas, novamente faço a observação: se tivéssemos o AAA atrás do gol, novo pênalti seria marcado. Quarto erro do árbitro.

Aliás, que se registre: tanto na 3a feira quanto nesta 4a as arbitragens frustaram a expectativa: Juan Soto era talento em ascensão em Palmeiras x Tijuana, e Carlos Amarilla talento reconhecido em Corinthians x Boca Juniors. Ambos decepcionaram…

Lembrando que no prazo de uma semana, o “trio de ferro paulista” foi eliminado da Libertadores. Má fase dos clubes de São Paulo, somada à má fase da arbitragem.

Uma última observação: para quem gosta de teorias conspiratórias, vale o registro: Amarilla é quase um “brasiguiao”, o árbitro preferido da CBF nos amistosos da Seleção Brasileira na América do Sul. E como há una certa rinha política entre Marco Polo Del Nero e Andrés Sanches… (Ops: eu não creio nisso, prefiro pensar em algo mandado pela Conmebol – vide caso de Oruro…!).

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