– E por onde anda o Árbitro Laleska?

Há 6 anos, reproduzíamos uma matéria da Folha de São Paulo sobre o dia-a-dia do travesti Laleska, que era árbitro de futebol e estava fazendo certo barulho no Ceará.

Eu pensei que ganharia notoriedade nacional em jogos de eventos, mas nunca mais ouvi falar sobre ela. Alguém sabe se continuou a carreira?

Reproduzindo o texto da época, abaixo:

PRECONCEITO & FUTEBOL: ÁRBITRO TRAVESTI É SUCESSO NO CEARÁ

O homossexualismo no futebol é um grande tabu. E, talvez, por muito tempo ainda será. Mas uma matéria da Folha de São Paulo do último sábado (FSP, 22/01/2011, pg D6, por Adriano Fernandes) me chamou a atenção: um árbitro de futebol do Ceará, Valério Gama, além de exercer o ofício do apito, se transforma á noite como travesti Laleska. E faz sucesso dentro e fora de campo!

O árbitro-travesti, assumido e bem resolvido, diz que nunca sofreu preconceito (curioso, já que o nosso país – e o futebol em particular – é taxado de machista e preconceituoso). Antigamente, tínhamos o assumido Jorge Emiliano (imortalizado como Margarida) e seus trejeitos (aliás, recentemente apareceu um Margarida 2, catarinense, que é casado e pai de 3 filhos). Hoje, fico curioso o que aconteceria se na FPF ou CBF um árbitro de ponta se declarasse homossexual.

E você, o que pensa sobre o assunto: quanto a homossexualidade no futebol – existe ou não preconceito? Deixe seu comentário.

Abaixo, a história do árbitro Valério Gama, ou, se preferir, da travesti Laleska:

AUTORIDADE – árbitro cearense que se traveste à noite já apitou mais de cem partidas

Por Adriano Fernandes

Eu descobri que era gay aos dez anos. Fui percebendo que não gostava de mulher. Brincava com meninos e sentia interesse por eles. Nunca contei para a minha família. Minha mãe já percebeu, meu pai até hoje é contra.

Comecei a me interessar por futebol assistindo aos jogos da Copa de 1994, nos EUA. Eu tinha 15 anos. Entrei no futebol pra ser goleiro. Eu era o terceiro goleiro de um time aqui da minha cidade.

Na época, faltou juiz e o meu treinador pediu pra eu apitar. Eu apitei e gostei. Não sabia as regras, aprendi dentro do futebol, na marra. Não sou formado [em arbitragem], mas já marquei o curso com o Dacildo Mourão, um juiz daqui. Ele me chamou.

Já apitei mais de cem jogos: campeonatos e amistosos entre times locais. Mas não estou no quadro de árbitros da federação cearense.

SEM PRECONCEITO

Toda a equipe de árbitro só tem homem, e eu sou o único homossexual. Nunca me envolvi com eles, eles nunca me cantaram, me respeitam como se eu fosse uma mulher mesmo. Porque o que eles sabem fazer eu também sei.

Eu bandeiro e tudo. Gosto mais de apitar, mas eu bandeiro quando é feito sorteio.
No futebol, eu não sofro preconceito, nunca sofri.

Quando eu chego ao campo, as pessoas acham que eu sou mulher. Vêm conversar comigo e perguntam: “E aí, mulher?”. Eu digo: “Gente, eu não sou o que vocês estão pensando. Eu ainda não sou mulher. Sou homem”.

Aí, quando descobrem, ficam passados, caem pra trás, se assustam. Mas nunca fizeram nada que me ofendesse. Pelo contrário, sou um dos mais chamados para apitar os jogos, todo sábado e domingo eu apito uma partida.

Eles chamam os héteros de veado, de baitola, mas a mim só chamam de ladrão, dizem que estou roubando. De veado ninguém chama porque todos já me conhecem.

O time do Ferroviário [clube cearense] me reconheceu uma vez. Eu fui pra praça de vestido, de salto, de bolsa.

Eles me olharam e falaram: “Olha a juíza!”. Só que eles não sabiam que eu era homem. Uma amiga deles conversou [com eles] e contou. Aí eles me chamaram e disseram: “Você me desculpa por eu chamar você de moça no campo”.

No campo, achavam que eu era mulher. Quando eu falava [durante o jogo], eles estranhavam por causa da voz, mas não descobriram. Se os jogadores acham que sou mulher, são mais educados.

Nós conversamos. Eles disseram que me viram de biquíni na praia, mas não acreditavam que eu era homem.

Eu falei que me transformava à noite em mulher. Eles gostaram, disseram que era muita coragem minha apitar um jogo profissional. Me deram parabéns. Fiquei feliz.

Vou te contar uma coisa que vai te deixar de queixo caído. Você está sentado?
Na minha casa somos oito irmãos e quatro homossexuais, dois em forma de homem e dois travestis.

Meus amigos travestis dizem que eu quero ser homem por gostar de futebol. Eles me chamam de “bicha-homem”. Dizem: “Olha essa bicha que quer ser homem”, “Essa bicha fala de futebol como se fosse homem”. Eles não entendem nada de futebol. Eu sou totalmente diferente deles. Eles ficam passados.

Tem muito homossexual no futebol, mas são incubados, não se assumem. Eu não. Eu rasguei logo. De que adianta eu viver a vida dos outros? Tenho que viver a minha, não vou mostrar para as pessoas uma coisa que não sou. Se perguntam, assumo.

“O” ERRO, “O” JOGO

O maior erro da minha carreira foi uma falta fora da área que eu marquei pênalti.
Logo depois, eu percebi que tinha sido fora, mas não dava para voltar atrás. Os jogadores puxaram meu cabelo. Já levei tapas, empurrão.

Meu jogo mais importante foi Ferroviário contra a seleção de Beberibe [no último dia 8]. O Ferroviário joga a primeira divisão daqui. Me chamaram e fiquei empolgado. Encarei da forma que encaro qualquer briga na vida.

Quando entrei no jogo, parece que incorporou um espírito na minha pessoa, um espírito de homem. Eu não tenho aqueles trejeitos do [ex-árbitro] Margarida, por exemplo. Faço os gestos todos direitinho, mas, depois que eu saio de campo, ninguém mais me segura.

RESUMO
Valério Fernandes Gama tem 32 anos e é juiz de futebol desde os 23.

Homossexual, à noite vira Laleska. Como travesti, sai para as boates de Beberibe, sua cidade natal, no interior do Ceará. Nunca sofreu preconceito nos gramados. Seus amigos travestis estranham seu interesse por futebol. Dizem que Valério é um gay “que quer ser homem”. 

bomba.jpg

Anúncios

– A Paixão pela Arbitragem e os Sacrifícios à Toa! Quando você…

Quando você deixa o futebol entrar na sua vida, é difícil tirá-lo!

Quando você é jovem e se torna jogador, jornalista ou juiz de futebol, seus sonhos extravasam e você crê em quase tudo. Às vezes, faz vista grossa a algumas situações (como a ausência do lar, o custo financeiro da sua formação e o esforço para a conquista).

Quando você amadurece na idade e na profissão, começa a observar que algumas situações de superação foram valorosas e valiosas; outras, em vão e a esmo. Começa a distinguir interesses escusos e a separar o joio do trigo.

Quando você vai parar a sua atividade, fica pensando em nunca se separar daquilo que fazia anteriormente. Quer continuar inserido no mundo da bola, em outra função e com mais tempo para a vida privada.

Quando você não consegue se encaixar e se dá conta que está fora, bate o desespero. Talvez a falta de planejamento pós-carreira é o “algo implicador”. Nos EUA, no basquete universitário, você já tem coachings preparatórios para o futuro do ex-profissional. E aqui, não tendo, nasce o risco…

Quando você vê uma oportunidade para a reinserção, enlouquece com o desejo e, se não tiver uma sólida estrutura familiar e uma educação firme, abandona a sua experiência e deixa a paixão da juventude tomar conta de você. E volta a se cegar das coisas as quais não se pode fechar os olhos.

Quando eu pendurei o apito, as oportunidades nasceram naturalmente (por sorte, acaso ou coincidência – não pela minha competência). Fui um felizardo, uma exceção à regra. Me auto-declaro “Regra 18” na linguagem futebolística. Consegui diminuir o ritmo das atividades esportivas e conciliar com minhas atividades acadêmicas e comerciais. Aproveitei muito mais minha família, acabaram-se as enfadonhas reuniões de dirigentes que nada sabiam e ainda queriam ensinar coisas que inventavam justamente por desconhecimento.

Quando eu vejo ex-colegas árbitros felizes, nas redes sociais sem medo da punição de “otoridades / cartolas do apito”, sorrindo com seus filhos e filhas, apaixonados com suas esposas e curtindo tranquilamente o final de semana, me sinto feliz por eles!

Quando eu vejo ex-colegas árbitros trabalhando ainda no futebol, em atividades honestas e virtuosas, realizando-se em novas etapas sem perder a qualidade de vida familiar, comungo-me com eles.

Quando eu vejo ex-colegas árbitros mendigando espaço em Federações e Confederações para trabalharem em outra atividade, aceitando passivamente ordens de pessoas que há décadas se apropriaram da arbitragem de futebol e fizeram daquilo uma propriedade do seu ganha-pão, tenho pena. Sim, dó mesmo ao ver pessoas de bem se misturarem com aquelas que não ouso qualificar (mas tenho em mente minha opinião) e topam ganhar migalhas financeiras para continuarem no campo de jogo, permitindo se iludir pelos dirigentes. Não consegue largar o tenro e a gravata? Quer ficar tirando fotos com tablets à beira do gramado?

Quando eu me pergunto: “Por quê o cara encerra a carreira e aceita receber ordens de gente malquista pelo dinheiro de um almoço?”, abdicando da família como fez na juventude (pois financeiramente não compensa), só resta concluir: o futebol tomou conta por inteiro dele e o fanatismo o maculou; ou proibiu que a maturidade e o discernimento o fizesse ter o pé no chão.

Quando nós vemos pessoas dizendo que “devotaram uma vida inteira ao futebol”, perpetuando-se no poder ininterruptamente ou pulando de galho em galho nos cargos diversos, desconfie. Por quê Ricardo Teixeira não saia da CBF de jeito algum? Por quê um senhor como Marco Polo Del Nero não abdica do seu trono e vai curtir tranquilamente suas namoradas com o dinheiro que tem? Por quê dirigentes de vários setores do futebol (não estou citando nomes agora, mas que transitam entre clubes e sindicatos) nunca largam o osso?

Quando nós vemos tudo isso e questionamos: “É amor ao esporte? É um abnegado? É um sonhador? É um fanático?”, no fundo sabemos que é uma sede de poder e de vaidade.

Quando nós vemos tantos “ex” agindo como maus empresários de futebol, maus diretores, maus representantes de classe, maus “novos cargos” no esporte, imediatamente pensamos: “corrompeu-se por algum motivo“.

Quando todos sabem que algo que teoricamente é sacrificante e dia prejuízo, mas o sujeito quer insistir, é burrice ou picaretagem.

Quando alguém lhe diz: “Passarinho, de tanto andar com morcego, dirão que você dormiu em pé como morcego – MESMO QUE NÃO DURMA”, é hora de você mudar de companhias. As pessoas que você se relaciona no futebol são apresentáveis, ilibadas e reconhecidamente corretas?

Percebam que foram 16 “quandos” (1 por ano da minha carreira de árbitro), e sempre ouvi que havia “vida fora da arbitragem”. E é claro que há. Comecei o texto com os “eu“, passei para o “nós“, fui para o “todos” e parei no “alguém“, propositalmente, apenas para dizer: SOMOS autênticos? Unidos? Honestos conosco mesmo?

Lamento ver gente decente dando moral àqueles que já deviam estar fora da condução do futebol jogado, falado e apitado, abrindo mão do convívio familiar e do descanso merecido do trabalho semanal, engordando cofres de associações e “pagando pau” para cartolas.

Agora sou eu que digo: Há vida fora da arbitragem. Os amigos que leram essa postagem e sabem o que digo, devem-se repensar o pós-futebol e caírem fora do relacionamento com gente dúbia. Há “professores” que nada podem lhe ensinar ou agregar, tendo contestações na vida e conturbações diversas. Aprenderá o quê?

Compartilho essa reflexão que mostra o quanto nossas ações e convívios nos fazem ser o que realmente somos. Aqui: https://wp.me/p4RTuC-5e8 . Ande com gente de bem, e será do bem. Mas se fizer o contrário…

Não deixe o cartola te usar. Seja inteligente e prudente.

bomba.jpg

– Nenhum árbitro FIFA brasileiro sairá do quadro em 2018.

Com pesar, já faz algum tempo que penso que o Brasil não tem mais condições de ter o número máximo de árbitros internacionais de elite permitidos pela FIFA (10 juízes FIFA é o limite por país).

Várias nações (a maioria) tem menos de 10, por um motivo claro: não ter a competência exigida para fazer parte desse seleto grupo.

A CBF não mudará nenhum nome dos árbitros FIFA atuais para 2018. São eles:

  1. Anderson Daronco / RS (2015)
  2. Dewson Freitas / PA (2015)
  3. Luiz Flávio de Oliveira / SP (2015)
  4. Raphael Claus / SP (2015)
  5. Ricardo Marques Ribeiro / MG (2009)
  6. Rodolpho Toski Marques / PR (2017)
  7. Sandro Meira Ricci / SC (2011)
  8. Wagner Magalhães / RJ (2017)
  9. Wagner Reway / MT (2017)
  10. Wilton Pereira Sampaio / GO (2013).

Um árbitro FIFA é aquele que apita qualquer jogo em qualquer lugar do mundo (em tese, pois percebemos que em qualquer parte do planeta teremos, infelizmente, o apadrinhamento superando a  meritocracia). Sendo esse o critério (estar na elite e  ter competência para apitar qualquer jogo), responda:

Dos 10 nomes do quadro brasileiro na FIFA, quais poderiam apitar Corinthians x Palmeiras, Fla-Flu, Grenal, Barcelona x Real Madrid, Glascow Rangers x Celtic, Milan x Internazionale, Boca Jrs x River Plate, sem terem sua competência discutida (afinal, são da FIFA)?

Particularmente, pelo rendimento e pela experiência, penso que temos apenas Daronco, Claus, Ricci e talvez Wilton Sampaio. Os outros, ainda não. Alguns, nem na série A poderiam estar. Mas deixe sua resposta:

bomba.jpg

– Quem dá mala branca, também dá mala preta?

Já ouviram falar de “malas de dinheiro no futebol”? No imaginário popular elas existem aos árbitros que estão “na gaveta”. Mas e quando ela vai para um jogador ou para um time?

Viram a manchete do UOL a respeito da mala branca de R$ 500 mil recebida pelos jogadores do Cruzeiro como incentivo a jogarem com mais determinação contra o Palmeiras?

Os jornalistas Danilo Lavieri, Gustavo Franceschini e Thiago Fernandes postaram nesta 5a feira no UOL Esporte que há “relatos de pessoas ligadas a pelo menos 5 atletas diferentes do time celeste, que confirmam a situação”.

Teria sido quem? O Corinthians, para atrapalhar o rival Palmeiras? O Santos, para brecar um concorrente?

O UOL ouviu os times do Cruzeiro e do Corinthians, e ambos confirmaram que não existiu nenhuma mala branca. A pergunta é: se receberam e agora negam, os atletas que toparam fazer isso foram éticos na sua atividade? Um clube grande como o Cruzeiro, com conquistas de Campeonato Brasileiro, Libertadores da América e recentemente a Copa do Brasil, aceitaria passivamente o fato de que um outro time daria dinheiro a seus atletas serem mais produtivos por interesse na classificação do Brasileirão?

Uma perturbação: será que quem aceita a mala branca, não aceitaria também mala preta?

Por fim: os jogadores do Cruzeiro (se é que receberam 500 mil reais mesmo), se não tivessem aceito a grana não honrariam a camisa do time da Raposa e jogariam com menos vontade? Se eu fosse torcedor cruzeirense, me preocuparia com tal situação…

E você, o que pensa sobre isso: houve ou não mala branca supostamente enviada pelo Corinthians ao Cruzeiro? Lembrando que a publicação do Universo On-Line é assinada por 3 jornalistas.

O mais curioso é: na pindaíba das contas e no sufoco em pagar as dívidas, como um clube ousaria usar tal artifício?

bomba.jpg

– E se Atlético Nacional x São Paulo fosse como Lanus x River Plate? A diferença de duas semifinais em 1 ano!

Meus amigos que são são-paulinos se recordarão, sem sombra de dúvida: nesta mesma altura da Taça Libertadores da América, no ano passado (semi final), o São Paulo de Edgard Bauza tentava chegar à finalíssima e parou no bom time do Atlético Nacional (o campeão do torneio) e na péssima arbitragem de Patrício Polic, um chileno com histórico negativo em torneios nacionais e pouco aproveitado pela Conmebol. Relembre aqui: https://wp.me/p55Mu0-ZR

E se existisse o vídeo-árbitro naquela semifinal, como existiu na semifinal deste ano no emocionante Lanús x River Plate?

Nesta oportunidade, não tivemos um inexperiente, mas o rodadíssimo Wilmar Roldán, além do VAR presente. Duas polêmicas ontem: uma sobre um pênalti não marcado ao River Plate (teria sido perguntado ao árbitro de vídeo, sem interromper o jogo, se foi ou não?) e outra em um pênalti a favor do Lanus marcado com o auxílio do mesmo VAR.

Enfim: digo isso pois gostemos ou não a tecnologia chegou. Placares podem ser outros graças à correção com o auxílio da tecnologia. Ou não corrigidos, graças a erros de operadores: os elementos humanos.

Está gostando do uso do árbitro de vídeo nos torneios que você assiste?

Deixe sua opinião:

bomba.jpg

– No sorteio de Corinthians X Palmeiras deu a lógica: Daronco apita o Derby. E eu me lembrei do Prósperi…

Quando comemorei 1 ano que aposentei “o apito”, fui convidado para participar do Programa “No Pique da Pan”, apresentado por Wanderley Nogueira na Rádio Jovem Pan. Naquela semana, jogariam no Pacaembu Corinthians x Palmeiras pela semifinal do Paulistão-2011. De um lado, Tite. Do outro, Felipão.

Na 4a feira que antecedia o jogo, Luiz Antonio Próspori publicou no extinto e saudoso Jornal da Tarde que Paulo César de Oliveira seria sorteado para apitar aquele Derby, a pedido de ambas equipes. E de fato foi! A presidência da FPF, na pessoa de Marco Polo Del Nero, negou qualquer pedido. A Comissão de Árbitros da FPF, através do Coronel Marinho, alegou coincidência. Nunca se provou nada.

Por ser um assunto efervescente, fui questionado pelo Wanderley naquela entrevista sobre tal escala, e disse mais ou menos assim: “Como o Palmeiras não gosta do PC, o Corinthians o pediu para apitar o jogo só para enervar o adversário. E o Palmeiras deve ter pedido o PC por crer que, com tantos jogos reclamados contra ele, ‘pagaria a dívida’ e na dúvida erraria a favor dele”. Lembro que nos bastidores eu disse que conhecendo o Paulo César, entraria em campo “mordido”, atento, vibrante. E que na primeira reclamação de qualquer treinador, ele expulsaria não importanto quem fosse. Não me esqueci que alguém (talvez o próprio Wanderley Nogueira) disse: “se acontecer isso mesmo, na segunda-feira o programa [Esporte em Discussão] vai ser uma fumaça”!

E o que aconteceu? Aos 26 minutos do 1o tempo Felipão foi expulso por reclamação e Tite o ironizou com o “Fala Muito, gesticulando com as mãos. Relembre em: https://wp.me/p4RTuC-2DQ.

Mas não é que coincidências realmente acontecem periodicamente?

Escrevemos logo após o jogo São Paulo 2×1 Santos que, por passar despercebido, Anderson Daronco, pela lógica da CBF (olha a coincidência aí de novo: tendo Marco Polo Del Nero na Presidência e Coronel Marinho na Chefia dos Árbitros repetindo a dobradinha de 2011), teria grande chance de que os astros conjurassem entre si e o universo conspirasse a seu favor. E deu no que deu: Nessa 3a feira, o gaúcho fortão foi sorteado para o Derby, agradando os cartolas palmeirenses e corintianos.

IMPORTANTE: não estou menosprezando ou duvidando do sorteio, que é público e transmitido pela TV CBF (confesso não saber se é ao vivo). Acredito na lisura das pessoas que lá trabalham e apenas contei essa “histórinha” por ser repleta de coincidências – e claro, isso é extremamente curioso.

Boa sorte ao Daronco e seus companheiros, tenho certeza que será uma partida menos difícil de se arbitrar do que aquela de 2011, pois ao invés dos rodados Tite e Felipão estarão comandando as equipes os jovens e educados Fábio Carile e Alberto Valentim.

Em tempo: lembram-se que o “Fala Muito” virou até camiseta?

tite-fala-muito-700

– Os dois lances reclamados em Palmeiras 2×2 Cruzeiro

Heber Roberto Lopes apitou o empate entre o Porco e a Raposa, um importante e difícil clássico brasileiro, de interesse muito grande para a classificação na ponta da tabela. E dois lances foram reclamados:

1.Diogo Barbosa e o pênalti em Keno: você deve avaliar se a força do puxão da camisa seria suficiente ou não para que o atleta continue a jogada. Se “não”, não há porque marcar a falta já que isso se torna tentativa de cavar a infração (já que abdica da continuidade do lance). Entretanto, se há um desequilíbrio real, não importando se foi um puxão fraco ou forte, aí não pode deixar seguir o lance, pois o jogador não tem como continuar a jogada. E foi justamente isso o que aconteceu: um leve (mas existente) desequilíbrio. Fora da área é falta; dentro é pênalti (equivocadamente não marcado, mas difícil de se perceber imediatamente e fazer a correta avaliação da intensidade do puxão).

2.Gol de cabeça de Borja: Manoel vai dividir com o atacante palmeirense. Não existe tranco nem dividida de jogo. Borja se antecipa e pula, a queda do zagueiro não se dá por um puxão por força excessiva (embora exista o braço no adversário), mas por consequência de ter perdido a disputa de bola. Ao sentir o contato físico, se joga! Portanto, o árbitro errou na interpretação do lance, já que Manoel força a queda que não aconteceria se ele disputasse a bola e erroneamente o juiz anula o gol. Detalhe: ele sinaliza de imediato um empurrão, o que não acontece na jogada (será que o árbitro de vídeo “sopraria” algo diferente no ouvido de Heber, neste momento, se ele existisse?).

Respeito a dificuldade dos lances e entendo perfeitamente quem interpretasse diferentemente as duas decisões. Mas discordo do comentarista da Rede Globo, Arnaldo César Coelho, que disse ter sido “uma das melhores arbitragens do Campeonato Brasileiro.

Alguém questionará: “cadê o critério: num lance deixa seguir, no outro não deixa mais”? Aí já não é questão de estilo de jogo ou critério, mas lances pontuais.

bomba.jpg

– Jô e a não expulsão, além da pressão psicológica a Corinthians e Palmeiras.

Parece que a coisa desandou para o atacante Jô do Corinthians. Após algumas entrevistas mostrando que de fato mudou sua vida pessoal (marcada por farras que acabavam o prejudicando dentro de campo), ajustou a relação familiar e se destacou com gols importantes na temporada.

Entretanto, após o lance do Fair Play de Rodrigo Caio, houve muita cobrança se Jô, que havia cavado pênaltis, caso tivesse alguma oportunidade retribuísse a gentileza para outro atleta.

Não só isso não ocorreu como Jô fez até gol de mão contra o Vasco; e ontem, contra a Ponte Preta, após tentar simular um pênalti no final do jogo, deu uma solada certeira na canela do defensor Rodrigo. O árbitro não viu para sorte do corintiano, pois ele deveria ser expulso e desfalcaria assim o Timão contra o Palmeiras no próximo final de semana por ter que cumprir a suspensão automática.

A questão agora é: com o campeonato novamente aberto, quem sofrerá mais com a cobrança psicológica: o Corinthians pela sequência de derrotas ou o Palmeiras que se sente obrigado a ganhar?

Aqui vale um pouco de atenção: qual Departamento de Psicologia terá mais trabalho pré-clássico?

Aguardemos.

Em tempo: teremos Anderson Daronco ou Raphael Claus no próximo Derby? Se manter a lógica, apitará o gaúcho.

bomba.jpg

– Feliz Aniversário, Esporte Bretão! Hoje: 154 anos de Futebol e 11 curiosidades

Nesta quinta-feira se festeja 154 anos do futebol!

Em 26 de outubro de 1863, findava em Londres uma vitoriosa campanha encabeçada por universitários e pelo jornalista John Cartwright: a da padronização das diversas práticas de ‘football’.

Como o esporte era jogado sob a orientação dos diversos colégios e associações esportivas, não haviam regras únicas para o futebol. Há mais de um século e meio, na Freemason’s Tavern, dessa união de esforços nasceu a “The Football Association” (a FA é a ‘CBF inglesa’), que visava, como mote maior, divulgar um único conjunto de medidas para que o jogo de futebol fosse disputado uniformemente em toda a Grã-Bretanha.

Nascia assim o livro The Simplest Play, que nada mais eram as Regras do Jogo de Futebol, com 14 capítulos.

Vamos a algumas curiosidades? Selecionei 11 itens, já que em 1870 o futebol passou a ser jogado com esse número de atletas, definido pela regra 3 até hoje.

1) As traves (Regra 1) eram compostas apenas por postes; o travessão (ou seja, a parte de cima da meta) só surgiu 2 anos mais tarde, tamanha era a confusão para se determinar se os chutes muito altos tinham sido gol ou não;

2) Infrações (Regra 12) eram resumidas como: são proibidas rasteiras, caneladas e cotoveladas, bem como golpear ou segurar a bola com a mão; simples assim!

3) Não existia a figura do árbitro (Regra 5), que só surgiu em 1868, e ficava sentado numa cadeira, na sombra, servindo para tirar as dúvidas dos capitães das equipes (que eram as pessoas que decidiam se havia alguma falta ou não em comum acordo). Somente em 1878 é que surgiu o apito, mas ainda não servia para marcar faltas, mas para avisar sobre o começo e término dos jogos. Em 1881, enfim o árbitro entrou em campo e começou a decidir sobre infrações sem a consulta de capitães, fazendo parte da regra.

4) O tempo de jogo (Regra 7) é definido em 90 minutos (1893), com intervalo e acréscimos. Antes, se desse o tempo, encerrava a partida imediatamente, quer a bola esteja no ataque ou não.

5) O pênalti (Regra 14) surge em 1891. Até então, nas faltas próximas ao gol, os jogadores se aglomeravam em cima da linha de meta e formavam um muro sobre ela.

6) Diversas infrações poderiam deixar de serem marcadas, caso a equipe que sofresse a falta achasse que não importava a marcação. Ou seja, nascia em 1903 a “lei da vantagem” (não era o árbitro quem determinava se seguia ou não o lance).

7) O goleiro podia segurar a bola com a mão por toda a sua metade do campo. Em 1907, radicalizou-se e o arqueiro só podia colocar as mãos dentro da grande área. Mas somente em 1921 alguém teve a idéia de que eles deveriam usar roupas diferentes dos jogadores de linha, para não confundir as pessoas.

8) Preocupada com a saúde dos atletas, decidiu-se em 1924 que, se o árbitro considerasse que um jogador estivesse contundido, deveria parar o jogo para que ele fosse atendido. Antes, o lesionado deveria se arranjar sozinho para deixar o campo e o jogo não deveria ser interrompido.

9) Uma revolução aconteceu em 1925: o impedimento (Regra 11) passou a exigir que ao menos 2 atletas (antes, eram 3) estivessem dando condição para que o jogo prosseguisse.

10) Em 1938, numa ‘reengenharia’ esportiva, definiu-se as 17 regras do futebol que persistem até hoje, com algumas alterações ao longo do século.

11) Somente em 1970 permitiu-se substituições de atletas universalmente (Regra 3). Antes (desde 1966), eram permitidas somente em partidas que envolvessem clubes. Também temos a adoção dos cartões amarelos e vermelhos (Regra 12).

É claro que ao longo do século XX outras tantas modificações surgiram, como o tempo de 6 segundos da posse do goleiro com a bola nas mãos, mesma linha deixar de ser impedimento, 3ª substituição, área técnica, entre outras.

E você, teria alguma sugestão para mudanças de Regra do Futebol, no dia do seu aniversário de 154 anos?

Deixe seu comentário:

url.jpg

 

– A estreia em Container do Árbitro de Vídeo Sulamericano

Sandro Meira Ricci se tornou o primeiro árbitro do mundo a usar num torneio FIFA de importante magnitude o equipamento de “Gol-não Gol” na Copa do Mundo do Brasil, no jogo da França em Porto Alegre (o famoso chip na bola para saber se ela ultrapassou totalmente a linha de meta). Na Copa das Confederações Russia 2017 foi pioneiro no torneio como árbitro de vídeo. E agora, o juiz brasileiro que esteve na Copa de Seleções 2014, que está confirmado na Copa de Clubes 2017 e que certamente irá novamente para a Rússia 2018, foi o primeiro vídeo-árbitro da Libertadores da América, na partida entre River 1×0 Lanús (onde não se necessitou de sua ajuda durante os 90 minutos).

Juntamente com seu bandeira de vídeo e assistente de vídeo-árbitro, ficaram instalados confortavelmente no estacionamento do estádio trabalhando nessa nova função do futebol dentro deste… container!

Uma simples curiosidade: teria ao lado um banheiro químico? Pois imagino que as condições de trabalho ali, digamos, estejam meio que adaptadas.

Se no Brasileirão for da mesma forma (se é que será, já que as promessas demagógicas nunca foram cumpridas), talvez teremos depois de alguma decisão polêmica a turma dos descontentes que tentará virar o container! Aliás, a recepção do áudio, dali, é adequada?

Para Barcelona x Grêmio, também haverá um container. Seria ele blindado?

DM8Bz4GX4AEm2j9