– O que se fará ao Nacional pelas ofensas à Chapecoense?

Fico pasmo ao ver a inércia da Conmebol pelo ato ridículo ocorrido e não punido sumariamente: em plena Arena Condá, no 1o jogo da Pré-Libertadores da América, torcedores do Nacional-URU insensivelmente ironizaram os torcedores da Chapecoense com gestos de “aviãozinho caindo”, em alusão aos mortos na tragédia que envolveu a delegação da Chape.

Quer piada mais sem graça ou ato mais insonso do que esse? Justo no estádio em que se fez o velório onde o mundo inteiro chorou as dezenas de mortos? E como os familiares e amigos das vítimas receberam tais ofensas?

Há imagens da zombaria circulando pela internet, mas por conta dos direitos de transmissão, não tenho link acessível permanente com o vídeo.

Não pode ficar impune tal situação. Aguardemos! Aqui no Brasil, o Grêmio recentemente foi eliminado de uma edição da Copa do Brasil devido a manifestação racista. E agora, qual a pena para o Nacional-URU neste ato fúnebre, macabro e desumano de seus aficcionados  Se é que se pode chamar tais torcedores imbecis de humanos…

Em tempo: não consigo acessar a súmula deste jogo. Será que o árbitro relatou o ocorrido (mesmo sendo desnecessário devido às claras filmagens)? Aliás, a ironia do destino: um Nacional (o da Colômbia) demonstra grandeza com sua torcida e seu homônimo (o do Uruguai) tal pequeneza… 

 

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– Joguinhos fáceis para apitar, a ISO do Apito e da Gestão da CBF

Em 3 tempos:

  1. O ex-jogador do Fluminense Roni agenciou com o Madureira o mando de jogo de Madureira 0x1 São Paulo para Londrina. Parece que teve prejuízo com o público pífio (menos de 10.000 pagantes) que caberia em Conselheiro Galvão, a casa do Tricolor Suburbano, que além de sem dinheiro, foi desclassificado da Copa do Brasil. Mas saiba: o regulamento da Copa do Brasil diz que o time não pode mudar o mando sem aval da Federação da sua jurisdição. Será que houve?
  2. Madureira x São Paulo e Universidad Concepcion x Vasco foram “a baba do boi” para os árbitros. Joguinhos bem fáceis para se apitar, com nível técnico a desejar dos jogadores. Ficam boas questões: e se jogassem Madureira x Universidad e Vasco x São Paulo, quem seriam os vencedores? Quais dos grandes times brasileiros teve o adversário mais difícil? Penso que os dois mandantes da noite de 4a feira, se jogassem no Paulistão mostrando tal futebol, cairiam para a A2!
  3. A CBF ganhou a certificação ISO 9001 de gestão da qualidade para a sua administração (e não é piada)! Também a Comissão de Árbitros da FPF possui tal honraria. Me lembro que em 1997, quando estavam em voga tais conquistas no mundo das empresas, se discutia sobre até quando tais certificados teriam importância e respeitabilidade…

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– Por quê não se usam os equipamentos eletrônicos da Copa do Mundo para ajudarem os árbitros nos Campeonatos Regionais?

Há exatamente 3 anos, fazíamos essa postagem no Blog “Pergunte Ao Árbitro”. Veja se não é para lamentarmos ainda hoje. Abaixo:

GOAL CONTROL OU GOL CONTRA?

Os equipamentos da “Goal Control” (empresa dona da aparelhagem eletrônica que ajuda o árbitro identificar se a bola entrou por inteiro ou não no gol) foram embora. Ficaram encostados por muito tempo nos 12 estádios da Copa do Mundo e, pelo fato da CBF não se interessar por eles em suas competições, tampouco os clubes se esforçarem para terem em suas praças, foram devolvidos à empresa fabricante (eles estavam aqui alugados pela FIFA).

Triste. Cada vez mais vejo que o legado do Mundial (à arbitragem brasileira em particular) foi nulo.

E a hastag bomba incessantemente: Mais um #GER7x1BRA…

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– A falta em Sané leva à discussão: como punir tal infração?

Viram a entrada criminosa que Joe Benett, do Cardiff, deu em Sané, do Manchester City, no último final de semana?

O infrator não foi expulso, mas sua falta tirou o adversário da partida e o lesionou por um bom tempo.

Ficará sempre a constante discussão: não deveria ficar suspenso quem comete tal ato o mesmo “tanto de tempo” que o atingido levará para se recuperar?

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– E se o jogador simular que está sendo algemado?

Aconteceu na Itália: no jogo entre Chievo x Juventus, um atleta simulou estar “com as mãos algemadas” pelas decisões do árbitro em forma de protesto, e foi expulso.

Alto lá! Entenda o gesto e veja os motivos culturais de se “mostrar algemado” na Itália,

Extraído de: https://esporte.uol.com.br/futebol/campeonatos/italiano/ultimas-noticias/2018/01/28/zagueiro-e-expulso-apos-simular-estar-algemado-em-protesto-contra-juiz.htm?utm_content=geral&utm_campaign=twt-esporte&utm_source=t.com&utm_medium=social

ZAGUEIRO É EXPULSO APÓS SIMULAR ESTAR ALGEMADO EM PROTESTO CONTRA JUIZ

O zagueiro do Chievo Fabrizio Cacciatore foi expulso no último sábado (27) após um protesto curioso. Inconformado com uma decisão da arbitragem, o italiano cruzou os punhos como se estivesse algemado, sugerindo que o juiz deveria ser preso por supostamente estar roubando.

Indignado, o árbitro mostrou o vermelho direto, expulsando o jogador.

Tudo começou quando, no segundo tempo da partida do Chievo contra a Juventus, Cacciotore se envolveu em um choque com um adversário e ficou no chão. O juiz autorizou a entrada da equipe médica, mas como o Chievo já estava com dez homens em campo, o zagueiro não quis sair e deixar seu time em desvantagem ainda maior.

O árbitro insistiu, e, contrariado, Cacciotore deixou o gramado fazendo o gesto de algemas, primeiro sobre a cabeça e depois nas costas.

O técnico português José Mourinho já havia feito esse gesto quando comandava a Inter de Milão, de maneira que as algemas já são interpretadas na Itália como uma forma de protesto contra supostas manipulações da arbitragem. O treinador acabou punido com três jogos de suspensão e uma multa de 40 mil euros.

Depois do jogo, vencido pela Juventus por 2 a 0, os dois gols marcados após a expulsão de Cacciatore, o zagueiro foi ao Instagram se desculpar.

“Peço desculpas publicamente porque o gesto feito foi um grande erro”, escreveu ele. Peço desculpas aos meus companheiros, ao treinador, ao clube, aos nossos fãs e aos amantes do futebol. Certamente é um gesto errado, para não ser feito, um exemplo que um profissional não deve dar. Desculpe por ter dado problemas aos meus colegas de equipe que estavam lutando desde o primeiro até o último minuto… o meu ato foi uma explosão impulsiva e, certamente, eu paguei caro. Desculpe.”

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– Os dois lances importantes de Palmeiras 2×1 Red Bull

Errou a arbitragem na Allianz Arena em dois lances importantes nesta 5a a noite. Vamos a eles?

1o GOL DO PALMEIRAS: Thiago Santos abriu o placar em impedimento. Quando Lucas Lima cobra a falta, o palmeirense está com a cabeça e parte do corpo a frente do seu marcador. Provavelmente, o bandeira foi iludido pelas pernas do atleta, que estão em mesma linha que as do adversário. Mas como o que vale são as partes jogáveis do corpo, estando qualquer uma delas à frente, é  impedimento

PÊNALTI PARA O RED BULL: Éder Luís é agarrado, mas sem força suficiente para derrubá-lo. Repare que é uma simulação grostesca do atacante do Toro Loko, que se fosse puxado para trás, não cairia para frente. Erraram bandeira e árbitro – o 1o por dizer ao árbitro que foi infração; o 2o por não bater no peito, chamar a responsabilidade para si e aplicar o cartão amarelo por simulação. Importante: o ótimo comentarista Maurício Noriega se equivocou ao dizer durante a transmissão da Sportv que a Regra diz “agarrar ou tentar agarrar é infração”. Na verdade, a infração deve ser marcada se o agarrão se concretizar. Provavelmente, ele confundiu com o texto de “agredir ou tentar agredir“, ao invés de agarrar.

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– Lances inusitados na final da Copa São Paulo entre SPFC 0x1 Flamengo.

Duas questões bem interessantes, observadas atentamente e que são pertinentes à discussão das Regras do Futebol, enviadas para o blog pelo internauta Sílvio Sbc:

Olá. Sou seguidor assíduo de seu blog e admirador de seu conhecimento e comentários. Vi dois lances na final da Copa São Paulo que muito me chamaram a atenção e achei que veria algum comentário de sua parte o que não aconteceu.
  • O primeiro foi num lance de bola ao chão. Numa primeira tentativa o árbitro soltou a bola e os jogadores não esperaram que a bola tocasse ao chão para jogar. O árbitro paralisou o jogo. Na segunda tentativa, ao observar a ânsia dos jogadores por disputar a bola, ele arremessou-a a uma certa distância a fim de evitar o toque na bola antes que ela caísse ao gramado. Achei o lance engraçado e digno de peladas de rua.
  • O segundo lance no meu entender poderia jogar seu trabalho pelo ralo e contou com muita sorte por parte do árbitro. Próximo aos 42 minutos da segunda etapa, logo após duas substituições do São Paulo, aconteceu um escanteio para o São Paulo onde a bola saiu ao lado direito da trave e pelo chão. O árbitro autorizou a cobrança do tiro de canto do lado esquerdo da trave. A bola foi cruzada e na cabeçada quase saiu o gol são-paulino. O goleiro espalmou para escanteio novamente. Minha pergunta é: caso essa bola tivesse entrado, qual deveria ser o procedimento do árbitro? Se ninguém se apercebesse do erro e ele validasse o gol e o jogo reiniciasse. Isso daria erro de direito?
Agradeço antecipadamente!!!
 
Olá Sílvio, boa tarde. Obrigado pelas palavras e por enviar a mensagem. Vamos lá:
 
Eu resido e trabalho aqui em Jundiaí, e em nossa cidade não foi feriado. Portanto, às 10h, o horário era ingrato e eu estava na labuta. Não pude assistir o jogo! Pelo que ouvi pelo rádio, pareceu-me não ter acontecido nada tão revelante (daí não assisti nenhum VT). Não sabia desses dois importantes lances. Quanto eles:
 
1- Se a bola for tocada pelos atletas antes de atingir o chão, o tiro tem que ser repetido. Mas jogá-lo a distância, isso é inusitado – e errado! Afinal, o árbitro deve soltar a bola em sua frente, não necessariamente com os jogadores presentes. SOLTAR A BOLA não significa arremessá-la, mostrou inexperiência o árbitro.
 
2- Aqui, uma falta de atenção: OBRIGATORIAMENTE o tiro de canto deve ser cobrado a partir do quarto de círculo mais próximo de onde a bola saiu. É um procedimento que faz parte da Regra do Jogo (Regra 17). Entenda: se a bola sai por cima do travessão, estando portanto no alto – e se ocorrer mais ou menos equidistante dos postes – você pode alegar que entendeu que a bola saiu mais para a direita ou para a esquerda e escolher o canto que julga ter sido o mais próximo. Assim, nessa situação, foi uma interpretação (que pode gerar um erro de fato). Mas no caso que você citou, sendo pelo chão, é impossível alegar interpretação! Foi um descuido do árbitro – ou, quem sabe, ele desconhecia esse detalhe da Regra (gerando erro de direito). Se o árbitro perceber que ela foi colocada do lado errado, não deve permitir a cobrança e deverá indicar ao jogador que deve cobrar do outro lado, o correto. Se for cobrado rápido, imediatamente o árbitro paralisa e manda cobrar de novo, pois a bola não entrou em jogo de maneira correta. Se o árbitro não perceber nada disso e o jogo continuar, a equipe que se sentiu prejudicada pode fazer a denúncia e pedir a anulação do jogo por erro de direito.
 
Novamente, obrigado pelo contato e valeu pelas ótimas questões. São detalhes bacanas para serem discutidos!
 

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– O gol anulado da Ferrinha em Corinthians 2×1 Ferroviária. Desvio tira o impedimento ou não?

Há muitas pessoas que sustentam a tese de que as Regras do Futebol não mudam ou que se alteram lentamente. Isso pode ter sido verdade um dia, mas hoje se verifica cada vez mais as constantes (e muitas vezes, discutíveis) modificações. Prova disso é o lance dessa 4a feira no Pacaembu, onde o bandeira Mauro André de Freitas bobeou e anulou aquele que seria o segundo gol da Ferroviária de Araraquara. Adriano de Assis Miranda, o árbitro, poderia ter observado o toque na bola do corintiano mas também vacilou.

Assista o lance aos 7’26” do link em: https://m.youtube.com/watch?feature=youtu.be&v=Y7Yil_GHByE

Perceba que o espetacular lançamento do time do Interior vai a um jogador que estava em posição de impedimento: Hygor. Mas antes desse jogador (que faz o gol) dominar a bola, o zagueiro corintiano Pedro Henrique toca nela

E ISSO TIRA OU NÃO O IMPEDIMENTO DE HYGOR?

Na circunstância ocorrida, SIM. Hoje, se um jogador vai disputar uma bola e tenta dominá-la / tocá-la / fazer qualquer coisa que seja, e essa bola desviar ou resvalar nele, esse toque tirou o impedimento justamente pelo fato do defensor TER MANIFESTADO O DESEJO DE DISPUTA E TOCADO NELA. 

Se quando Pedro Henrique tentou a disputa ele não tivesse tocado na bola, o atacante araraquarense continuaria impedido. Ou, ainda, se a bola batesse no corintiano por acaso (sem Pedro Henrique ter tentado a disputa), ainda assim existiria o impedimento. A única forma de dar condição ao atleta era o toque que Pedro Henrique deu.

Sendo assim, repare: antigamente você precisava de 3 atletas atrás da linha da bola para não estar impedido; depois 2 jogadores; aí surgiu a questão da mesma linha e os casos de impedimento passivo. Recentemente, uma bola desviada que fosse a um atleta que não estivesse na jogada embora em posição de impedimento, passou a ter condição. Agora, qualquer toque na bola da zaga no qual um jogador tente disputá-la, valida a jogada

Fica apenas uma observação: será que jogadores, torcedores, imprensa e até mesmo os árbitros estão acompanhando a velocidade de tais mudanças? O que valia no ano retrasado não vale mais no passado, que muda para esse ano, pois se pratica até mesmo a mudança do que foi a mudança”!

O interessante, simplesmente, é que se Pedro Henrique tirasse o pé e não interceptasse o lance, o impedimento de Hygor seria válido.

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– E a absurda chuva em Barueri no São Paulo 1×1 Internacional? Ai, ai, ai, juizão…

Que pisada na bola do árbitro Thiago Luís Scarascati (que já foi elogiado aqui por suas atuações na série A1 – tendo ele no currículo arbitrado uma final de Copa SP). Foi uma falta de bom senso continuar o jogo Sub 19 – entre SPFC x Internacional debaixo de um dilúvio, sem condições da bola rolar e com a temeridade dos raios caindo a todo instante. Demorou para suspender a partida, e só o fez certamente em último caso.

Funciona assim: a ordem a Federação Paulista de Futebol é que se realize a partida de qualquer jeito, por falta de datas. No Paulistão, em todas as suas divisões, é difícil se remarcar uma partida por má condição climática. Na Copa SP, de muitíssimos jogos, calendário apertado e mesmo sendo em época de temporais, não resta dúvida: tem que terminar o jogo na marra!

Acontece que isso é de uma tremenda irresponsabilidade! Um funcionário da Sportv levou choques após um dos raios quase atingi-lo. Os atletas correram riscos, bem como todos os envolvidos. Pra quê forçar a barra?

Eu sei que o árbitro se esforçou em levar a partida até o fim (mesmo não devendo fazer isso), já que a partida remarcada fará com que ele perca mais um dia de serviço (assim como os bandeiras). Mas isso faz parte da atividade não-profissional dos árbitros – ossos do ofício…

Em suma: felizmente não aconteceu nenhuma tragédia em Barueri, mas se dependesse da FPF e da falta de noção do árbitro…

 

– Descanse em Paz, Ricardo!

Quem disse que ser esportista é sinônimo de saúde, cuidado com afirmações absolutas.

Justamente nessa semana em que eu comentava sobre conhecidos na casa dos 40 anos (não sedentários) e que morreram inesperadamente, vejo no Facebook do meu amigo aparecidense Marco Antonio Gonzaga, ex-bandeira de futebol, que o árbitro Ricardo Camargo morreu nesse sábado APITANDO um jogo de várzea!

Durante a partida, sentiu-se mal e simplesmente infartou.

Acaba assim? De uma hora para outra? Fim de jogo?

Que coisa é a vida da gente… árbitros da década de 90 lembram bem sobre o Ricardo. Possa ele descansar em paz e que esse acontecimento ligue o sinal de alerta para que todos nós que gostamos de esportes não relaxamentos nos exames de prevenção!

Este recorte é do próprio Marco Gonzaga: